Lideranças discutem caminhos para fomentar o protagonismo feminino
Produtoras rurais, professoras e representantes de movimentos sociais participaram da audiência que tratou de políticas públicas para as mulheres.
É preciso ampliar as discussões sobre o papel das mulheres na sociedade para combater a violência e fomentar o protagonismo feminino na educação e na agroecologia. Estas foram algumas das conclusões alcançadas pela plenária de debates “Políticas Públicas para as Mulheres”, evento promovido pela Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) na tarde desta segunda-feira, (18) por proposição da deputada Luciana Rafagnin (PT).
“Os dados de violência contra as mulheres nos chocam, todo dia aumenta o número de assassinatos e agressões. Queremos nos aprofundar nesta discussão para estabelecer políticas públicas que garantam a proteção e a segurança das mulheres”, afirmou a parlamentar. Durante o encontro, pautas de reivindicação foram apresentadas por coletivos de mulheres aos representantes do Governo do Estado.
Participaram do encontro professoras, produtoras rurais e representantes do movimento feminista. O deputado Professor Lemos (PT) também compôs a mesa de honra, destacando projetos discutidos na Alep que cobram a participação dos homens nos debates pelo fim da violência contra as mulheres. “O Paraná é o terceiro estado mais violento contra as mulheres no Brasil. É preciso que os homens se mobilizem para frear estes números”, afirmou.
Educação – Ângela Mercer de Mello, chefe do Departamento dos Direitos Humanos e Diversidade da Secretaria da Educação e Esporte, recebeu propostas encaminhadas pela dirigente estadual da APP-Sindicato e professora da rede pública, Walkiria Olegário Mazeto, para quem ainda é preciso que as mulheres trabalhem muito por uma posição que é inerente a elas na educação. “Na rede estadual de ensino, somos mais de 80% do quadro, nas séries iniciais e educação infantil, esse número é de quase 95%”, explica. Segundo ela, ainda existe um estranhamento da sociedade sobre a participação dos homens nos primeiros anos da educação das crianças. “Vem desta construção histórica a ideia de que o homem não faz parte dos ambientes de cuidado e isto precisa ser mudado”, afirma a professora.
Agricultura – De acordo com Cristiane Katzer, diretora da Associação de Estudos, Orientação e Assistência Rural (Assessoar), as mulheres são protagonistas na produção de alimentos da agricultura familiar, porém, sem este reconhecimento. “O que é preciso que se entenda é que a produção de alimentos é importante e geradora de renda”, explicou, destacando a valorização da mulher no campo. As pautas apontadas por ela foram apresentadas a Miriam Fuckner, assistente social da Emater Paraná.
Já Alaerte Leandro Martins, representante da Rede de Mulheres Negras do Paraná, analisou a violência contra as mulheres, estabelecida muitas vezes de forma sutil e institucionalizada. “Muitas mulheres não fazem exames preventivos de câncer ou mamografias porque seus companheiros não permitem, e isto acaba sendo aceito como algo normal”, explicou. “É preciso que o Poder Público incentive e faça a propaganda deste debate”, afirmou.
Participaram da mesa de discussão também Marlei Fernandes, vice-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (Cnte); Jéssica Brum Barancelli, advogada do Núcleo Maria da penha de Francisco Beltrão (Numap); e Sonia Schlinkmam, do Coletivo Regional de Mulheres do Sudoeste do Paraná.
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