Campanha Agosto Azul e as consequências da pandemia para a saúde do homem foram tema de debate
Encontro proposto pela deputada Cantora Mara Limas (PSC) foi realizado de forma on-line nesta terça-feira (18).
“Vivemos tempos únicos. Até certo ponto, é esperado sentir-se mal, ansioso, com raiva, insatisfeito ou triste diante de tantos desafios que aparecem na nossa frente. Aspecto que tira o sono de qualquer um é a perspectiva de uma recessão global. Por mais que muitos digam que o tema é prioridade, poucos fazem algo concreto para evitar os surtos de ansiedade e depressão que se desenrolam a partir das dificuldades financeiras”, iniciou a deputada estadual Cantora Mara Lima (PSC), na Live Agosto Azul “Consequências da Pandemia da Covid-19 no Psicológico do Homem”, realizada na manhã desta terça-feira (18), através do seu canal oficial do Instagram.
A Live foi em razão da Campanha Agosto Azul, implantada em 2012, através da Lei nº 17.099/12, proposta na Assembleia Legislativa do Paraná pela deputada, que tem como objetivo principal conscientizar a população masculina sobre os cuidados com a sua saúde. Ela reflete o reconhecimento de que os avanços obtidos quanto a longevidade e qualidade de vida foram alcançados graças à mudança de hábitos e à prevenção e ao tratamento adequado de doenças.
Para a psicóloga Bianca Bortolini a ansiedade e depressão durante o período de isolamento social “é a incerteza do amanhã. O ideal é conseguir identificar esses sintomas e procurar orientações gerais que ajudem a enfrentar este momento de crise”. Outro fator abordado pela psicóloga foi a relação familiar, “com as escolas fechadas, crianças e adolescentes ficam o tempo todo em casa. A mesma regra se aplica aos adultos, que rebolam entre as demandas do trabalho a distância, os afazeres domésticos e o raro tempo livre para descanso e lazer” e recomendou, “tenha um tempo livre, faça o que gosta, mesmo que seja por um curto tempo”, finalizou.
A médica da equipe de Saúde Mental da Secretaria de Estado da Saúde, Maristela da Costa Souza, falou sobre o impacto da pandemia em pessoas que têm transtornos mentais, incluindo problemas relacionados ao uso de substâncias. De acordo com ela, houve um aumento do consumo de álcool e drogas. “Esse é um modelo bastante antigo, no qual as pessoas buscam nas substâncias uma maneira de enfrentarmos os problemas e também com a nossa resiliência. É a forma como reagimos às situações de estresse, ameaça, ansiedade e desconforto emocional. Algumas pessoas respondem a esses sentimentos negativos através do uso de drogas, e é o que a gente tem percebido nessa pandemia: as pessoas acabam usando drogas mais sedativas e anestésicas e usam menos drogas estimulantes. Então, sim, é uma forma de sedação, de anestesia e de reação a esses sintomas negativos ligados a sofrimento, ansiedade, estresse, imprevisibilidade, pois não sabemos quando vai acabar, não sabemos se vamos nos contaminar ou se as pessoas que gostamos vão pegar o coronavírus também.”
O diretor do Hospital Psiquiátrico Adauto Botelho, o médico Osvaldo Tchaikovsky, abordou sobre os impactos da pandemia na saúde mental do homem. “Uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Psiquiatria mostra que 89,2% dos especialistas destacaram o agravamento de quadros psiquiátricos em seus pacientes em decorrência da pandemia da covid-19, e estão desencadeando casos de suicídio em meio à pandemia e isso nos chama atenção para o cuidado com a nossa mente.”
Dica para manter uma saúde mental - Apesar do cenário ser terrível e exige, mais uma vez, uma reinvenção no jeito como expressamos afeto e solidariedade. “Podemos fazer rituais a distância, por meio de videochamadas, em que todos se reúnem para fazer uma oração, trocar mensagens, cantar, ler uma história, enfim, o que seja significativo para que o sentimento de estar só se afaste”, finalizou Tchaikovsky.
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