Mesmo com Lei, apenas 63% das escolas paranaenses têm biblioteca ou sala de leitura
Audiência pública realizada na Assembleia Legislativa discutiu legislação federal que determina que todas as instituições de ensino tenham acervos próprios.
Mesmo com a efetivação da Lei federal nº 12.244/2010, que determina que todas as instituições de ensino do País, públicas e privadas, deverão contar com bibliotecas com acervo mínimo de um título para cada aluno matriculado, apenas 63,09% de um total de 9.505 escolas paranaenses, entre públicas ou privadas, contam com espaços dedicados à leitura e pesquisa. Os dados são do Censo Escolar de 2018 e fazem parte de uma pesquisa do bibliotecário e pesquisador Elias Barbosa da Silva, da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Ele foi um dos participantes da Audiência Pública "Implementação da Lei nº 12.244 de 2010: a universalização das bibliotecas nas instituições de ensino do País", realizada de modo remoto pela Assembleia Legislativa do Paraná nesta terça-feira (30), por proposição do deputado Goura (PDT).
Em seu estudo, Silva constatou que, contrariando a legislação federal determinando que as instituições de ensino públicas e privadas de todos os sistemas de ensino do País contarão com bibliotecas, o País perdeu bibliotecas escolares entre 2009 e 2019. "Concluímos que houve poucos avanços no assunto, apesar desta Lei. Constatamos um decréscimo de bibliotecas escolares em todo o Brasil", alertou. O estudo tem como base os anos de 2009, 2015 e 2019. Em 2009, 37% das escolas tinham bibliotecas. Em 2019, o número caiu para 36,3%.
De acordo com o proponente da audiência, deputado Goura, os dados são preocupantes, já que, segundo ele, as bibliotecas são espaços de educação e emancipação intelectual. "A biblioteca é um instrumento essencial para informar, educar e contribuir para o desenvolvimento das cidades brasileiras. Precisamos fortalecer as bibliotecas escolares. Elas não são apenas uma coleção de títulos ou um espaço físico que os abriga, a biblioteca deve promover um serviço de acesso à aprendizagem", afirmou.
A representante da Secretaria de Estado da Educação (SEED), Neide Célia Perfeito, explicou que no Paraná houve uma fusão entre bibliotecas e salas de informática. "Realmente houve uma redução dos espaços, mas com a integração das bibliotecas com espaços de computadores", disse. Ela complementou explicando que o governo estadual vem trabalhando ao longo dos anos para atender as determinações dispostas na Lei. "Nos últimos anos, temos orientado que as bibliotecas sejam utilizadas pelos alunos com o acompanhamento dos professores", informou.
Esta é uma das críticas dos participantes da audiência: a falta de bibliotecários dentro das instituições. Durante o encontro, profissionais e bibliotecários também reivindicaram a presença de mais profissionais nas escolas. É o que alertou Cristiane Sinimbu Sanchez, presidenta do Conselho Regional de Biblioteconomia da Nona Região.
Segundo ela, o Paraná conta atualmente com 1676 profissionais registrados, sendo 730 destes ativos. "A sociedade brasileira precisa promover a valorização deste profissional, por isso temos alguns encaminhamentos. Entre eles estão a promoção de políticas públicas, com parcerias para criação de redes e sistemas de bibliotecas escolares, aliado à formação de bibliotecários. Também precisamos que as bibliotecas escolares atendam às necessidades informacionais da sociedade paranaense", explicou.
O pensamento é semelhante ao da conselheira e diretora técnica do Conselho Federal de Biblioteconomia, Eliane Lourdes de Silva Moro. "A biblioteca é um espaço universal e democrático, de acesso à informação e conhecimento, um centro de mediação entre a vida e a leitura. Já temos uma Lei que torna obrigatório seu funcionamento. Agora reivindicamos a destinação de recursos para o seu funcionamento", avaliou.
A audiência contou ainda com a participação da presidenta da Associação Bibliotecário do Paraná, Marilene do Rocio Veiga, da vice-presidente do Sindicato dos Bibliotecários do Paraná, Juliana Riter, do presidente da Comissão de Educação da Assembleia, deputado Hussein Bakri (PSD), e do deputado Professor Lemos (PT).
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