Por proposição da deputada Secretária Márcia Huçulak (PSD), a Assembleia Legislativa do Paraná realiza, entre os dias 16 e 20 de março, a exposição “Curitiba em Trovas”, em homenagem aos 60 anos da União Brasileira de Trovadores (UBT) e ao aniversário de 333 anos da capital, celebrado em 29 de março.
A instituição é atualmente presidida por Andréa Motta, que também lidera a seção da UBT em Curitiba.
A homenagem incluirá votos de Menção Honrosa concedidos às UBTs Nacional, Paraná e Curitiba, além de uma homenagem à trovadora Vera Vargas (in memoriam), primeira mulher a presidir a seção curitibana da organização.
“A trova é uma forma de arte com muita tradição, que merece ser difundida e reconhecida — um trabalho que vem sendo feito com grande dedicação pela UBT”, afirma Márcia.
Exposição
A exposição na Alep reunirá painéis com imagens e poemas, além de ilustrações de Di Magalhães.
Estarão expostas trovas de cerca de 80 artistas, entre eles Luiz Otávio, Andréa Motta, Arlindo Tadeu Hagen, Apollo Taborda França, Vera Vargas e Heitor Stocler de França.
Para Andréa, a trova é uma forma de arte de grande lirismo. “Parece simples, mas exige muita técnica”, afirma. “Você consegue dizer muita coisa em um espaço limitado”, completa, explicando que uma composição pode ser feita em minutos ou levar muitos dias até ficar conforme pretendido pelo artista.
Segundo ela, poetas conhecidos como Emiliano Perneta e Emílio de Menezes também produziram trovas — forma de poesia que ganhou força a partir da década de 1950.
UBT
A União Brasileira de Trovadores foi criada no Rio de Janeiro em 1966, fruto de um processo de organização do setor que remonta a 1956. Atualmente é presidida por Andréa Motta, trovadora nascida em São Paulo que veio ainda bebê para o Paraná, onde também preside a UBT-Curitiba.
A seção curitibana foi criada menos de um mês após a fundação da entidade nacional — em 10 de setembro de 1966, enquanto a UBT nacional foi instituída em 21 de agosto do mesmo ano.
A entidade nacional nasceu por iniciativa de Luiz Otávio (1917–1977), nome artístico do cirurgião-dentista Gilson de Castro, considerado a grande referência da trova brasileira, com apoio de diversos trovadores para promover estudos e o congraçamento entre os artistas.
Desde então, consolidou sua atuação e hoje está presente em 18 estados, além de manter delegacias em oito países, entre eles Estados Unidos, Argentina e Israel. No Paraná, são seis seções municipais e 12 delegacias.
A trova
Em suas origens, na Idade Média, a trova era um poema cantado. Com o tempo, evoluiu para a forma atual: um poema popular curto e rimado, em formato puramente textual, composto por quatro versos de sete sílabas métricas cada.
A trova chegou ao Brasil com o Descobrimento, trazida nas caravelas portuguesas.
Apesar de ter como características principais a simplicidade e a sonoridade marcante, uma boa trova exige criatividade, sensibilidade e técnica.
“Uma definição plenamente aceita [atualmente] é a seguinte: trova é uma composição poética composta de quatro versos de sete sons (setissílabos), sem título, rimando o primeiro verso com o terceiro e o segundo com o quarto, e tendo sentido completo”, explica Motta no artigo A Estrutura Poética da Trova.
Vera Vargas
Homenageada in memoriam, Vera Vargas foi poeta, cronista, pesquisadora de literatura e trovadora. Teve sua produção publicada em diversos jornais e revistas do estado e escreveu mais de 60 hinos de municípios paranaenses.
Foi a primeira mulher a presidir a UBT-Curitiba.
Formada em Direito, foi professora e exerceu diversos cargos públicos. Também participou de instituições culturais como o Centro de Letras do Paraná, a Academia José de Alencar, a Academia Paranaense de Poesia, a Academia Feminina de Letras do Paraná e a Associação de Jornalistas e Escritores do Brasil (Ajeb).
Vera Vargas nasceu em Piraí do Sul (PR), em 17 de outubro de 1922, e morreu em 10 de outubro de 2000.
Serviço
Exposição 60 anos da União Brasileira dos Trovadores
Espaço Cultural, primeiro andar da Assembleia Legislativa do Paraná
Abertura: 16 de março de 2026 (segunda-feira), às 14 horas
Exposição aberta ao público até o dia 20 de março (sexta-feira), das 9h às 18h