Servidora do Ministério da Infraestrutura que defendeu pedágio na Assembleia pede demissão para atuar ao lado das concessionárias
Natália Marcassa deixou o cargo do Governo para montar a própria associação que reúne as principais pedageiras do país.
“Natália, aqui você não está falando para empresários, mas para o povo e os deputados paranaenses”. Com essa frase, em fevereiro de 2021, o deputado Requião Filho (PT) iniciou sua fala criticando o modelo de pedágio apresentado em audiência pública, por representantes do Ministério da Infraestrutura, no plenário da Assembleia Legislativa do Paraná.
O vídeo desse discurso na época viralizou nas redes sociais e, em poucas semanas, foi compartilhado milhares de vezes por diversas pessoas em todo país. No entanto, a suspeita que o parlamentar levantava na ocasião, hoje se comprova que sim, tinha fundamento.
A servidora em questão, designada para defender o modelo de pedágio proposto pelo Governo Federal, era Natália Marcassa, que deixou o cargo recentemente e, em menos de três meses, fundou a MoveInfra que, segundo reportagem do Jornal O Globo, reúne entidades gigantes do segmento, como CCR, Ecorodovias, Rumo, Santos Brasil e Ultracargo, todas operadoras de contratos públicos.
A especialista em Regulação de Serviços de Transportes Terrestres da ANTT, preside a nova associação desde novembro, segundo seu próprio perfil no LinkedIn. “Tempo curto demais, para quem até então vinha defendendo o interesse público e querendo convencer o povo do Paraná que o projeto deles seria o melhor para desenvolver nas rodovias do Estado”, avalia o deputado Requião Filho. “Era um projeto caro, oneroso para o Estado e para os usuários. A gente fez esse debate de forma ampla na Assembleia Legislativa, mas muitos deputados aqui sequer deram ouvidos. E a gente estava certo! Ela estava mesmo agindo em favor das pedageiras e não em benefício da população. A quem mais interessaria 30 anos de um pedágio sem qualquer garantia de obras e com altas tarifas?”, questionou Requião Filho.
Na tribuna, o deputado ainda questionou o acordo homologado na semana passada, em que o Paraná abre mão de mais de R$ 5 bilhões da dívida da Rodonorte com usuários do pedágio.
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