"Novo salário mínimo afunda mais poço de desigualdade no Brasil", afirma Romanelli
O deputado Luiz Claudio Romanelli (PSB), primeiro secretário da Assembleia Legislativa do Paraná, disse nesta sexta-feira (09) que a proposta do novo salário mínimo - de R$ 1.040,00 a partir de 2020 - mostra as contradições da equipe econômica do ministro Paulo Guedes (Economia) e a falta de um plano nacional que valorize a relação entre o capital e o trabalho. "A reforma da previdência não seria a salvação da lavoura e significaria a retomada do crescimento? No entanto, o governo propõe um novo mínimo sem qualquer ganho real. Isso só afunda mais o poço de desigualdade no País", disse Romanelli sobre a proposta que será votada no Congresso Nacional nos próximos dias.
Romanelli afirma que fica cada vez mais difícil vencer o desalento vivido pelo país sem horizonte claro para enfrentar a crise econômica e retomar a criação de empregos – hoje são mais de 13,4 milhões de brasileiros desempregados. "É uma política míope. Veja só um exemplo, o novo salário mínimo nacional será ainda 20,1% e 31% menor do que o piso regional paranaense, em vigor desde fevereiro, e que varia entre R$ 1.306,80 e R$ 1.509,20".
Se comparar ainda, segundo o deputado, com salário mínimo ideal apontado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), de R$ 4.143,55 em julho de 2019, o piso nacional será R$ 3.103,55 menor. "O piso indicado pelo Dieese leva em consideração o valor necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas. Falta ao governo federal, uma política de apoio ao trabalhador".
Valorização - O Paraná mantém a política de valorização do salário mínimo, diz ainda Romanelli, e o piso regional já completa 13 anos. "Hoje, o salário mínimo regional atende de forma direta e indireta mais de 1,5 milhão de trabalhadores e, além disso, movimenta o comércio, serviços e outros segmentos importantes da economia".
O deputado disse ainda que após a criação do piso regional, o Paraná registrou, ao longo de 13 anos, melhora contínua nos índices de geração de empregos e de trabalhadores com carteira assinada, inclusive com a queda na desigualdade social. "No projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias, o valor do mínimo vai apenas repor as perdas inflacionárias e não mais considerar o crescimento da economia do país, como vinha acontecendo desde 2011".
"É preciso ficar atentos com essa ‘nova política’ do salário mínimo nacional para evitar que as conquistas alcançadas nos últimos anos, de forma racional e pactuada, não sejam precarizadas na lógica torta dos tecnocratas de plantão. E vale sempre lembrar que o aumento real do salário mínimo nos últimos anos é apontado por especialistas como um dos responsáveis pela queda da pobreza no país", completa Romanelli.
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