‘ESTRAGO’ DE LULA ESTÁ NA ECONOMIA, DIZ REQUIÃOO governador do Paraná Roberto Requião disse nesta segunda-feira (02), em entrevista a Bandnews FM, que o maior estrago do governo Lula está na política econômica conduzida pelo ministro da Fazenda, Antônio Palocci. Para ele, o país está “paralisado, estagnado” em função da política econômica conservadora e monetarista.“Eu acho que o problema fundamental é o estrago que se fez na economia. Esta paralisação da economia brasileira, a estagnação que nós estamos vivendo. E esta visão extremamente conservadora e monetarista da condução da política econômica. O estrago maior está aí”, disse Requião ao jornalista Carlos Nascimento.Para Requião, as denúncias de corrupção como o caso do mensalão, “é um problema de polícia, de Ministério Público”, e que o próprio Congresso Nacional tem que resolver. “É um problema sério, mas é um problema pequeno diante do estrago da condução da política econômica do Brasil. E dessa responsabilidade o Lula não pode fugir porque ele apóia abertamente a política do (Antônio) Palocci (ministro da Fazenda)”, completou.O governador do Paraná cobrou ainda do PMDB, seu partido, a continuidade das reuniões regionais que vão definir o programa de governo do candidato peemedebista à presidência da república. “Não me encanto com um lançamento de um candidato próprio sem um programa de governo muito claro. Nós começamos, até por estímulo meu, a fazer um debate nacional que resultaria num texto programático que seria o argumento para o lançamento de um candidato. Mas isso parou. Esse processo está congelado. Eu espero que isso se deflagre agora com mais força, a partir do início do ano”, observou.Requião disse ainda que o Paraná, através da energia elétrica produzida no Estado – a mais barata do país, segundo ele - e dos incentivos fiscais vão estimular em 2006 novos investimentos. “O Paraná tem 213 mil empresas registradas - 150 mil são micro empresas e estão isentas de imposto - e um número muito grande tem faixas de tributação de 2%, 3% e 4%, ao invés dos 18%. O Paraná tem a energia elétrica mais barata do país”.O governador afirmou ainda que o Paraná tem uma série de medidas tributárias, de dilação de prazo de pagamento do ICMS e de outros tributos, que estimula o crescimento das regiões de baixo índice de desenvolvimento humano. “Esta política, sem a menor sombra de dúvida, está tendo um resultado muito positivo nesse momento”.No Paraná, segundo Requião, todas as áreas que tem o uso intensivo de energia elétrica podem atrair novos investimentos, principalmente os ligados ao agronegócio. “Nós somos os grandes produtores nacionais de energia elétrica. O Paraná estimula muito hoje a produção de alimentos. Estimula a pequena e média propriedade rural, a agroecologia, a diversificação das culturas. Trinta e oito por cento da nossa produção vem de pequenas e médias propriedades. Estas áreas ligadas ao consumo intensivo de energia ao agronegócio e à industrialização não poluente têm o estímulo muito forte do Governo do Estado”, garantiu. Leia a seguir os principais trechos da entrevista.Carlos Nascimento/Bandnews – O Estado do Paraná, embora às vezes em silêncio, vem crescendo muito na economia brasileira. Alguns estados estão pegando no pé de São Paulo, querendo inverter as coisas, e ser os primeiros da economia. Eu citaria Minas Gerais, Goiás, mas muito o Paraná. O que o Paraná vai fazer nesse ano de 2006 para perseguir esse caminho de aumentar a sua participação na economia brasileira.Requião – Evidente que alcançar São Paulo não é o objetivo para esta década. Mas o fundamental é que o Paraná está na contramão da política tributária brasileira. O Paraná tem 213 mil empresas registradas - 150 mil que são as micro empresas estão isentas de imposto e um número muito grande tem faixas de tributação de 2%, 3% e 4%, ao invés dos 18%. O Paraná tem a energia elétrica mais barata do país. E tem uma séria de medidas tributárias, de dilação de prazo, estimulando o crescimento das regiões de baixo índice de desenvolvimento humano. E esta política, sem a menor sombra de dúvida, está tendo um resultado muito positivo nesse momento.Nascimento/Bandnews - Quais são áreas que o senhor destacaria hoje como de grande futuro, de grande sucesso, para novos investimentos no seu Estado?Requião - Todas as áreas que tem o uso intensivo de energia elétrica Nós somos os grandes produtores nacionais de energia elétrica e sem a menor sombra de dúvida o agronegócio. O Paraná estimula muito hoje a produção de alimentos. Estimula a pequena e média propriedade rural, a agroecologia, a diversificação das culturas. Trinta e oito por cento da nossa produção vem de pequenas e médias propriedades. E são exatamente estes 38% que vão para a mesa dos paranaenses e dos brasileiros. Porque o resto, a grande produção, são as commodities que servem para a exportação. E estas áreas ligadas ao consumo intensivo de energia ao agronegócio e a industrialização não poluente têm o estímulo muito forte do Governo do Estado.Nascimento/Bandnews – Eu queria falar um pouquinho de política também com o senhor, começando por perguntar se o senhor viu a entrevista do presidente Lula na televisão?Requião – Não assisti.Nascimento/Bandnews – O presidente Lula, o tempo todo, esquivou-se das perguntas sobre a crise política no sentindo da responsabilidade dele, dizendo repetidas vezes que quem tem que investigar é o Ministério Público, a Polícia Federal e por aí afora. Na sua avaliação qual é o grau de estrago que essa crise política causou ao governo do presidente Lula?Requião - Eu acho que o problema fundamental é o estrago que se fez na economia. Esta paralisação da economia brasileira, a estagnação que nós estamos vivendo. E esta visão extremamente conservadora e monetarista da condução da política econômica. O estrago maior está aí. A corrupção realmente é um problema de polícia, de Ministério Público, o próprio Congresso tem que resolver. É um problema sério, mas é um problema pequeno diante do estrago da condução da política econômica do Brasil. E dessa responsabilidade o Lula não pode fugir porque ele apóia abertamente a política do Palocci.Nascimento/Bandnews – Nós teremos eleições nesse ano e o seu partido, o PMDB, é uma das grandes forças da política brasileira. Como o PMDB deve se apresentar nas próximas eleições? Com candidato próprio, fazendo alianças? Qual é ao seu ver, a melhor estratégia?Requião - Há uma decisão interna do partido de lançarmos um candidato próprio à Presidência da República. Mas eu não me encanto com um lançamento de um candidato próprio sem um programa de governo muito claro. Nós começamos, até por estímulo meu, a fazer um debate nacional que resultaria num texto programático que seria o argumento para o lançamento de um candidato. Mas isso parou. Fizemos reuniões no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, no Paraná, em São Paulo e, depois, a direção nacional não promoveu mais nenhuma reunião. Então, lançar um candidato para que? Para quem? Para que tipo de solução da política econômica? Com que mudanças, muitas claras, que o PMDB pretenda lançar um candidato? Esse processo está congelado. Eu espero que isso se deflagre agora com mais força, a partir do início do ano.Zé Beto MacielLiderança do GovernoAssembléia Legislativa do Paraná41-33504191/45-91038177zbm@fnn.net - h2foz@hotmail.com