Assembleia Legislativa comemora a Data Nacional da Consciência Negra
Sessão solene na noite desta segunda-feira (23) destacou as importantes contribuições africanas para a construção da identidade brasileira.
A Data Nacional da Consciência Negra, comemorada em 20 de novembro, e os 320 anos da imortalidade de Zumbi dos Palmares, foram reverenciados na noite desta segunda-feira (23) na Assembleia Legislativa, durante sessão solene que atendeu a uma proposição do deputado Guto Silva (PSC). O evento, que já é uma tradição no Legislativo estadual, chegou à sua 20ª edição, primando pela valorização da cultura e pela afirmação das importantes contribuições africanas para a construção da identidade nacional.
Segundo o proponente do ato comemorativo, a realização de eventos como este representa a oportunidade “para refletirmos se não abrigamos algum sentimento ou resquício racista, se não persiste ainda o viés inconsciente pelo qual mesmo quem não se considera racista acaba caindo na armadilha dos estereótipos”.
Entre as 21 personalidades homenageadas pelos relevantes serviços prestados às comunidades paranaense, afrodescendente, africanas e haitianas estavam o consultor ambiental Antonio José Teixeira; o cantor Berthony Pierre; o sargento Bezalhéu Gonçalves de Oliveira; o coordenador geral do Núcleo de Comunicação e Marketing da FECOMERCIO/SESC/SENAC, Cesar Luiz Gonçalves; o técnico em Informática Harold Dumorné; e a professora Nephtalie Saint Fleur Elmeus. Autoridades e representantes de várias instituições prestigiaram a solenidade, entre elas o cônsul geral honorário da República do Senegal, Ozeil Moura dos Santos; a presidente da Academia Paranaense de Letras, Chloris Justen; o vice-presidente da FECOMERCIO, Paulo Nauiack; e Edicélia dos Santos de Souza, representando o Movimento Negro do Paraná.
História – A escolha do dia 20 de novembro para celebração anual da Consciência Negra remete à data em que Zumbi, o grande líder do Quilombo de Palmares, em Alagoas, foi emboscado e morto, no ano de 1695. Zumbi é reconhecido como um dos grandes líderes de nossa história. Símbolo da resistência e da luta antiescravagista, defendeu a liberdade de culto, de religião e a prática da cultura africana no Brasil Colonial.
No longo período de vigência da escravidão os quilombos funcionavam geralmente em locais estratégicos e de difícil acesso, como comunidades de negros fugidos que de alguma forma conseguiam escapar do controle de seus proprietários. O Quilombo de Palmares foi o mais conhecido dentre todos, e com o passar dos tempos se transformou em uma espécie de confederação que abrigava vários quilombos da chamada Serra da Barriga, na região norte do atual estado de Alagoas. Segundo o historiador Rainer Sousa, seu crescimento ocorreu principalmente entre as décadas de 1630 e 1650, quando a invasão dos holandeses prejudicou o controle sobre a população escrava. E ele acrescenta: “A prosperidade e a capacidade de organização desse imenso quilombo representaram uma séria ameaça para a ordem escravocrata vigente. Não por acaso, vários governos que controlaram a região organizaram expedições que tinham por objetivo estabelecer a destruição definitiva de Palmares. Contudo, os quilombolas resistiram de maneira eficaz e, ao longo de oitenta anos, conseguiram derrotar aproximadamente trinta expedições militares organizadas com este mesmo objetivo”.
*Assista ao vídeo relacionado no Facebook da Alep.
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