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Receitas do Estado aumentaram, mas que cenário econômico exige cautela com as contas públicas, diz secretário

Renê Garcia Junior apresentou durante audiência pública os resultados contábeis do Paraná referentes ao 2º quadrimestre de 2021.

O secretário de Estado da Fazenda, Renê Garcia Junior, apresentou durante audiência pública na manhã desta quarta-feira (29), na Assembleia Legislativa do Paraná, os resultados contábeis do Paraná referentes ao 2º quadrimestre de 2021. A apresentação é prevista na Lei Complementar nº 101, de maio de 2000 – a Lei de Responsabilidade Fiscal – que exige a demonstração e avaliação periódica do cumprimento de metas fiscais.

Acompanhado por uma equipe de técnicos do Governo, o secretário detalhou durante o encontro as receitas, despesas e resultados referentes à contabilidade do Estado, e respondeu aos questionamentos dos deputados.

Durante a apresentação, Garcia Junior destacou que houve um aumento nas receitas do Estado em 2021. No entanto, o secretário ressaltou que o momento é incertezas e de cuidados com os recursos públicos. De acordo com as informações da Secretaria de Estado da Fazenda (SEFA), a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2021 estimava que parte das despesas poderiam não ser realizadas, pois o déficit esperado chegava a R$ 4,8 Bi. Ao longo do ano, diz a pasta, o aumento da receita permitirá o Estado cumprir todas suas obrigações.

“A trajetória positiva da receita está fazendo com que o Estado honre seus compromissos. Por outro lado, é preciso cautela com as contas públicas, pois o ambiente econômico ainda é de muita incerteza”, esclareceu o secretário da Fazenda.

De acordo com a apresentação, embora a receita tenha aumentado em relação à previsão inicial, ainda há despesas que não têm dotação orçamentária no total de R$ 459 milhões. “O momento ainda é de muitas incertezas em relação às atividades econômicas. É necessário manter prudência com as despesas. A previsão de receita para 2022 mostra que ela estará aquém do ideal, e os indicadores de confiança dos setores da economia paranaense começaram a apresentar retração, além da expectativa de crise elétrica e elevação dos juros”, explicou Garcia Junior.

Conjuntura econômica - Garcia Junior realizou durante a audiência pública uma avaliação da conjuntura econômica mundial, mostrando que após o pico em função da Covid-19, o Indicador de Incerteza Global (IIG) se mantém próximo da sua média histórica. De acordo com a apresentação, a redução das incertezas e avanço da vacinação contribuem para recuperação econômica, principalmente dos setores mais afetados pela pandemia. A perspectiva é de crescimento global de 6,0% em 2021, segundo os dados apresentados.

Sobre o cenário econômico, os dados apresentados demonstram que a economia brasileira revela sinais de desaceleração. A apresentação mostrou que o desemprego ainda elevado e a corrosão do poder aquisitivo das famílias dificultam recuperação mais robusta dos serviços e do consumo das famílias. Segundo os números apresentados pelo secretário, apesar da queda de 0,6% na taxa de desocupação no segundo trimestre, a recomposição do emprego está se dando com salários mais baixos. “O rendimento médio real dos trabalhadores recuou 3,3% no 2º trimestre frente ao 1º trimestre. Na comparação com o mesmo período de 2020 o recuo foi de 6,6%”, explicou o secretário.

Durante a apresentação, o secretário destacou que a elevação do preço da gasolina não tem relação com o ICMS.  Enquanto alíquota do imposto se manteve fixa, a partir de 2020 câmbio (R$/US$) e preço do petróleo apresentaram crescimento e se mantém em patamar elevado.

Economia regional – Os números apresentados demonstram que após três trimestres consecutivos de altas mais expressivas, atividade econômica da Região Sul reduziu o ritmo de expansão econômica. O indicador de alta frequência divulgado pela pasta mostra que houve um recuo na margem no segundo trimestre de 2021. “O resultado reflete agravamento da estiagem, com efeitos sobre a agricultura, e a permanência de dificuldades na obtenção de insumos em alguns segmentos fabris, que optaram por paralisar temporariamente as atividades”, explicou Garcia Junior.

Receitas - De acordo com os dados apresentados pelo secretário, a receita corrente foi de R$ 31,8 bilhões de janeiro a abril de 2021, contra R$ 27,4 bilhões no mesmo período de 2020. A apresentação também mostrou um aumento na receita nominal de 16%. A apresentação ainda mostrou que a receita de impostos, taxas e contribuições de melhoria teve um aumento nominal de 18% e real de 6%. “O aumento da inflação tem reflexo para o crescimento da base de cálculo do imposto, além da atividade acima do esperado para o ano”, disse Garcia Junior.

Despesas - As despesas correntes de janeiro a agosto deste ano chegaram a R$ 25,6 bilhões. No mesmo período de 2020 o valor foi de R$ 24,9 bilhões. O aumento nominal foi de 3% com uma queda real de -6%. Os gastos com pessoal e encargos sociais somaram R$ 17,428 bilhões, valores semelhantes do ano passado, que foi de R$ 17,477. “A despesa com juros e encargos da dívida aumentou em 2021 porque em 2020 foram suspensos os pagamentos. Além disso, toda a despesa anual estimada neste grupo foi empenhada em janeiro, o que não ocorreu ano passado”, explicou o secretário.

Ainda na apresentação, Garcia Junior afirmou que de janeiro a agosto de 2021 o Governo do Estado investiu 8,7% em Saúde e 27,8% em Educação, números abaixo dos percentuais mínimos estabelecidos por lei para as duas áreas – 12% e 30%, respectivamente. Nas ações de saúde pública já foram executados R$ 2,1 bilhões e na Educação um total de R$ 7 bilhões. A Secretaria de Estado da Fazenda ressaltou na apresentação que o limite deve ser atingido ao final do exercício.

União - As transferências do FUNDEB e do FPE em conjunto cresceram 31% (nominal) em relação a 2020. Esse aumento não foi suficiente para superar as transferências de 2020 devido às receitas da Lei Complementar (LC) 173/2020. O resultado mostrado pela SEFA é que a queda das transferências em 1,1% nos primeiros oito meses.

Precatórios – De acordo com os dados da SEFA, ao longo do ano, o Estado do Paraná reduziu seu estoque de dívida em R$ 844 milhões, resultado do retorno dos pagamentos da dívida com a União, pagamento integral da operação de crédito Rotas Paraná e praticamente da dívida do PASEP da Administração Indireta.  O maior pagamento de dívida em 2021 foi de precatórios (R$ 401 milhões), dando continuidade ao plano de pagamentos.

Gastos de pessoal - O Estado conseguiu baixar o índice de pessoal devido ao aumento extraordinário da receita para 45,3%. Seguindo o disposto na LC 173/2020, a expectativa é que o Poder Executivo do Paraná ultrapasse o limite legal estipulado pela Lei de Responsabilidade Fiscal (49% para o Poder Executivo) com folha de pessoal.

De acordo com a Lei, se a despesa exceder o limite prudencial (47%), ficam vedados aumentos e reajustes de salário e provimentos de cargos públicos, admissão e contratação de pessoal. Caso exceda 49%, diz a SEFA, além das vedações do limite prudencial, o estado também fica vedado de obter garantia da União para empréstimos e de receber transferências voluntárias, como o convênio da Merenda Escolar.

“Sem dúvida o cenário melhorou bastante do ponto de vista fiscal em 2021. O quadro é bem mais confortável. Agora o que se desenha são os riscos fiscais para 2022 na medida em que o comportamento do Governo Federal é perigoso do ponto de vista dos movimentos de câmbio, de taxas de juros e de inflação. Esse cenário pode aumentar o grau de incerteza na economia e prejudicando a atividade econômica no Paraná”, alertou Renê Garcia Junior.

Áudio não disponível no momento.

 

 

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