Luciana Rafagnin quer reduzir agrotóxicos no Paraná e incentivar a agroecologia
A deputada estadual Luciana Rafagnin (PT) apresentou nesta segunda-feira (2) na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) um projeto de lei voltado a apoiar e incentivar a agroecologia no Estado do Paraná. Ele visa instituir a política estadual de redução de agrotóxicos (Peragro). A deputada objetiva com essa política reduzir gradual e continuadamente o uso e os impactos dos agrotóxicos no Paraná, além de ampliar o controle biológico de pragas, a adoção de manejos ecológicos, naturais e integrados de insetos, bem como a prevenção de doenças. Também pretende favorecer com isso a ampliação e o consumo de alimentos saudáveis, por meio do incentivo à conversão de lavouras convencionais em agroecológicas ou orgânicas.
“Precisamos diminuir os índices de intoxicação e de doenças relacionadas à exposição e consumo de agrotóxicos no estado”, informa Luciana. “Ao promover o desenvolvimento sustentável, vamos favorecer a disponibilidade de alimentos para abastecer, inclusive, as escolas da rede pública estadual com vista a garantir a efetividade da lei da alimentação escolar 100% orgânica, prestes a ser regulamentada no estado”, completou. Ela assumiu esse compromisso com as mais de 60 organizações que promoveram na semana passada a 18ª Jornada de Agroecologia em Curitiba. Luciana participou de uma oficina sobre iniciativas populares com o objetivo de reduzir a comercialização e o consumo de agrotóxicos na produção de alimentos no Paraná.
Alimentos saudáveis - O Paraná é o primeiro produtor brasileiro de alimentos orgânicos e, de acordo com os dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa/2016), possui mais de 3,5 mil propriedades rurais orgânicas certificadas, com cerca de 7.000 produtores praticando algum tipo de agricultura de base ecológica ou em fase de transição, de acordo com a declaração feita ao Censo Agropecuário. A taxa de aquisição desses produtos para a alimentação escolar na rede pública paranaense varia entre 16% e 17%, apontam os dados do governo do Estado.
Em todo o país, entre 2010 e 2018, o Mapa registrou um aumento de 300% no número de unidades de produção orgânica. Mais de 22 mil estão regularizadas e, juntas, somam 1,1 milhão de hectares. O mercado de orgânicos também tem crescido expressivamente no Brasil, em torno de 20% ao ano. Gera renda de R$ 4 bilhões de reais e supre um consumo interno que avança na proporção de 15%.
Redução dos agrotóxicos - Um dos maiores produtores agrícolas do mundo, o Brasil também se destaca no ranking dos grandes consumidores mundiais de agrotóxicos. Em 2017, segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a agricultura brasileira consumiu 540 mil toneladas de ingredientes ativos de agrotóxicos, cerca de 50% a mais que em 2010. O Paraná figura como o terceiro consumidor de agrotóxicos do país. Foram vendidos, em 2017, com quase 93 mil toneladas de ingredientes ativos de agrotóxicos para as lavouras do estado (SIAGRO/2017).
Na esteira desse comércio e aplicação do veneno estão os problemas de saúde, derivados da intoxicação por agrotóxicos. Nesse indicador, o Paraná é líder nacional. A cada 20 horas, o estado registra um caso de intoxicação pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde. Em dez anos, entre 2007 e 2017, foi confirmada a intoxicação de 4.785 paranaenses e a morte de 347 desses. No ano passado, em Espigão Alto do Iguaçu, quase 100 pessoas, a maioria crianças, foram vítimas de intoxicação pelo agrotóxico Paraquate, proibido na Europa desde 2007, que foi lançado sobre uma plantação vizinha da escola rural.
A contaminação das águas é um capítulo à parte nessa situação. Por meio do Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (SISAGUA), o Ministério da Saúde detectou a presença de 27 variedades de pesticidas na água de 326 dos 399 municípios paranaenses. Enquanto o limite máximo de resíduos do glifosato nas plantações de soja no Brasil é 200 vezes superior ao limite estabelecido pela União Europeia, na água potável essa presença é ainda maior: 5 mil vezes mais!
A deputada Luciana é autora, em conjunto com os então deputados Luiz Eduardo Cheida e Elton Welter, do projeto que em 2010 deu origem à lei da alimentação escolar 100% orgânica. Também encampou as iniciativas que defendem: a rotulagem dos transgênico s(2005), a obrigatoriedade da inserção de conteúdos de embasamento teórico e prático sobre agroecologia nas escolas públicas e privadas conveniadas do estado (2009), a proteção das fontes e minas naturais de água (2007 e 2011) e a utilização de madeiras apreendidas pelos organismos estaduais, fruto de extração ilegal, na construção de casas populares (2003), entre outras.
Notícias Relacionadas
Deputada Luciana Rafagnin (PT) cobra Poder Executivo por pagamento retroativo de direitos dos servidores públicos estaduais
Ofício solicita um projeto de lei que autorize o pagamento conforme previsto na Lei Complementar Federal nº 226/2026.
Leia mais
Oposição destaca programa de renegociação de dívida do Governo Federal e aponta impactos no acesso ao crédito
Líder da Oposição na Casa, Arilson Chiorato (PT), afirma que o Desenrola 2.0 pode reduzir inadimplência e estimular a economia.
Leia mais
Deputados apresentam na Assembleia voto de pesar pela morte do agricultor familiar e líder agroecológico Bernardo Vergopolem
Requerimento foi apresentado pela deputada Luciana Rafagnin (PT), líder do Bloco Parlamentar da Agricultura Familiar, e pelo deputado Professor Lemos (PT).
Leia mais
Debate na Assembleia amplia discussão sobre inclusão de meninas e mulheres nas ciências exatas e na pesquisa científica
Iniciativa da deputada Luciana Rafagnin (PT) promoveu o diálogo entre academia e poder público para enfrentar barreiras e ampliar oportunidades para o público feminino.
Leia mais