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05/08/2019 às 20h34 > atualizado em 05/08/2019 às 20h34

Assembleia realiza primeira transmissão com intérprete em libras

Por Nádia Fontana

A sessão ordinária desta segunda-feira (5), da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), que marcou o início dos trabalhos plenários do segundo semestre do ano da 19ª legislatura, foi histórica. Pela primeira vez, em mais de 160 anos de existência do Poder Legislativo, uma sessão foi transmitida ao vivo com intérpretes da Língua Brasileira de Sinais (Libras) traduzindo de forma simultânea todos os pronunciamentos, debates e as votações de projetos de leis.

“É um momento histórico. O objetivo é tornar as transmissões mais inclusivas e acessíveis à comunidade surda. A iniciativa faz parte de um convênio firmado entre a Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (Feneis) e a Mesa Executiva”, destacou o presidente da Assembleia, Ademar Traiano (PSDB). “Essa é mais uma iniciativa da Assembleia para abrir suas portas, praticar a inclusão e permitir o acesso aos debates da Casa a todos os cidadãos”, enfatizou Traiano.

“É um avanço significativo. Mais do que nos adequarmos à legislação, estamos promovendo cidadania ao incluir as Libras nas transmissões da TV Assembleia e permitir que pessoas com deficiência auditiva possam acompanhar e fiscalizar o trabalho dos deputados estaduais”, afirmou o primeiro-secretário da Assembleia, deputado Luiz Claudio Romanelli (PSB). Na avaliação do deputado Gilson de Souza (PSC), segundo-secretário da Assembleia, ‘“este é mais um passo importante que damos para deixar a Alep mais próxima da população, em especial das pessoas com deficiência auditiva”. “A utilização da Língua Brasileira de Sinais nas transmissões da TV Assembleia vai facilitar o contato do Poder Legislativo estadual com essa parcela da população que deseja e tem o direito de participar, opinar, acompanhar e fiscalizar tudo o que acontece na Casa”, afirmou.

Inclusão – A iniciativa, que faz parte de um convênio firmado entre a Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (Feneis) e a Mesa Executiva da Alep, permitindo que pessoas com deficiência auditiva possam acompanhar pela TV Assembleia e pelos demais canais de comunicação da Casa de Leis as sessões, foi enaltecida também pelos demais parlamentares. “Representa um grande avanço. A Mesa Executiva está de parabéns. Estamos dando a oportunidade, para quem tem dificuldades de ouvir, de acompanhar os trabalhos do Legislativo”, declarou o deputado Hussein Bakri (PSD), líder do Governo.

“É uma medida importantíssima, louvável, que precisamos aplaudir. Essa iniciativa consegue fazer com que os trabalhos do Legislativo sejam também acessíveis aos cidadãos que tem dificuldades e se comunicam através de libras”, observou o deputado Marcio Pacheco (PDT). “A Assembleia dá também, a partir de agora, direito aos paranaenses portadores de surdez o direito de informação sobre as ações de seus representantes no Legislativo”, frisou o deputado Alexandre Curi (PSB).

Essa é também a avaliação do deputado Goura (PDT), para quem todas as iniciativas que ampliam a acessibilidade dos cidadãos são fundamentais. “É muito importante esse investimento na acessibilidade dos canais de comunicação”, disse. Opinião compartilhada pelo deputado Luiz Fernando Guerra (PSL) que frisou a importância desse momento lembrando que a acessibilidade é uma de suas bandeiras. “Precisamos promover a acessibilidade, a igualdade. Hoje, ela começa uma nova etapa aqui no Plenário, com a transmissão em libras”, observou.

Quem também manifestou opinião favorável foi o deputado Homero Marchese (PROS), que falou sobre o assunto na tribuna do Plenário: “Vai permitir que mais pessoas tenham acesso às nossas mensagens. Parabéns pela iniciativa”. Na avaliação do Michele Caputo (PSDB), a presença das intérpretes significa mais transparência ao processo legislativo e amplia a participação da população: “Fico muito feliz com essa iniciativa que significa um ganho para a cidadania”. “É de suma importância”, acrescentou o deputado Galo (PODE), que se disse surpreso com a rapidez com que o processo das transmissões em libras foi implantado. “A medida contribui para a inclusão dos cidadãos.” “Parabéns a Mesa Executiva”, frisou.

“Todas as pessoas têm direito de saber o que acontece na Assembleia”, afirmou a deputada Luciana Rafagnin (PT), que classificou como muito positiva a implementação do sistema de tradução em libras. Já na avaliação do deputado Boca Aberta Jr. (PROS) essa iniciativa é essencial para a Alep e para a população. Isto porque considera de extrema importância a participação do público nos trabalhos do Parlamento. “Mais pessoas vão ter a possibilidade de interagir com a Assembleia”, observou. “Essa é mais uma ação da Alep para promover a inclusão. As pessoas com deficiência auditiva também têm o direito de acompanhar e fiscalizar o trabalho de todos nós”, disse o deputado estadual Cobra Repórter (PSD).

“Essa iniciativa da Assembleia Legislativa do Paraná traz uma importante política de inclusão aos deficientes auditivos”, afirmou o deputado Delegado Francischini (PSL). “É uma forma de eliminar barreiras, possibilitando que as pessoas conheçam os projetos de lei e possam acompanhar as sessões quando houver temas de seus interesses, que abordem tratamento e atendimento, por exemplo. E mais do que esse direito à informação, facilita ao cidadão, mesmo com uma deficiência, participar do processo legislativo, dando opiniões e também fiscalizando as ações parlamentares”, acrescentou.

A deputada Cristina Silvestri (PPS) também enfatizou a importância da inclusão: “Assim como qualquer outra pessoa, os deficientes auditivos devem estar inseridos de toda e qualquer forma na vida em sociedade e uma das maneiras mais básicas de inclusão é por meio da linguagem”. “Por isso a atitude da Mesa Executiva da Alep em traduzir suas sessões para a língua de sinais é tão importante. Oferecer essa acessibilidade é de extrema importância para a comunicação e inclusão da comunidade surda nos debates que realizamos na Casa”, sublinhou.

“É nosso dever, enquanto Assembleia representativa de todos os paranaenses, possibilitar o acesso à informação dos trabalhos que realizamos aqui”, afirmou o deputado Requião Filho (MDB). “É uma proposta de comunicação que atende a uma necessidade de integração e inclusão, há tanto tempo solicitada pelas pessoas surdas. É algo aparentemente simples, mas que sabemos ser muito complexo de ser realizado na prática, principalmente quando há debates mais calorosos em plenário. Mas é muito importante possibilitarmos o acesso a essa pluralidade de ideias, no momento em que as discussões acontecem, a todos os paranaenses de maneira igualitária”, complementou.

O deputado Professor Lemos (PT) reconheceu a importância da medida e disse que ela representa o respeito a essa população que tem direito de receber informações sobre o que acontece na Assembleia em tempo real. Ele lembrou que já defendeu na Alep um projeto que propunha que em todos os órgãos públicos tivesse um funcionário especialista em libras, para atender os cidadãos com dificuldades auditivas. “Libras é a primeira linguagem dos surdos”, observou. Citou ainda como avanço o fato de que em todas as escolas da rede pública estadual hoje há um interprete de libras, caso haja alunos que precisem desse apoio. E defendeu que sejam ampliados os investimentos do Governo em acessibilidade. 

Intérpretes – Durante a sessão de hoje, que durou cerca de 2h30, três intérpretes – Lígia Klein, Celma Gomes e Ariane Ferreira Machado – fizeram a tradução de todo o conteúdo debatido. Formada em psicologia, Celma destacou, ao participar dos testes feitos durante o Parlamento Universitário, a importância dos intérpretes para a comunidade surda. “As leis existem, mas falta uma atenção maior. Eu só consegui me formar quando mudei para uma instituição que oferecia um interprete nas aulas”, contou. Durante as transmissões das sessões da Assembleia, três intérpretes sempre vão se revezar nas traduções, cada um em um período de 20 minutos.

Libras é reconhecida pela Lei federal nº 10.436/2002 como meio legal de comunicação e expressão no Brasil. De acordo com a legislação, o poder público e as empresas concessionárias de serviços públicos devem garantir instrumentos para apoiar o uso e a difusão da Língua Brasileira de Sinais, como meio de comunicação objetiva e de utilização corrente das comunidades surdas no Brasil.

Inovação – As transmissões das sessões plenárias na linguagem dos sinais fazem parte do processo de modernização da TV Assembleia, que já transmite toda sua grade de programação e a geração de conteúdo em alta definição (HD) desde o mês de junho. Além da mudança na qualidade da geração da imagem, a emissora institucional da Alep também renovou todo o seu parque tecnológico com objetivo de dar mais qualidade e visibilidade à atividade parlamentar. “É mais um investimento nesta área para que a população acompanhe o trabalho dos deputados e participe mais da vida pública, fiscalizando e propondo soluções”, diz a diretora de Comunicação da Assembleia, Kátia Chagas.

Ao vivo – As sessões são transmitidas pela TV Assembleia nas segundas, terças e quartas-feiras a partir das 14h30. Também são reproduzidas, ao vivo, pelas redes sociais do Legislativo e no site da instituição. Na transmissão da TV Assembleia em canal aberto, através da Rede Mundial, já é possível acompanhar as sessões com legendas, pelo sistema closed caption.