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Deputado Péricles de Mello (pt)
11h21
por Assessoria de imprensa: Luis Otávio Dias / 41 3350-4081 40
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PT, 29 anos: uma história, um exemplo, um desafio Péricles de Holleben Mello* O Partido dos Trabalhadores foi fundado em 10 de fevereiro de 1980, num histórico encontro nacional em São Paulo, no Colégio Sion, no qual tive a honra de participar. O PT tem como nascedouro as históricas greves do ABC de 1978 e 1979, nas quais se forjou a liderança de Lula; é também depositário das lutas contra a ditadura militar e pela anistia, do movimento estudantil, da experiência de toda uma geração de militantes de inúmeras correntes políticas. O PT nasceu para combater o regime militar e sob o signo da opção pelos pobres, da justiça social e da liberdade. A própria composição do PT apontava, desde o início, para uma concepção política que rejeitava os modelos rígidos então ainda em vigor em boa parte do mundo. Assim, o socialismo petista, elaborado ao longo dos anos e num processo intenso de debates, tinha a marca da liberdade: da mesma forma que combatíamos a ditadura em nosso país, também não aceitávamos que, em nome do socialismo, os direitos políticos e individuais fossem pisoteados. Estou convencido de que o balanço desses 29 anos de história do PT é francamente positivo. O Partido dos Trabalhadores cresceu em íntima ligação com os movimentos sociais, tendo sido a principal alavanca política para a fundação da Central Única dos Trabalhadores - CUT, em 1983, e de inúmeras outras entidades sindicais, de trabalhadores rurais, de movimentos pela moradia, saúde, educação; à medida em que crescia, o PT via-se diante do desafio de assumir responsabilidades institucionais e de provar sua maturidade nos parlamentos e nas administrações municipais, estaduais e, a partir de 2003, na Presidência da República. Nosso partido teve uma participação destacada em todos os grandes momentos da vida política nacional, como na campanha das Diretas-Já, na luta pelo impeachment de Collor e muitos outros. Esse esforço foi, a meu ver, plenamente exitoso: o PT deixou sua assinatura em tudo o que fez, trazendo transparência à atuação parlamentar, democratizando as administrações, nas quais a participação popular foi uma constante, criando e ampliando os programas sociais, criando novas bases para a educação pública. Em seis anos de governo Lula, o Brasil mudou: a economia cresce sem os sobressaltos habituais de nosso passado recente e remoto; os programas sociais beneficiam dezenas de milhões de brasileiros; a parcela mais pobre da população passa a ter acesso a uma fatia cada vez maior do bolo; o Brasil passou a ser respeitado internacionalmente e a estender suas relações com a África, a China, a Índia e a Rússia. Evidentemente, nem tudo são flores neste percurso. O PT cometeu erros graves, que estiveram no noticiário nos últimos anos, os quais não podem ser ignorados nem deixar de ser debatidos e corrigidos. Entendo que o PT não é uma ilha. O partido está inserido na sociedade, mantém relações com os diversos atores sociais e carrega inevitavelmente, dentro de si, os vícios dos quais esta sociedade ainda não se viu livre. Cabe ao PT e às suas instâncias adotar as providências necessárias para evitar que esses vícios proliferem no interior do partido, da mesma forma que os combatemos no conjunto da sociedade. O PT não poderia ter a arrogância de se imaginar puro e a salvo das contradições sociais, arrogância pela qual fomos criticados por nossos adversários, muitas vezes justamente. Mesmo com todos os percalços enfrentados, o PT continua sendo uma referência para a população brasileira e o partido de maior apoio popular. No entanto, temos um grande desafio, principalmente levando-se em conta que em menos de dois anos Lula já não será o presidente do país. Acredito que o caminho está em nossa própria história: ampliar a democracia interna, repactuar as relações internas, reforçar o entendimento de que os mandatos são coletivos, valorizar o debate, particularmente sobre as crises deflagradas nos últimos anos, e elaborar e propor soluções. Não podemos esquecer que não somos uma ilha, mas também não podemos utilizar isso como desculpa para os nossos erros. Porém, o PT já mostrou ao longo de sua trajetória que tem vitalidade e pode perfeitamente vencer esse enorme desafio. *Péricles de Holleben Mello é deputado estadual, líder da Bancada do PT na Assembleia Legislativa do Paraná
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