Data Nacional da Consciência Negra é destacada em sessão solene da Assembleia Legislativa
O cônsul geral honorário da República do Senegal para o Paraná e Santa Catarina, Ozeil Moura dos Santos, destacou o lançamento, em parceria com o sistema Fecomércio, de folder divulgando o maior portal africano do mundo, construído em Curitiba, e a revitalização da Praça Zumbi dos Palmares entre as principais iniciativas para marcar a data na capital paranaense. Referiu-se também à parceria com o SENAC visando ações nas áreas de educação e cultura voltadas para a inserção da criança e do jovem negro. Pregou ainda a união dos movimentos ligados à defesa dos direitos e à preservação da cultura africana como forma de reforçar suas reivindicações junto ao Governo, em seus vários níveis.
E Stephanes Júnior explicou que a homenagem realizada pelo Legislativo estadual em data tão significativa presta justo reconhecimento “a um povo que ajudou, com seu suor e seu trabalho, a construir a história deste Estado e do País”. Entre os homenageados durante o evento estavam o cantor e compositor Nattinho (Anatólio Novaes da Silva), o gerente executivo do SENAC em Paranaguá, Aparecido Vieira de Lima, a professora Edicélia Maria dos Santos de Souza e o coral da Polícia Civil e da Caixa Econômica do Paraná.
A escolha do dia 20 de novembro para celebração anual da Consciência Negra remete à data em que Zumbi, o líder do Quilombo de Palmares, em Alagoas, foi emboscado e morto, no ano de 1695. Zumbi é reconhecido como um dos grandes líderes de nossa história. Símbolo da resistência e da luta antiescravagista, defendeu a liberdade de culto, de religião e a pratica da cultura africana no Brasil Colonial.
Símbolo de Resistência – Os quilombos, no período em que a escravidão foi vigente, funcionavam geralmente em locais estratégicos e de difícil acesso, como comunidades de negros fugidos que de alguma forma conseguiam escapar do controle de seus proprietários. O Quilombo de Palmares foi o mais conhecido dentre todos, e com o passar dos tempos se transformou em uma espécie de confederação que abrigava vários quilombos da chamada Serra da Barriga, na região norte do atual estado de Alagoas. Segundo o historiador Rainer Sousa, seu crescimento ocorreu principalmente entre as décadas de 1630 e 1650, quando a invasão dos holandeses prejudicou o controle sobre a população escrava. E ele acrescenta: “A prosperidade e a capacidade de organização desse imenso quilombo representaram uma séria ameaça para a ordem escravocrata vigente. Não por acaso, vários governos que controlaram a região organizaram expedições que tinham por objetivo estabelecer a destruição definitiva de Palmares. Contudo, os quilombolas resistiram de maneira eficaz e, ao longo de oitenta anos, conseguiram derrotar aproximadamente trinta expedições militares organizadas com este mesmo objetivo”.
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