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Paraná inicia recuperação de áreas degradas pelo etanol(*) Waldyr Pugliesi O Ministério Público do Paraná, o Instituto Ambiental do Paraná e o Grupo Attala protagonizaram no último dia 31 de março uma cena que até pouco tempo só existia nos sonhos dos defensores do meio ambiente. Os dois órgãos públicos junto com a empresa da iniciativa privada que opera usina de etanol, assinaram um termo de ajustamento de conduta para a recuperação de áreas degradadas pela produção de álcool a partir da cana-de-açúcar. O acordo abrange uma área de aproximadamente 5,7 mil hectares nos municípios de Porecatu, Centenário do Sul, Bela Vista do Paraíso e Jaguapitã. Para se ter uma idéia do alcance e do impacto que o termo dará na região, só em Porecatu são 96 propriedades rurais vinculadas a empresa, revelam dados do Centro de Apoio Operacional das Promotorias do Meio Ambiente do Ministério Público do Paraná. O acordo, firmado ainda pelas Promotorias de Justiça dos quatro municípios do Norte do Paraná, determina que a usina e as fazendas administradas pelo Grupo devem implantar um amplo projeto ambiental para preservar e recuperar a fauna e flora nativas. Este trabalho será feito com suporte técnico da Universidade Estadual de Londrina, a UEL. O termo prevê ações como o isolamento de áreas de preservação permanente, a recuperação florestal de regiões devastadas e a substituição de trechos de floresta que têm eucaliptos por espécies nativas. A expectativa é que a recuperação florestal das áreas degradadas demore até 18 anos, um período que a primeira vista parece longo, mas que no decorrer do tempo vai mostrar que é o caminho certo a seguir. O promotor Robertson Fonseca de Azevedo, do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Proteção ao Meio Ambiente, informou na assinatura do termo que o MP vai manter uma fiscalização rigorosa no cumprimento do acordo. O trabalho todo será acompanhado pelos técnicos do Departamento de Biologia Animal e Vegetal da Universidade Estadual de Londrina, que indicarão as melhores estratégias de manejo. A estimativa de investimento do Grupo Attala, responsável direto pelas conversações que resultaram no termo, é de R$ 25 milhões para colocar em prática o programa. Na assinatura do termo, o responsável pelas ações ambientais da empresa, Antonio Bozicovich, disse que a meta do Grupo é repensar suas prioridades e buscar alternativas para conciliar o lado empresarial, social e ambiental. A iniciativa é louvável e deve ser vista, por todos os setores da sociedade brasileira, como um novo modelo de gestão sócio-ambiental. Vale lembrar que desde que começou a colonização em nosso Estado, no início do século passado, muitos produtores não respeitaram o limite mínimo de derrubada das matas e levaram as plantações até as margens dos rios. Atitudes como estas comprometeram as bacias hidrográficas e a qualidade de vida não só das pessoas, mas de todo o meio ambiente. Quando o governador Roberto Requião assumiu a administração do Paraná, em janeiro de 2003, criou o Programa Mata Ciliar, responsável pela reposição de mais de 85 milhões de mudas de espécies nativas como araçá, jacarandá, aroeira, cerejeira e pitanga, nas margens dos nossos rios e córregos. Esta iniciativa já beneficiou mais de 70 mil pessoas, mas é bom ressaltar que ela só terá o resultado esperado se houver uma colaboração efetiva da sociedade replantando, fiscalizando e denunciando aos órgãos competentes, quando constatar casos de desrespeito ao meio ambiente.(*) Waldyr Pugliesi é deputado estadual, líder do PMDB na Assembléia Legislativa e presidente do Diretório Estadual do PMDB (www.waldyrpygliesi.com.br – e-mail waldyr@waldyrpugliesi.com.br)
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