Assembleia recebe trabalhadores da Araupel em protesto contra ocupação de terras pelo MST
Inúmeros moradores de Quedas do Iguaçu e de Rio Bonito do Iguaçu também assistiram a sessão plenária das galerias da Assembleia Legislativa.
A sessão plenária desta segunda-feira (23) na Assembleia Legislativa do Paraná foi marcada por discursos e debates sobre a questão fundiária de áreas localizadas entre os municípios de Quedas do Iguaçu e Rio Bonito do Iguaçu, no Centro-Sul do Estado, notadamente em face da ocupação de propriedades da Araupel por membros do MST. Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Madeira e dos Móveis de Quedas do Iguaçu, Espigão Alto do Iguaçu e Sulina, Claudir dos Santos, quase 1,3 mil trabalhadores e moradores da região vieram à Curitiba para cobrar que o Governo do Estado cumpra a reintegração determinada pela Justiça e para que o assunto seja colocado na pauta de discussão dos deputados.
“Estamos aqui para pressionar o Governo e pedir o apoio dos deputados nesta luta em defesa dos trabalhadores da indústria, comércio e serviços, e acima de tudo, em defesa da cidade de Quedas do Iguaçu. Nosso município vive dias difíceis, diante de tantas invasões, que podem culminar com a extinção de milhares de empregos diretos e indiretos na região”, destacou o líder sindicalista. “Não queremos pedir emprego e salário para o governador, nós estamos aqui para que o governo ajude os trabalhadores a manter os seus empregos. Hoje a empresa está trazendo matéria prima de outras regiões e isso não será viável por muito tempo. Não tendo matéria prima, a tendência é parar a produção. Eu acredito que a partir de hoje as coisas andem mais rápido com o apoio dos deputados e conversas com o Governo”, afirmou o presidente.
O prefeito de Quedas do Iguaçu, Edson Jucemar Hoffmann do Prado (PSDB), deixou claro que não está a favor nem da empresa Araupel e nem do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra – MST. “Devido a essa insegurança, os investimentos e construções pararam. As pequenas empresas e o comércio da região já estão demitindo e para ter ideia, 20,47% da arrecadação de ICMS do município de Quedas do Iguaçu é proveniente da Araupel. Eu me preocupo muito com toda a região Oeste que depende direta e indiretamente da cadeia produtiva da Araupel. Não podemos, por falta de força politica e não cumprimento de uma ordem judicial, deixar essas pessoas abandonadas”, declarou o prefeito.
De acordo com o deputado Marcio Pauliki (PDT), o principal objetivo agora é instalar uma Comissão no Legislativo para analisar os fatos e preservar os milhares de empregos gerados pela principal indústria da região. “A minha maior preocupação é que as pessoas que moram nos municípios com áreas invadidas tenham condições de levar uma vida digna e manter o sustento das suas famílias”.
70% dos conflitos do Estado estão concentrados em dois grandes latifúndios, o da Araupel e o dos Atalas. A área de reflorestamento industrial da Araupel em Quedas do Iguaçu foi invadida por integrantes do Movimento Sem-Terra (MST) em julho de 2014. Desde então o caso vem sendo discutido na Justiça. Aproximadamente 3,5 mil famílias estão acampadas na região de Quedas do Iguaçu aguardando regularização. A posse da área é reivindicada pela empresa Araupel e contestada pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). Em uma das decisões, de maio de 2015, a juíza do caso considerou ilegal toda a cadeia dominial das terras e disse que a área em questão pertencia à União. A empresa recorreu da decisão e teve a posse da área reconhecida, assim como a reintegração das áreas.
A Araupel é uma empresa que atua no setor de reflorestamento e beneficiamento de produtos em madeira. Ela fornece matéria-prima para a construção civil, avicultura, suinocultura, energia elétrica, papel e celulose. Segundo representantes da empresa, a invasão compromete também a economia dos municípios onde a empresa está instalada. Quedas do Iguaçu e Rio Bonito do Iguaçu são os mais afetados. Boa parte da arrecadação dos dois municípios é proveniente dos impostos pagos pela empresa, que gera mais de 2 mil empregos diretos e indiretos, provendo o sustento de mais de 6 mil pessoas. De acordo com a empresa, os prejuízos com as ocupações já passam de R$ 22 milhões e a população local pode ser diretamente prejudicada caso uma onda de demissões em massa aconteça. A empresa declarou esperar que as reintegrações de posse determinadas pela Justiça sejam cumpridas o mais breve possível.
O Estado registrou 20 novas ocupações em 2015, totalizando 72 conflitos. A Secretaria de Segurança Pública admite dificuldade nos processos de reintegração de posse e afirma que os processos somente serão cumpridos após muita negociação, porque além das dificuldades operacionais para evitar os confrontos, existe a pressão de ONGs e instituições nacionais e internacionais para que sejam respeitados os direitos humanos.
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