PT CONTESTA RELATÓRIO APROVADO NO GRITOSob protestos de parlamentares do PT foi aprovado nesta quarta-feira (5) o relatório do deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) para a CPMI dos Correios. O presidente da Comissão, senador Delcídio Amaral (PT-MS) impediu qualquer discussão e, na tratorada, conseguiu aprovar o documento por 17 votos a 4. Vários parlamentares não votaram por absoluto desconhecimento do texto final.O PT decidiu apresentar recurso contra a aprovação na Mesa da Câmara. O partido requer a anulação da votação e a realização de uma nova reunião para a apreciação do relatório e dos destaques.Os petistas apontaram irregularidades no procedimento de votação, falta de discussão das modificações efetuadas pelo relator sem prévio conhecimento por parte dos integrantes da comissão, e impedimento de apresentar destaques ao relatório. Destacaram também a gravidade da atitude do relator de retirar do texto final nomes de pessoas apontadas como suspeitas de ilícitos.O recurso do PT pede o cumprimento do Regimento, artigo 312, que prevê a consideração dos destaques logo após aprovado o texto principal. O deputado Carlos Abicalil (PT-MT) defendeu a iniciativa. “Não foi permitido destaque. Qualquer outra CPI teve direito a destaques”. “O que houve foi um acerto absolutamente antidemocrático que impediu a discussão séria do relatório. Nós negociamos o dia todo com o intuito de contribuir para melhorar o relatório, para retirar os aspectos incorretos”, disse o deputado Jorge Bittar (PT-RJ). Entre os aspectos incorretos, ele citou a falta de fundamentação, por parte do relator, de que as transferências de recursos a parlamentares fossem vinculadas a votações de projetos de matérias importantes do governo. Segundo ele, o PT queria apresentar destaques, mas o que se viu “foi um acordão para impedir que contribuíssemos de forma construtiva. Foi um relatório permeado de imperfeições. O presidente de CPI, senador Delcídio, passou um rolo compressor e não permitiu que pudéssemos aperfeiçoar o relatório. E não permitiu à Nação conhecer um relatório que reflita as investigações e não seja marcado por objetivos políticos-eleitorais”, disse. O sub-relator de contratos da CPMI, deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), contestou a decisão do relator de excluir nomes de suspeitos de irregularidades do relatório. “É inacreditável. O relatório que foi aprovado não foi o relatório lido. Não sabíamos minimamente das modificações que seriam apresentadas”, criticou. Ele destacou que essas modificações excluíram de indiciamento o nome do vice-governador de Minas, Clésio Andrade (PFL), assim como os nomes de dois principais suspeitos de irregularidades citados pela sub-relatoria de franquias de Correios da comissão. “Se se aponta para irregularidades nas franquias dos Correios, por que esses nomes foram retirados? Como se justifica?” questionou. “Acho que teremos de fazer a CPI da CPI para esclarecer isso”, disse.O relator Osmar Serraglio afirmou ter se esforçado para negociar um relatório que fosse aprovado por unanimidade, mas sem sucesso.O deputado Dr. Rosinha (PT-PR) afirmou que o relatório reflete parcialidades e apresenta muitos erros. “O relatório é insuficiente, como ele foi aprovado, para que o Ministério Público ou a Polícia Federal continuem as investigações. Porque tem muitos erros técnicos e muitas incongruências e dificulta a investigação”, disse.O líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), avaliou que é “inadmissível” o fato de o presidente da CPI não ter respeitado o direito dos parlamentares de votar os destaques. “O presidente da CPI não respeitou o Regimento da Câmara, e a votação do relatório não está concluída. Ainda faltam os destaques. É ilegítimo e ilegal concluir a votação do relatório sem a apreciação dos destaques, como ocorre em qualquer proposição legislativa”, afirmou o senador.Assessoria de ImprensaDeputado André VargasP/ Edson Junior - MTb 103205(41) 8412-2799www.andrevargas.com.br