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Despertar para política

05/06/2019 às 09h40 Por Vanderson Luiz
Plenário ficou totalmente lotado para o treinamento do Parlamento Universitário 2019 / Foto: Kleyton Presidente/Alep

Plenário ficou totalmente lotado para o treinamento do Parlamento Universitário 2019 / Foto: Kleyton Presidente/Alep

Ao participarem na noite desta terça-feira (04) do treinamento da edição 2019 do Parlamento Universitário, no Plenário da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), o presidente da Casa, deputado Ademar Traiano (PSDB), o primeiro-secretário, deputado Luiz Cláudio Romanelli (PSB), e o presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJ-PR), desembargador Adalberto Jorge Xisto Pereira foram uníssonos ao afirmar que o projeto é um mecanismo para despertar nos universitários o interesse pela política.

E isso, de certa forma, é o grande objetivo da Escola do Legislativo da Alep ao organizar o Parlamento Universitário: aprofundar o conhecimento dos participantes de como é o trabalho de um deputado estadual e a diferença que ele pode fazer na sociedade.

“A democracia tem que ser oxigenada. O parlamento estadual tem que ser oxigenado. Nós precisamos oportunizar aos nossos jovens o interesse pela vida política do nosso País. Hoje se condena tanto a classe política, mas não se conhece a fundo o que ocorre dentro dos parlamentos. A democracia só é consolidada e sólida quando se tem um parlamento forte, porque é aqui que se criam mecanismos e ambientes para consolidar políticas públicas e estabelecer metas administrativas para o Estado e para União”, ressaltou o presidente Traiano.

Já o primeiro secretário, deputado Luiz Cláudio Romanelli, entende que o Parlamento Universitário é um grande instrumento de interação entre as pessoas e a democracia precisa da participação das pessoas para o seu processo de renovação. “Aqui eles [os participantes] vão conhecendo outra realidade. A política quase que está estereotipada. Na medida em que as pessoas podem participar e vão ter a oportunidade de ver como funciona o parlamento, elas saem daqui transformadas, renovadas do ponto de vista do seu conceito do funcionamento de um parlamento. Aqui o que está em julgamento não são os deputados e deputadas atuais. As pessoas entendem como funciona a democracia, como é o processo legislativo, elas se colocam no lugar e isso as faz entender o mundo de uma forma diferente de antes de participar desse processo e isso é enriquecedor”.

O presidente do TJ-PR, desembargador Adalberto Jorge Xisto Pereira, também destacou que existem críticas a respeito da atividade dos políticos, mas que acredita que participando do processo, os universitários sairão do projeto com outra visão. “Essa iniciativa é de suma importância porque mostra para a população o trabalho dos parlamentares.  Quero parabenizar a Assembleia Legislativa, particularmente nesta gestão pelas inovações que estão sendo realizadas. Hoje estou aqui prestigiando com muita alegria esses jovens universitários que aqui comparecem para terem a noção do que fazem os parlamentares. Todos os nossos problemas, nossas dificuldades, só há uma solução: a política. Não incumbe ao Poder Judiciário consertar o País, não incumbe ao Poder Judiciário regular o presente ou projetar normas para o futuro. Isso é tarefa do Poder Executivo e do Poder Legislativo”, destacou.

O projeto - O Parlamento Universitário chega à sua quarta edição e neste ano estabeleceu uma nova marca, com a inscrição de 1.419 universitários. Deste total, quase a metade, representando nove instituições de ensino superior de Curitiba, estiveram presentes no treinamento, etapa importante na seleção dos 54 deputados universitários.

O presidente Ademar Traiano lembrou que em 2017, o projeto foi premiado com o 3º Prêmio Cultural da Associação Brasileira das Escolas do Legislativo e de Contas (Abel), eleito por unanimidade como o melhor projeto educacional desenvolvido por um Legislativo Brasileiro para o público externo, o que o tornou referência no País. “Na verdade a Assembleia do Paraná tem sido modelo para todas as Assembleias do Brasil. Esse projeto Parlamento Universitário é premiado nacionalmente e hoje todos estão em busca de implantar nas demais Assembleias do Brasil. Para nós é um orgulho estarmos aqui abrindo mais uma edição do Parlamento Universitário, com 1.419 inscritos, para escolhermos, juntos com as universidades, os futuros deputados e deputadas que irão ocupar as 54 cadeiras da Assembleia Legislativa”.

Nesta edição, a novidades é a abertura para a participação de acadêmicos do interior. Foram selecionadas a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Universiade Estadual de Londrina (UEL) e Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Elas se juntaram a Universidade Federal do Paraná (UFPR), Pontifícia Universidade Católica (PUC-PR), Unicuritiba, Unibrasil, Uninter, Opet, Faculdades Integradas Santa Cruz, Positivo e Estácio.

O treinamento - Nesta terça-feira (04) foi dada a largada oficial do Parlamento Universitário com a realização do primeiro treinamento, voltado aos acadêmicos das instituições de ensino superior de Curitiba. O mesmo processo será repetido nas universidades do interior, começando por Ponta Grossa na próxima quinta-feira (06), e na sequência Londrina e Cascavel.

“O primeiro passo foram as inscrições, onde tivemos um recorde de participação, com 1.419 acadêmicos. Agora estamos aproveitando todos esses inscritos para passar alguns conhecimentos sobre a Assembleia Legislativa. Não temos condições de fazer a simulação com todos eles, mas conseguimos aproximar a Assembleia dos acadêmicos, o que para nós é muito importante”, explicou o diretor Legislativo da Alep e diretor da Escola do Legislativo, Dylliardi Alessi.

No treinamento, acentuou o diretor, “o que passamos como tema principal é o processo legislativo como ocorre na Assembleia. O processo de formação das leis, desde a sua formatação, passando por todas as fases e comissões, até a sua aprovação e sanção para transformação em lei. É fundamental aproveitarmos esse momento para passarmos esse conhecimento aos acadêmicos, porque isso é uma experiência e também oportunidade de conhecimento que poderá ser útil nas universidades”.

Posteriormente, caberá às universidades realizar a seleção de seus representantes. O número de deputados a que cada instituição terá direito dependerá da quantidade de inscritos e de participantes no treinamento. “Cada uma [universidade] adota um critério de seleção e a partir da definição dos participantes, a Assembleia volta a trabalhar com os alunos, com mais oficinas e treinamentos detalhados para que possam estar aptos a participarem da simulação”.

A divulgação dos 54 escolhidos ocorrerá no dia 1º de julho, quando começa a contar o prazo, até o dia 15 do mesmo mês para o envio das proposições que serão trabalhadas durante o processo de simulação, de 18 a 26 de julho.

No primeiro dia, os deputados universitários definirão os integrantes da Mesa Executiva e os membros das comissões temáticas que analisarão todos os projetos antes da votação em plenário.

Experiência para a vida - Os ex-participantes do Parlamento Universitário são unânimes ao afirmar que a participação deles no projeto é uma experiência enriquecedora e que mudou a forma de ver o trabalho dos deputados e serviu como incentivo para o engajamento na política.

Um deles é o acadêmico de Direito pela Uninter, Humberto Pacheco. Há 11 anos motorista de ônibus, ele participou da edição 2017 do PU e dá um conselho aos que estão em busca de uma vaga este ano. “A gente sai daqui com outra visão do que é o mundo político. E para quem está tentando ser selecionado, que aproveite a oportunidade para se desenvolver tanto no pessoal quanto no coletivo. Porque aqui se fazem leis para beneficiar toda a população”.

Ele conta que tem intenção de ser candidato a um cargo eletivo assim que concluir o curso de graduação. “O Parlamento Universitário despertou a vontade de poder fazer muito mais pela população. E hoje estou aqui para incentivar os colegas a participarem porque a experiência é renovadora, renovar o aprendizado e me preparar para, no futuro, quem sabe, estar disputando uma eleição.

Também da Uninter, o acadêmico Pedro Gomes Muniz Júnior, 46 anos, fez uma longa jornada até chegar a Capital paranaense. Ele veio de Portel , da região da Ilha de Marajó, no Pará. Em Curitiba há dois anos, cursando Ciência Política, enxerga no Parlamento Universitário uma grande oportunidade para aprofundar conhecimento e retornar ao seu Estado com bagagem para se candidatar.  “Eu acho que no Poder Legislativo eu poderei ajudar melhor a população, de estar mais próximo. Vereadores, deputados, eles representam o povo e podem, com trabalho, ajudar mais. A expectativa de ser selecionado ao Parlamento Universitário é muito grande, a vontade é imensa. Eu vim para buscar aprendizado, para que possa sair daqui preparado e ajudar meu estado e o meu país”.