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16/07/2019 - 15h34

Uso de próteses está mudando a vida de pacientes com câncer de boca e pescoço

Por Cláudia Ribeiro

 Por que as pessoas têm câncer? Esta foi uma das perguntas feitas e respondidas durante a audiência pública que tratou do tema “Prevenção do Câncer de Boca e Pescoço”, na manhã desta terça-feira (16), no Plenarinho da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). A iniciativa de promover o debate foi da deputada Cantora Mara Lima (PSC) para marcar o Julho Verde, mês de conscientização sobre o câncer de cabeça e pescoço, e o 27 de julho, Dia Mundial para a Prevenção destes tipos de câncer.

Entre os convidados, estavam dois médicos considerados referências no tratamento e na prevenção de câncer de boca e pescoço no Paraná: Dr. Laurindo Moacir Sassi, chefe do Serviço Bucomaxilofacial do hospital Erasto Gaertner e o Dr. Gil Henrique Albrecht Lemos, chefe do Departamento de Serviço de Cabeça e Pescoço também do Erasto Gaertner. Atuando há pelo menos três décadas na prevenção da doença, traçaram,  em suas palestras um perfil dos pacientes, a maioria, homens, sedentários, com estilos de vida parecidos: fumantes, que fazem ingestão de álcool, além da má alimentação. Lembraram que pesquisas da Sociedade Brasileira de Cancerologia, apontam que a angustia e o estresse também são capazes de produzir substâncias que estimulam o surgimento do câncer.  Entre os números apresentados, está o de óbitos por câncer de boca no Brasil: 44%, enquanto que nos EUA é de 19%, o que demonstra ainda mais a importância da prevenção. Mas Dr. Laurindo diz que controlar o organismo é possível, já que a doença não aparece de uma hora para outra. Pode levar até dez anos para se desenvolver. Tempo suficiente para o paciente se cuidar.

(sonora)

Assim como o Dr. Laurindo, o Dr. Gil e uma equipe de médicos vão às ruas todos os anos para fazer o trabalho de prevenção. Em todo o Paraná. Por lá, montam barracas, onde examinam um grande número de pessoas. Isso só foi possível graças às pesquisas que resultaram em métodos que permitem que os exames sejam feitos nas ruas durante as campanhas. Além disso, ministram   cursos para preparar profissionais da saúde para um diagnóstico correto e precoce do câncer.  O Dr. Gil alerta que esse trabalho também serve para que a população seja informada sobre um fator de risco pouco divulgado para a prevenção do câncer de boca: o sexo sem proteção.

(Sonora)

A fonoaudióloga Camila Ferreira Molento, especialista em reabilitação do paciente oncológico, falou sobre a importância da reabilitação pós cirurgia de cabeça e pescoço, cujo objetivo é dar funcionalidade à vida do paciente. Pontuou que os tipos mais comuns de câncer são o de cavidade oral, laringe, tireoide e esôfago. Apontou o crescimento da doença entre jovens devido ao abuso do álcool, tabaco e do narguilé. Ela também reforçou a importância da utilização de próteses para nariz, boca e a bucomaxilofacial, capazes de restaurar o funcionamento da face, para que o paciente possa comer, enxergar, ouvir, respirar e falar, além de recuperar a autoestima.

Alguns casos foram apresentados durante a audiência: entre eles, o do sr. Vanderlei Bernardi, que consegue falar graças à prótese traquesofagica, que substituiu a laringe. Uma conquista que ele comemora dia após dia.

(Sonora)

 E a do sr. José Teixeira dos Santos Filho, que, após 19 anos com dificuldades para comer e falar, porque o câncer afetou o céu da boca, colocou a prótese e ganhou qualidade de vida.  Começou a fala sem a prótese, quase sussurrando. Em seguida, com o uso da prótese, veio a mudança no volume da fala. Uma mudança completa de vida, que custou pouco, já que o tratamento foi todo pelo SUS e ele arcou com parte do custo da prótese.

(sonora) 

A dra. Camila aproveitou para fazer um apelo às autoridades: O fornecimento das próteses pelo SUS e a reformulação da tabela do Sistema Único de Saúde para tornar o uso viável a todos os pacientes.  

(sobe som))

A última palestra foi a da nutricionista especialista em oncologia do Erasto Gertner, Aline Cristina Bucalão de Menezes, que falou sobre o impacto nutricional do câncer de cabeça e pescoço. Ela disse que 60% dos fatores de risco do câncer são relacionados também à má alimentação, que significa o baixo consumo de frutas, legumes e verduras e a utilização em excesso de alimentos industrializados e adoçantes.

Para isso, ela sugeriu: é preciso mais nutricionistas atuando nas escolas, nas unidades básicas de saúde. Pela experiência que tem nessa área, Aline constatou que mais de 40% dos pacientes com câncer apresentam desnutrição. E muitos morrem em função dela.  Por isso, a importância do nutricionista também no tratamento. Ela enfatizou o poder de campanhas como o Julho Verde, que impactou só em 2018, 120 milhões de pessoas.

Tânia Mary Gomez, que abriu os trabalhos, é presidente do Instituto Humanista de Desenvolvimento Social (HUMSOL). Ela contou que teve câncer há quase vinte anos e desde então passou a lutar pelos pacientes. Aproveitou para citar o que chamou de “mantras da prevenção”.

(Sonora)