{"id":775,"slug":"celebracao-aos-30-anos-do-movimento-negro-unificado-mnu","titulo":"Celebra\u00e7\u00e3o aos 30 anos do Movimento Negro Unificado (MNU)","resumo":"Esta audi\u00eancia p\u00fablica, realizada a 13 de maio de 2026 na Assembleia Legislativa do Paran\u00e1, celebrou os 30 anos de funda\u00e7\u00e3o do Movimento Negro Unificado (MNU) no Paran\u00e1. Aqui est\u00e3o os pontos principais abordados na sess\u00e3o: Significado do 13 de Maio A data foi ressignificada pelo movimento negro como o Dia Nacional de Den\u00fancia contra o Racismo, em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 ideia de uma aboli\u00e7\u00e3o completa, que \u00e9 descrita como uma \"armadilha\" ou \"falsa aboli\u00e7\u00e3o\" por n\u00e3o ter garantido direitos b\u00e1sicos como terra, educa\u00e7\u00e3o ou repara\u00e7\u00e3o. Hist\u00f3ria e Funda\u00e7\u00e3o do MNU MNU Nacional: Fundado em 1978, em S\u00e3o Paulo, motivado pelo assassinato de jovens negros e pela discrimina\u00e7\u00e3o racial em espa\u00e7os p\u00fablicos. MNU Paran\u00e1: Fundado oficialmente em 13 de maio de 1996. A cria\u00e7\u00e3o do n\u00facleo paranaense foi impulsionada pelo assassinato de Carlos Adilson de Siqueira, um jovem trabalhador negro morto por grupos skinheads no Largo da Ordem, em Curitiba. Desafios e Lutas Atuais Racismo Institucional: Foram citadas as constantes tentativas de silenciamento e cassa\u00e7\u00e3o de parlamentares negros, como as enfrentadas pelo Deputado Renato Freitas. Desigualdade Social: A popula\u00e7\u00e3o negra ainda apresenta os piores \u00edndices em educa\u00e7\u00e3o, moradia e rendimento salarial. Direito \u00e0 Terra: Destacou-se a morosidade na titula\u00e7\u00e3o de comunidades quilombolas no Paran\u00e1 (apenas uma titulada para mais de 80 existentes). Racismo Religioso: Lideran\u00e7as denunciaram a persegui\u00e7\u00e3o a terreiros e religi\u00f5es de matriz africana, manifestada atrav\u00e9s do inc\u00f4modo seletivo com o som dos tambores e at\u00e9 ataques f\u00edsicos aos locais de culto. Conquistas e Representatividade O evento ressaltou a import\u00e2ncia da ocupa\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os de decis\u00e3o por pessoas negras, exemplificada pela presen\u00e7a de parlamentares como a Deputada Federal Carol D'Artora, o Deputado Estadual Renato Freitas e os vereadores Georgia Prats e Anderson Prego. O MNU teve papel fundamental na criminaliza\u00e7\u00e3o do racismo na Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 e na implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de cotas e da Lei 10.639 (ensino da hist\u00f3ria e cultura afro-brasileira).","proposicao":null,"data_evento":"13\/05\/2026","hora_evento":"18:30","data_evento_full":"13 de maio de 2026","local":"Audit\u00f3rio Legislativo","status":"realizada","comissoes":[],"requerentes":[{"tipo":"deputado","label":"Renato Freitas"}],"tags":[],"transmissao":false,"link_transmissao":"https:\/\/legisvideos.assembleia.pr.leg.br\/video\/2292","youtube_id":null,"video_tipo":"legisvideos","video_src":"https:\/\/api-legisvideos.assembleia.pr.leg.br\/video\/show\/c8bc7980fe51ea18304e945f38a5d7f7.mp4","transcricao_pdf_url":"https:\/\/api-legisvideos.assembleia.pr.leg.br\/video\/transcricao\/c8bc7980fe51ea18304e945f38a5d7f7","transcricao":"<p>de voc\u00eas para que ent\u00e3o coloquem os seus celulares no modo silencioso, por gentileza. \u00c9 claro que n\u00e3o precisa desligar para que os senhores possam ent\u00e3o compartilhar esse momento especial, perfeito? Ent\u00e3o a partir de agora, senhores, a partir desse momento, n\u00f3s daremos in\u00edcio ent\u00e3o \u00e0 nossa audi\u00eancia. Informamos que a partir de agora a audi\u00eancia p\u00fablica est\u00e1 sendo ent\u00e3o transmitida ao vivo pelas redes sociais da casa. Queremos ent\u00e3o, queremos agradecer a voc\u00ea que est\u00e1 conosco, os nossos grandes amigos e amigas, os nossos grandes internautas que est\u00e3o conosco, o nosso carinho a cada um de voc\u00eas. Bem, hoje, 13 de maio, Dia Nacional de Den\u00fancia contra o Racismo, a Comiss\u00e3o de Igualdade Racial promove uma audi\u00eancia p\u00fablica em comemora\u00e7\u00e3o aos 30 anos de funda\u00e7\u00e3o do MMU, que \u00e9 o Movimento Negro Unificado do Paran\u00e1. Participam, ent\u00e3o, do evento Lideran\u00e7as do Movimento Social do Estado, Juntamente com representantes dos \u00f3rg\u00e3os institucionais convidados Assim como tamb\u00e9m parlamentares municipais, tamb\u00e9m estadual e federal Senhores, a abertura teremos da seguinte forma A abertura ser\u00e1 realizada com a sauda\u00e7\u00e3o dos parlamentares Na sequ\u00eancia, as lideran\u00e7as comunit\u00e1rias ser\u00e3o convidadas Assim ent\u00e3o, a expor suas conviv\u00eancias em seus cotidianos Diante das viol\u00eancias a que s\u00e3o expostas individualmente e tamb\u00e9m coletivamente em suas comunidades, locais de trabalho e nos mais diferentes espa\u00e7os da sociedade. E a seguir, os representantes das institui\u00e7\u00f5es far\u00e3o ent\u00e3o uso da palavra, assumindo assim aquele compromisso especial, que \u00e9 o compromisso de combate ao racismo institucional e a todas as formas de viol\u00eancia na perspectiva de um mundo na qual a vida com dignidade seja sempre, sempre respeitada. Por fim, n\u00f3s vamos ent\u00e3o abrir as perguntas para os senhores participarem conosco no final da nossa audi\u00eancia E j\u00e1 vamos come\u00e7ar os trabalhos, pe\u00e7o a voc\u00eas todo o nosso carinho para ent\u00e3o receber as nossas autoridades Come\u00e7ando com todo carinho, as palmas, vamos receber o nosso anfitri\u00e3o Ele que \u00e9 proponente dessa audi\u00eancia p\u00fablica, vamos receber o excelent\u00edssimo Deputado Renato Freitas Para lhe acompanhar, para acompanhar o Deputado Renato Freitas, tamb\u00e9m alegria de receber essa noite Representando o movimento negro unificado MNU Vamos receber com todo carinho as mesmas palmas A senhora Almira Maria Maciel Seja bem vinda E o nosso carinho tamb\u00e9m as palmas Ela que \u00e9 lideran\u00e7a religiosa A senhora Yagunan Dalzira Aparecida Seja bem vinda, onde est\u00e1 ela? Vem para c\u00e1 por favor tamb\u00e9m E agora tamb\u00e9m todo o nosso carinho Para estar na nossa mesa de trabalho Ela que vem l\u00e1 de Bras\u00edlia recebe tamb\u00e9m a nossa alegria a Deputada federal Carol D&#039;Artora seja bem vinda est\u00e1 vindo ali Deputado Carlos \u00e9 uma alegria t\u00ea-la conosco muito obrigado pela presen\u00e7a e tamb\u00e9m est\u00e1 conosco, j\u00e1 convido ela que faz um bel\u00edssimo trabalho na nossa linda cidade, vereadora de Curitiba Georgia Prates, vem para c\u00e1 tamb\u00e9m por favor, onde est\u00e1 ela e com as mesmas palmas n\u00f3s vamos receber tamb\u00e9m, ele vem l\u00e1 de Colombo vereador de Colombo, Anderson Prego, vem para c\u00e1 chegando ali vereador Anderson Prego, obrigado pela presen\u00e7a para n\u00f3s \u00e9 uma alegria tamb\u00e9m t\u00ea-lo conosco nesta noite, tamb\u00e9m a alegria de receber as mesmas palmas ao receber tamb\u00e9m os nossos outros convidados convidamos para estar juntinho aqui fundadora da associa\u00e7\u00e3o Usina de Ideias do Parolin, tamb\u00e9m ela \u00e9 lideran\u00e7a religiosa, a senhora Andr\u00e9a de Lima Andr\u00e9a, para n\u00f3s tamb\u00e9m \u00e9 uma alegria receb\u00ea-la obrigado pela presen\u00e7a, tamb\u00e9m convido para vir \u00e0 mesa agente cultural e fundadora da Sambadeira de Bimba filha de Biloca tamb\u00e9m lideran\u00e7a religiosa, vamos receber a senhora Fernanda Machado obrigado tamb\u00e9m pelo carinho e agora eu convido para estar conosco a senhora Joelma da Costa Lara ela que \u00e9 m\u00e3e de combate a letalidade policial tamb\u00e9m, lideran\u00e7a religiosa eu pe\u00e7o a Joelma tamb\u00e9m o nosso carinho as palmas a Joelma convidamos tamb\u00e9m Quilombo Invernada Paiol de Telha a nossa alegria tamb\u00e9m de receber o senhor Cont\u00e1 Leonardo de Cruz. Onde est\u00e1 ele? Vem para c\u00e1. Obrigado pelo carinho tamb\u00e9m. E j\u00e1 para acompanhar tamb\u00e9m o Leonardo, eu quero convidar tamb\u00e9m \u00e0 frente, Presidente do bloco Afro-Pretensidade. \u00c9 isso? Pretinocidade. Isso, agora sim. Diolay Santos. Olha l\u00e1, vem para c\u00e1. Obrigado, Presidente. Alegria tamb\u00e9m em t\u00ea-lo conosco. Vou convidar tamb\u00e9m para ver \u00e0 frente do N\u00facleo de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade Federal do Paran\u00e1. Por favor, eu convido a doutora L\u00facia Mar Dias. Onde est\u00e1 ela? Vem para c\u00e1. Perfeito. N\u00f3s teremos aqui tamb\u00e9m mais duas pessoas. Ao chegar aqui, n\u00f3s, ent\u00e3o, chamamos para a mesa. Perfeito? E quero convidar tamb\u00e9m, n\u00f3s teremos uma cadeira rotativa. Hoje eu vou pedir para vir \u00e0 frente tamb\u00e9m. Eu j\u00e1 pe\u00e7o todo o carinho a ele, o doutor David Alexandre de Santana Bezerra, Defensor P\u00fablico do N\u00facleo de Promo\u00e7\u00e3o da Igualdade \u00c9tnica-Racial da Defensoria P\u00fablica do Estado do Paran\u00e1, no PIER Dr. David, onde est\u00e1? Vem para c\u00e1, por favor, tamb\u00e9m Ele estar\u00e1 participando conosco, ent\u00e3o, da nossa cadeira rotativa Seja bem-vindo, obrigado E aquele carinho especial tamb\u00e9m, ela sempre est\u00e1 conosco, n\u00e9, Deputado? Muito especial Eles v\u00e3o estar conosco depois, isso? Ent\u00e3o, perfeito Est\u00e1 conosco Mantenha na mesa, ent\u00e3o, por gentileza, Dr. Davi A senhora Clemilda vai ficar na plateia e depois n\u00f3s vamos convidar para vir \u00e0 mesa, ok? Ent\u00e3o, eu j\u00e1 pe\u00e7o tamb\u00e9m agradecer a Clemilda Santiago, assessora t\u00e9cnica nesse ato, representando a Secretaria de Estado da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa, a senhora Mariana de Souza, senhora Clemilda Santiago, onde est\u00e1, por gentileza? Obrigado pelo carinho. Depois eu vou convid\u00e1-la para vir \u00e0 mesa, perfeito? Perfeito? Eu quero convidar tamb\u00e9m, convidar n\u00e3o, vai vir depois da mesa tamb\u00e9m, participar da nossa cadeira rotativa, estar\u00e1 na nossa mesa aqui de honra. Tamb\u00e9m eu quero agradecer aqui, representando a sociedade civil, junto ao Conselho pela Uni\u00e3o da Comunidade dos Estudantes e Profissionais Haitianos, nesse ato, ent\u00e3o, representando o Conselho Estadual de Promo\u00e7\u00e3o da Igualdade Racial, a CONCEPIR, o senhor Vilzorte Senatos, onde estava, gente, beleza? Obrigado tamb\u00e9m pelo carinho, obrigado pela presen\u00e7a. Deputado, est\u00e1 conosco tamb\u00e9m, est\u00e1 conosco na plateia, quero agradecer aqui a doutora Const\u00e2ncia Moreira Modesto, ela que \u00e9 do Conselho Estadual da UB Paran\u00e1 e tamb\u00e9m \u00e9 diretora da Comiss\u00e3o de Igualdade Racial, doutora Const\u00e2ncia, onde est\u00e1 hoje em Pureza, obrigado pela presen\u00e7a. E agradecer, Deputado, a todos ent\u00e3o que est\u00e3o conosco, o nosso carinho, e novamente agradecer a voc\u00ea que est\u00e1 a\u00ed conosco na internet, a todos os nossos amigos e amigas que est\u00e3o nos acompanhando. E vamos come\u00e7ar ent\u00e3o os trabalhos para a abertura oficial desta audi\u00eancia p\u00fablica com a palavra o ex-senatista Deputado Renato Freitas. Eu fico muito feliz de ter a oportunidade de ser Presidente da primeira comiss\u00e3o de igualdade racial da hist\u00f3ria da Assembleia Legislativa do Paran\u00e1 e promover, junto a todas as lideran\u00e7as aqui presentes, esse encontro, no dia 13 de maio, que, para n\u00f3s, remete ao direito \u00e0 mem\u00f3ria, \u00e0 verdade, \u00e0 justi\u00e7a e \u00e0 repara\u00e7\u00e3o. Porque a falsa aboli\u00e7\u00e3o que se deu nesse pa\u00eds foi uma arapuca, uma armadilha em que tivemos que nos esquivar dos diversos riscos e processos de criminaliza\u00e7\u00e3o que nos foram impostos. N\u00e3o tivemos terra, n\u00e3o tivemos casa, n\u00e3o tivemos indeniza\u00e7\u00e3o pelo tempo trabalhado, nos foi negado o direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e, por isso, n\u00e3o tivemos a oportunidade de exercer a nossa cidadania. E hoje, depois de tanto tempo, ainda lutamos para que nessa cidadania da democracia brasileira tenhamos espa\u00e7os de decis\u00e3o para que a gente n\u00e3o seja mero espectador, para que a gente n\u00e3o seja cen\u00e1rio para a a\u00e7\u00e3o das pessoas brancas que controlam o Estado paranaense e tamb\u00e9m o Estado brasileiro. E esse encontro \u00e9 um feliz exemplo de que esse poder est\u00e1 chegando com muita luta, os nossos passos, como diz o ditado, vieram de muito longe, e os frutos s\u00e3o ineg\u00e1veis. Est\u00e3o aqui a Deputada Carol D&#039;Artora, Deputada federal do Estado, representando o Estado do Paran\u00e1, que \u00e9 fruto de uma longa caminhada, dos pais dela, dos av\u00f3s dela, mas de toda uma comunidade. Est\u00e1 ali o Anderson Prego, representante pol\u00edtico da cidade de Colombo, na regi\u00e3o metropolitana de Curitiba, lugares em que n\u00f3s estamos acostumados a figurar nas estat\u00edsticas, nas piores estat\u00edsticas, mas que l\u00e1 temos tamb\u00e9m a sua voz. A vereadora Georgia Prats, a \u00fanica vereadora negra da C\u00e2mara dos Vereadores nesse momento, que nos representa naquele espa\u00e7o, diante de tantos obst\u00e1culos e diante de uma branquitude que reivindica a todo instante o seu pertencimento racial europeu. Ent\u00e3o, para n\u00f3s, hoje, \u00e9 um momento muito feliz, porque aqui n\u00f3s estamos, al\u00e9m de debatendo, discutindo, exaltando as nossas lideran\u00e7as e a nossa hist\u00f3ria, estamos tamb\u00e9m decidindo. E \u00e9 aqui que as pessoas negras t\u00eam que estar cada vez mais, nos espa\u00e7os de decis\u00e3o. Ent\u00e3o, declaro aberta essa audi\u00eancia p\u00fablica de 30 anos do movimento negro unificado, lembrando a mem\u00f3ria de Carlos Adilson de Siqueira, que foi assassinado por curitibanos, descendentes de europeus, que se organizam politicamente em grupos skinheads e que assassinaram fria e covardemente o Carlos ali no Largo da Ordem, mostrando a liga\u00e7\u00e3o triste entre o passado da cidade de Curitiba, passado escravocrata e genocida, e o presente, porque ainda os estados do sul e as capitais do sul, notadamente a capital de Curitiba, \u00e9 um antro de organiza\u00e7\u00f5es que pregam a hegemonia branca a partir da viol\u00eancia, como \u00e9 o caso dos skinheads. Ent\u00e3o, em mem\u00f3ria dele, eu declaro aberta essa sess\u00e3o. Deputado Renato Freitas, n\u00f3s temos na plateia tamb\u00e9m, j\u00e1 chegou agora, eu vou pedir tamb\u00e9m, n\u00f3s temos dois lugares, ent\u00e3o o nosso tribunal j\u00e1 vai orientar onde sentar a cadeira especial. Eu vou convidar, por favor, a senhora Celina Silva, ela \u00e9 do Sultorial de Combate ao Racismo da APP Sindicato. Celina, por favor, seja bem-vinda. Celina, o nosso carinho, obrigado pela presen\u00e7a. Deputada, e a partir desse momento, ent\u00e3o, n\u00f3s vamos come\u00e7ar a ouvir as nossas autoridades. Eu vou come\u00e7ar j\u00e1, eu pe\u00e7o com todo carinho, ela que vem l\u00e1 de Bras\u00edlia, n\u00f3s queremos ent\u00e3o ouvir, j\u00e1 para iniciar os nossos trabalhos, com a palavra a Deputada federal Carol D&#039;Artora. Muito obrigada, boa noite a todas e todos. Quero come\u00e7ar dizendo que esse \u00e9 um momento muito especial, especialmente por causa da data hoje, dia 13 de maio, dia da aboli\u00e7\u00e3o, e esse dia que \u00e9 t\u00e3o simb\u00f3lico para n\u00f3s, t\u00e3o marcante, porque fala diretamente da nossa hist\u00f3ria como povo preto, n\u00f3s pessoas negras, essa data fala diretamente dos enfrentamentos que a gente tem ainda nessa sociedade, ent\u00e3o primeiro come\u00e7ar parabenizando o Deputado Renato Freitas pela proposi\u00e7\u00e3o dessa audi\u00eancia para celebrar os 30 anos do movimento negro unificado aqui no Paran\u00e1, o que tamb\u00e9m \u00e9 muito simb\u00f3lico, porque estamos nesse estado que, historicamente, se colocou como um estado branco e que buscou, a partir de um movimento hist\u00f3rico mesmo, apagar o fato de que aqui teve escravid\u00e3o, que aqui houveram pessoas escravizadas. Ent\u00e3o, estar aqui nesse momento, nessa data, numa audi\u00eancia p\u00fablica chamada por um Deputado negro, Deputado que traz essa pauta aqui para dentro da Assembleia Legislativa do Paran\u00e1, com lideran\u00e7as hist\u00f3ricas aqui do Movimento Negro Unificado do Paran\u00e1, Almira, Dauzira, e tamb\u00e9m todas as outras lideran\u00e7as que a gente tem aqui, que t\u00eam feito a luta antirracista nesse Estado, tamb\u00e9m parlamentares, negras e negros. Ent\u00e3o, a gente tem aqui vereadora Georgia, vereador Anderson Prego, que s\u00e3o guerreiros no \u00e2mbito dos seus munic\u00edpios, denunciando o que o movimento negro denuncia desde que a gente teve essa aboli\u00e7\u00e3o inacabada, que \u00e9 o fato de que a popula\u00e7\u00e3o negra n\u00e3o foi inclu\u00edda nessa sociedade. Ent\u00e3o, celebrar esses 30 anos do movimento negro unificado tamb\u00e9m \u00e9 celebrar essa presen\u00e7a, a presen\u00e7a, a hist\u00f3ria, a resist\u00eancia, a mem\u00f3ria do povo negro no Brasil e do povo negro aqui nesse Estado. Ter o MNU aqui nesse Estado significa isso. Esse movimento que \u00e9 um dos movimentos mais importantes no Brasil na luta antirracista, com figuras important\u00edssimas, Abdias do Nascimento, L\u00e9lia Gonzalez, Beatriz Nascimento, foram pessoas que compuseram esse movimento. Eu tenho a honra tamb\u00e9m de ser e compor o Movimento Negro Unificado. E esse movimento tem esse papel tamb\u00e9m que a gente tem que celebrar, que foi de trazer essa luta t\u00e3o dif\u00edcil para o \u00e2mbito legislativo mesmo. Ent\u00e3o, o papel do Movimento Negro na Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 para criminalizar o racismo, o papel do movimento negro unificado em dizer e desconstruir, dizer que o Brasil \u00e9 um pa\u00eds racista e desconstruir o mito da democracia racial, o papel do movimento negro unificado em trazer com relev\u00e2ncia a luta quilombola, a luta pelo direito \u00e0 terra das pessoas negras, essa luta que at\u00e9 hoje, at\u00e9 hoje, pensar que a gente est\u00e1 fazendo 30 anos, celebrando aqui hoje, 30 anos do movimento negro unificado no estado do Paran\u00e1, mas temos apenas uma comunidade quilombola titulada nesse estado, que tem mais de 80 comunidades quilombolas. Ent\u00e3o, \u00e9 emocionante, \u00e9 muito significativo essa presen\u00e7a aqui institucional. \u00c9 tamb\u00e9m muito relevante, porque fala das conquistas que tivemos ao longo da hist\u00f3ria, conquistas como cotas, e que esse movimento tamb\u00e9m \u00e9 diretamente ligado a essa luta. Ent\u00e3o, a gente tem essa celebra\u00e7\u00e3o, mas a gente tamb\u00e9m n\u00e3o pode esquecer do nosso futuro. Infelizmente, essa aboli\u00e7\u00e3o inacabada faz com que o racismo continue se reproduzindo e permane\u00e7a se atualizando. O racismo encontra formas institucionais de nos dificultar, de criar barreiras para a nossa atua\u00e7\u00e3o, haja visto as constantes tentativas de cassa\u00e7\u00e3o aqui nessa casa, como a que o Deputado estadual Renato Freitas est\u00e1 enfrentando nesse momento. Ent\u00e3o, o racismo se atualiza, ele continua se reproduzindo, ao passo que, por mais que a gente tenha enormes conquistas, a gente n\u00e3o pode esquecer que a gente ainda encabe\u00e7a os piores \u00edndices sociais. Quando a gente olha para a educa\u00e7\u00e3o, moradia, renda, trabalho, homens negros ainda recebem menores sal\u00e1rios do que mulheres brancas, mulheres negras recebem menos da metade do sal\u00e1rio de um homem branco. Quando a gente pensa em moradia, pessoas negras ainda t\u00eam mais dificuldade de ter um teto e mulheres negras mais dificuldade ainda. Dificilmente se v\u00ea mulheres negras nessa sociedade que t\u00eam sua pr\u00f3pria casa, que moram sozinhas. Ent\u00e3o, ainda s\u00e3o aquelas que s\u00e3o, em maioria, respons\u00e1veis pelo cuidado nos piores \u00edndices, nas piores condi\u00e7\u00f5es de vida. Ent\u00e3o, isso fala tamb\u00e9m que a nossa luta precisa ser cada vez mais estrat\u00e9gica, cada vez mais articulada, porque vencer o peso do racismo no Brasil n\u00e3o \u00e9 simples e, como disse, esse racismo se atualiza todos os dias, ele encontra novas formas e isso tamb\u00e9m exige de n\u00f3s um letramento constante, um letramento institucional constante para vencer barreiras como essas. tentativas de cassa\u00e7\u00e3o, tentativas de silenciamento, apagamento, invisibilidade do nosso trabalho e da relev\u00e2ncia do que fazemos. Ent\u00e3o, fico muito feliz de ter sido convidada para esse momento por organizar e compor essa audi\u00eancia p\u00fablica aqui hoje. Fico muito feliz como mulher preta tamb\u00e9m, e muito mais pela data simb\u00f3lica, que \u00e9 esse dia 3 de maio, Dia da Aboli\u00e7\u00e3o Inacabada. Muito obrigada e boa noite. E que depois a gente possa celebrar de fato, em uma festinha mais legal. Boa noite. Agradecemos a participa\u00e7\u00e3o muito especial da Deputada federal Carol D&#039;Artora. Chegou at\u00e9 n\u00f3s que a senhora tem uma agenda bem especial daqui a pouquinho. \u00c9 isso ou n\u00e3o? Ent\u00e3o, queremos que a senhora sinta-se \u00e0 vontade. Perfeito? Caso precisar sair, por favor, fique \u00e0 vontade. Obrigada. Vou pedir licen\u00e7a, que eu tenho mais uma mesa daqui a pouquinho, Mas desejo uma excelente audi\u00eancia Muito obrigada Senhores, agora eu vou pedir N\u00f3s temos ent\u00e3o agora tr\u00eas cadeiras aqui E eu vou pedir o carinho especial agora para a Clemilda Tamb\u00e9m vem \u00e0 frente Clemilda, vem para c\u00e1 por gentileza Vou pedir a ela novamente o carinho As nossas palmas Tamb\u00e9m vou pedir ao doutor David Que por gentileza tamb\u00e9m venha compor a nossa mesa Doutor David, onde est\u00e1 ali? Por favor, por gentileza Tamb\u00e9m o convidar Tem um local especial tamb\u00e9m ali Por gentileza Para o Will Zort Tem uma cadeira tamb\u00e9m para ele Por gentileza Enquanto eles j\u00e1 se ajeitam ali, se posicionam Eu j\u00e1 vou indo nesse momento aqui E agora n\u00f3s queremos ouvi-la Muito obrigado pelo carinho de estar conosco Ent\u00e3o nesse momento com a palavra A nossa vereadora de Curitiba, Georgia Prats Obrigada Boa noite a todas, todos e todos Muito ax\u00e9, licen\u00e7a para chegar Eu quero iniciar cumprimentando aqui o Renato Freitas. Essa semana, Renato, Deputado Renato Freitas, eu senti algo que h\u00e1 muito tempo eu n\u00e3o sentia, mesmo estando naquela Casa de Leis, que a gente sabe que voc\u00ea mesmo sabe que o pessoal vem aqui fazer um inferninho e sabe quanto os canalhas n\u00e3o dormem. E essa semana eu senti muito fortemente a necessidade desse momento aqui, dessa uni\u00e3o, dessa conversa, desse di\u00e1logo, desse olho no olho que a gente precisa fazer mais vezes. Ent\u00e3o, quero dizer que estou muito feliz estar aqui agora, porque n\u00f3s n\u00e3o vamos sobreviver se n\u00e3o for coletivamente, como sempre foi. E a hist\u00f3ria est\u00e1 a\u00ed, ela j\u00e1 sempre ensinou a gente sobre isso. Ent\u00e3o, \u00e9 um momento muito s\u00e9rio para a gente olhar para essa hist\u00f3ria pol\u00edtica que eles est\u00e3o querendo nos dar e a gente entender que a gente precisa caminhar de m\u00e3os dadas. Ent\u00e3o, aqui eu quero tamb\u00e9m cumprimentar a Almira, a Dauzira e a Gunan, dizer que toda essa caminhada que n\u00f3s temos, e aqui cito bem a Deputada Carol D&#039;Artora, sobre a import\u00e2ncia dos que vieram antes de n\u00f3s. Toda essa luta que n\u00f3s podemos fazer agora, estarmos nesse momento aqui, esse enfrentamento que a gente faz por esses espa\u00e7os, veio antes, muito antes de n\u00f3s, tiveram passos que foram muito bem dados aqui, 30 anos do MNO, que tamb\u00e9m nos ensina muita coisa sobre como fazer a luta, como fazer a uni\u00e3o, como fazer esse debate ser importante e da necessidade mesmo de a gente n\u00e3o desistir. sermos em resist\u00eancia sempre. Ent\u00e3o, obviamente, n\u00f3s estamos muito felizes por esse momento aqui agora, 30 anos, \u00e9 uma longa hist\u00f3ria, uma longa hist\u00f3ria de enfrentamentos, de diversas reuni\u00f5es e conversas e di\u00e1logos olho no olho, o que \u00e9 muito importante, e dizer que a gente sabe que a gente n\u00e3o vai para frente se n\u00e3o for dessa forma. Eu quero tamb\u00e9m dizer que, por mais que a gente tenha toda essa resist\u00eancia, Renato, e toda essa luta sendo feita, em todos os nossos espa\u00e7os, n\u00f3s estamos fazendo muita diferen\u00e7a. A professora L\u00facia Mar, na Universidade Federal do Paran\u00e1, tem uma caminhada important\u00edssima, que eu respeito muito e sempre quero poder ajudar, porque a gente sabe que, atrav\u00e9s dela, muitas pessoas negras tamb\u00e9m est\u00e3o se formando, est\u00e3o conseguindo atingir espa\u00e7os que antes, para a gente, eram inimagin\u00e1veis. E eu acompanhei muito da luta da professora L\u00facia Mar dentro da universidade e sei o quanto de diferen\u00e7a a gente vai fazendo nesses espa\u00e7os. Ent\u00e3o, cada um de n\u00f3s, cada um de n\u00f3s. temos aqui a Fernanda tamb\u00e9m que por muito tempo atuou no fotojornalismo trazendo realidades, mostrando os quilombos, mostrando a vida real das pessoas l\u00e1 fora e \u00e9 importante dizer, a gente vai abrindo portas e as pancadas na frente elas s\u00e3o sempre maiores ent\u00e3o a de voc\u00eas foram in\u00fameras imensas, do Deputado tamb\u00e9m agora est\u00e1 sendo e n\u00f3s n\u00e3o vamos tamb\u00e9m nos calar e nos silenciar diante do que est\u00e1 acontecendo e Carol D&#039;Artora que por muito tempo ficou tamb\u00e9m na C\u00e2mara de Vereadores uma C\u00e2mara extremamente reacion\u00e1ria e branca para n\u00e3o dizer outra coisa porque aqui a gente tem que cuidar das palavras nesse lugar que a gente est\u00e1, a gente tem que cuidar muito das palavras que \u00e0s vezes, n\u00e9 Prego cansa um pouco a mente da gente porque a gente tamb\u00e9m quer dizer as verdades que a gente tem para dizer e agora eu aprendi a dizer apenas a frase os can\u00e1rios n\u00e3o dormem, mas a gente tamb\u00e9m n\u00e3o dorme e a gente sabe que vamos aumentando cada vez mais temos aqui tamb\u00e9m a Andr\u00e9a de Lima que logo, e Oxal\u00e1 Queira j\u00e1 estar\u00e1 tamb\u00e9m como vereadora dessa cidade e a gente vai, obviamente, aumentando nossos espa\u00e7os e tamb\u00e9m conseguindo chegar mais e mais e mais e formando a nossa rede. Porque hoje temos um federal, um estadual e um municipal. \u00c9 pouco. Ent\u00e3o a gente tem que muito mais colocar nossas pessoas l\u00e1 dentro para que a gente cada vez mais ou\u00e7a e deixe que menos coisas como essas que est\u00e3o acontecendo, por exemplo, com os terreiros, aconte\u00e7am. N\u00f3s temos muita luta para fazer. Muita luta tamb\u00e9m para a gente trilhar, mas ainda bem que a gente tem exemplos como o MNU, que nos ensinaram a fazer isso. Ent\u00e3o, o que eu posso desejar para a gente, gente, \u00e9 muito ax\u00e9 que a gente jamais desista de olhar uns para os olhos dos outros e segurar nossa m\u00e3o de verdade, porque eles n\u00e3o far\u00e3o isso. Muito ax\u00e9. Vereadora Jorge Apratis, obrigado pelo carinho, seja sempre muito bem-vinda. E agora n\u00f3s queremos saber, Colombo, aquela cidade linda, n\u00e9? Vamos ouvir agora, por gentileza, agora com a palavra o vereador de Colombo, Anderson Prego. Por favor, a palavra \u00e9 sua. Boa noite a todas, boa noite a todos, pe\u00e7o licen\u00e7a tamb\u00e9m para falar quero parabenizar aqui o proponente dessa bonita celebra\u00e7\u00e3o aqui, o Renato Freitas nosso Deputado a\u00ed alguma da usira, tamb\u00e9m a Almira que s\u00e3o proponentes desse momento aqui t\u00e3o celebrativo e t\u00e3o significativo para a gente. Iniciar dizendo Renato, que eles podem at\u00e9 tentar, mas voc\u00ea vai continuar firme e forte porque voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 sozinho. N\u00f3s estamos com voc\u00ea e vamos fazer essa luta. N\u00f3s sabemos o porqu\u00ea que est\u00e3o nessa persegui\u00e7\u00e3o com voc\u00ea. Porque voc\u00ea \u00e9 honesto, porque voc\u00ea tem lado e porque voc\u00ea constr\u00f3i a luta daqueles e daquelas que nunca tiveram voz nessa Assembleia Legislativa. E, com certeza, n\u00f3s vamos construir muito mais lutas e muito mais direitos para a nossa popula\u00e7\u00e3o. Para benizar aqui os 30 anos do Movimento Negro Unificado no Paran\u00e1, a gente sabe dessa luta no Brasil como um todo, e no Paran\u00e1 aqui, a gente celebrar esses 30 anos \u00e9 dizer que teve muita luta, e que teve muita gente que foi assassinada tamb\u00e9m, e a gente precisa evidenciar a mem\u00f3ria dessas pessoas que n\u00e3o est\u00e3o conosco aqui, e que, por elas, n\u00f3s estamos fazendo essa luta. E o movimento negro unificado, j\u00e1 de in\u00edcio, d\u00e1 in\u00edcio no Paran\u00e1 por causa de um assassinato de um trabalhador. E a gente n\u00e3o pode deixar isso silenciado. E \u00e9 por isso que, onde a gente estiver, a gente vai ser perseguido. E a gente sabe o porqu\u00ea que a gente vai ser perseguido. Mas, se n\u00e3o for dessa forma, alguma coisa est\u00e1 errada, Renato. Se come\u00e7arem a concordar com o nosso jeito, com a nossa forma, n\u00f3s estamos fazendo parte desse grupo que sempre oprimiu o nosso povo. Ent\u00e3o, fazer mem\u00f3ria \u00e9 dizer da resist\u00eancia que n\u00f3s sabemos que foi constru\u00edda por homens e mulheres, de muita luta, que hoje est\u00e1 no nosso momento de construir tamb\u00e9m a hist\u00f3ria para que as pessoas que v\u00eam depois tenham um Paran\u00e1 melhor, um Paran\u00e1 menos racista e que n\u00f3s possamos aqui fazer den\u00fancias cada vez mais significativas, como \u00e9 o caso do racismo religioso. Eu n\u00e3o acredito em intoler\u00e2ncia religiosa. A gente tem que dar o nome de racismo religioso porque \u00e9 um crime que fazem todos os dias com as religi\u00f5es de matriz africana. E n\u00f3s juntos vamos conseguir superar muito, construir muito e, sobretudo, incomodar muito essas pessoas que est\u00e3o no poder hoje no Paran\u00e1. Ent\u00e3o, parab\u00e9ns pela promo\u00e7\u00e3o dessa celebra\u00e7\u00e3o aqui e parab\u00e9ns pela luta que voc\u00ea faz todo dia, parab\u00e9ns, Almira, pela luta e pela resist\u00eancia e por permanecer e por, muitas vezes, chamar a gente, a aten\u00e7\u00e3o da gente, para que a gente volte para o caminho certo. Muito obrigado. Vereador Anderson Fraga, obrigado pelo carinho. A vereadora j\u00e1 comentou que tem uma agenda daqui a pouquinho, \u00e9 isso? N\u00f3s queremos deix\u00e1-la, ent\u00e3o, \u00e0 vontade, caso precise se ausentar, e tamb\u00e9m o vereador, caso precisar, devido a sua agenda, fique \u00e0 vontade. Perfeito? Senhores, a partir de agora, n\u00f3s vamos, ent\u00e3o, estipular um momento da fala dos senhores, ok? Conforme foi combinado com o gabinete do Deputado, perfeito? Ent\u00e3o, se precisar, intento romper a nossa, sempre aqui de cerimonial, a Gabriela vai orientar a quest\u00e3o do tempo. N\u00f3s vamos come\u00e7ar aqui e j\u00e1 passo a palavra no seu momento, Deputado, representando o Movimento Negro Unificado, agora com a palavra, Almira Maria Maciel. Boa noite. Obrigada. Boa noite. Eu quero saudar aqui a todas as pessoas e pedir licen\u00e7a \u00e0s minhas mais velhas, aos meus mais velhos, aos mais jovens, \u00e0s mais jovens e tamb\u00e9m \u00e0 licen\u00e7a dos nossos ancestrais, das nossas ancestrais, sem as quais n\u00f3s n\u00e3o estar\u00edamos aqui hoje, pois gra\u00e7as \u00e0 sua coragem, \u00e0 sua luta, a sua vontade de romper com esse processo racista, discriminat\u00f3rio, excludente, como se a vida pertencesse a determinados grupos. Nesta noite, quando n\u00f3s trazemos um pouco da hist\u00f3ria da funda\u00e7\u00e3o do MNU no Paran\u00e1, Nesses 30 anos, j\u00e1 aqui mencionado, um dos motivos, n\u00f3s tamb\u00e9m queremos relembrar, porque toda luta, toda resist\u00eancia, ela \u00e9 feita a partir de mem\u00f3rias. Mem\u00f3rias, registro da nossa mem\u00f3ria social. N\u00e3o \u00e9 mesmo? E, nesta mem\u00f3ria, lembramos ent\u00e3o que, em 1978, o MNU Nacional \u00e9 fundado em S\u00e3o Paulo. De imediato, alguns motivos, se \u00e9 que podemos dizer assim, deram origem ao seu surgimento. O assassinato de jovens, de presidi\u00e1rios negros, e proibi\u00e7\u00e3o de torcedores de entrarem em um clube para assistir a uma partida de um jogo. Tudo isso levou o movimento negro, j\u00e1 organizado em S\u00e3o Paulo, v\u00e1rias entidades, a refletir o significado de todo aquele processo que permanecia, dado que, em 1978, plena ditadura militar, esta luta e essa resist\u00eancia se faziam desde os tempos imemoriais. Ent\u00e3o, no dia 7 de julho de 1978, ap\u00f3s uma reuni\u00e3o e uma assembleia de toda a milit\u00e2ncia do movimento negro de S\u00e3o Paulo, eles decidem fundar o Movimento Negro Unificado. De imediato, ele tinha outro nome, no in\u00edcio tinha outro nome, que se transforma depois, no seu primeiro congresso, em Movimento Negro Unificado. Exatamente porque, na solidariedade e na luta pelo combate ao racismo, Muitas entidades passaram a compor essa mesma organiza\u00e7\u00e3o Entre seus fundadores, n\u00f3s citamos Milton Barbosa Um dos fundadores do MNU Temos outros nomes, temos outros participantes Mas Milton Barbosa \u00e9 emblem\u00e1tico \u00e9 um \u00edcone da luta de combate ao racismo em S\u00e3o Paulo e no Brasil. O MNU, em Curitiba, no Paran\u00e1, surge no dia 13 de maio, oficialmente, no dia 13 de maio de 1996. H\u00e1 30 anos atr\u00e1s, se toma decis\u00e3o, grupos do movimento negro, organizados, est\u00e3o \u00e0 decis\u00e3o de fundar o MNU, Movimento Negro Unificado, no Paran\u00e1. J\u00e1 foi mencionado aqui a raz\u00e3o que levou a essa tomada de decis\u00e3o, que n\u00e3o \u00e9 uma s\u00f3, mas que \u00e9 simb\u00f3lica, no sentido de dizer que o racismo seja, em qualquer lugar, n\u00e3o s\u00f3 do Brasil, pelo mundo afora. Por\u00e9m, aqui no Brasil, o mesmo fato ocorrido de assassinato de jovens negros nos levou a fundar o MNU no Paran\u00e1. O Carlos Adilson de Siqueira, um trabalhador negro, jovem, negro, arrimo de fam\u00edlia, iluminador, encerra os seus trabalhos no Largo da Ordem, ap\u00f3s o evento, e ao se dirigir para casa, \u00e9 atingido, se transforma num alvo de disparo letal e pelas costas. Al\u00e9m de tudo, covarde e trai\u00e7oeiro. Caracter\u00edsticas espec\u00edficas da discrimina\u00e7\u00e3o racial. Faleceu ali no local, houve grande mobiliza\u00e7\u00e3o, grande movimenta\u00e7\u00e3o, indigna\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais, grupos de movimento negro, inclusive de fora do Estado. Na \u00e9poca, nesse momento, n\u00f3s t\u00ednhamos aqui em Curitiba um militante filiado ao MNU de Santa Catarina, o Juan Pinedo. Ele est\u00e1 na foto, aquele de camisa vermelha ali, \u00e9 Juan Pinedo. hoje falecido, faleceu em um acidente automobil\u00edstico durante uma campanha eleitoral, que a nossa vida de milit\u00e2ncia \u00e9 isso, em parte. E Juan Pinedo estava em uma organiza\u00e7\u00e3o, apoio, incentivo aos meninos e meninas do hip-hop. Junto com isso, ele tamb\u00e9m trazia a import\u00e2ncia e o quanto o MNU era significativo na luta e no combate ao racismo. Com este fato ocorrido, que n\u00e3o foi \u00fanico, naquele momento, v\u00e1rios outros aconteceram, inclusive, tanto antes quanto depois. A gente chama os meninos, mas a juventude em especial tinha verdadeiro pavor, eles tinham medo de andar nas ruas, perseguidos, amea\u00e7ados, assassinados pelos ski-heads. E os movimentos sociais, ent\u00e3o, o movimento punk, participou conosco nessa luta e nessa busca por constituir o MNU no Paran\u00e1, que \u00e9, ent\u00e3o, denominado N\u00facleo Carlos Adilson de Siqueira. A sess\u00e3o do Paran\u00e1 \u00e9 a sess\u00e3o Carlos Adilson de Siqueira em homenagem, p\u00f3stuma, n\u00e3o \u00e9, ao nosso jovem assassinado trai\u00e7oeiramente pelo racismo, pelo sistema. Bom, com isso, ent\u00e3o, n\u00f3s temos toda uma rememora\u00e7\u00e3o. Ah, mas ent\u00e3o por que a gente celebra no 13 de maio? N\u00e3o \u00e9 que a gente celebra porque \u00e9 s\u00f3 uma festa. Tamb\u00e9m \u00e9. Por que n\u00f3s celebramos? Porque \u00e9 uma conquista. O MNU, em 1979, no seu, se n\u00e3o me engano, primeiro congresso, quando ele debate a import\u00e2ncia do 20 de novembro e da lideran\u00e7a de Zumbi dos Palmares no Brasil, tamb\u00e9m assassinado pelo sistema imperialista, faz, ent\u00e3o, estabelece a rela\u00e7\u00e3o do 13 de maio com o 20 de novembro. E, de fato, para n\u00f3s, o que \u00e9 que tem significado? O que \u00e9 que faz sentido? Foi desta forma que surge o 13 de maio ressignificado. Ao inv\u00e9s de dia de liberta\u00e7\u00e3o dos escravos, passamos a denominar, e isso \u00e9 institucionalizado, inclusive, a Dia Nacional de Den\u00fancia do Racismo. Ent\u00e3o, o 13 de maio \u00e9 Dia Nacional de Den\u00fancia do Racismo. Foi, sim, iniciativa, busca, reflex\u00e3o, constru\u00e7\u00e3o do MNU, em 1979. Por isso, n\u00f3s temos tamb\u00e9m o que celebrar, o que comemorar. que \u00e9 a nossa resist\u00eancia, que \u00e9 a nossa luta por vida digna, que \u00e9 a nossa busca constante para romper com essa l\u00f3gica da exclus\u00e3o, uma l\u00f3gica que nos expropria e se apropria de todo o nosso processo sociocultural hist\u00f3rico, dos nossos marcos civilizat\u00f3rios e identit\u00e1rios. \u00c9 isso que o racismo faz. Por isso, ressignificar o 13 de maio, pensar a partir dos nossos momentos de mem\u00f3ria, de lembran\u00e7as, de viv\u00eancias, nos fez propor. E tivemos aqui um apoio ao qual agradecemos aos nossos parlamentares, aos nossos parlamentares, que de imediato, de pronto, nos apoiaram e nos trouxeram a este momento espec\u00edfico, este momento importante, este momento que, mais uma vez, integrar\u00e1 a nossa hist\u00f3ria. Uma hist\u00f3ria que \u00e9 contada sim, porque a tradi\u00e7\u00e3o oral para n\u00f3s \u00e9 fundamental. Ela pode tamb\u00e9m ficar registrada como institucionalmente se estabelece, por\u00e9m, nas nossas lembran\u00e7as, quem exerce a fun\u00e7\u00e3o talvez de doc\u00eancias, nos nossos espa\u00e7os e locais de trabalho, n\u00f3s teremos essa hist\u00f3ria para contar. Por que isso \u00e9 importante? \u00c9 importante na medida que o MNU se prop\u00f5e a combater o racismo de todas as formas como ele se apresenta. O MNU vem nessa luta h\u00e1, no nacional, 78, 48 anos, e n\u00f3s aqui no Paran\u00e1 h\u00e1 30 anos. Ouv\u00edamos, isso era hist\u00f3ria, era relato, era justificativa. N\u00e3o, aqui no Paran\u00e1 n\u00e3o precisa, porque aqui n\u00e3o tem negros. Como se combater o racismo fosse para n\u00f3s? quando \u00e9 exatamente o contr\u00e1rio. N\u00f3s combatemos o que n\u00f3s n\u00e3o produzimos. Porque, neste Brasil, das capitanias heredit\u00e1rias que s\u00f3 mudaram de nome com o golpe da Rep\u00fablica, nos institucionalizou como n\u00e3o pertencentes aos grupos sociais superiores. Se a gente for pensar, voc\u00ea vai para a escola, faz o primeiro grau, o segundo grau, depois voc\u00ea vai para o ensino superior. Por que superior? O que \u00e9 superior? O que \u00e9 inferior? E a n\u00f3s tudo isso foi proibido. N\u00f3s rompemos esses espa\u00e7os e ocupamos com maestria os espa\u00e7os de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento. que n\u00f3s tamb\u00e9m produzimos. Ali\u00e1s, a produ\u00e7\u00e3o de conhecimento no interior das na\u00e7\u00f5es africanas, pr\u00e9-coloniza\u00e7\u00e3o, ainda est\u00e1 por ser anunciada. Passa, muitas vezes, por desconhecido e at\u00e9 por desprezado. S\u00f3 tenho um minuto para concluir. Ent\u00e3o, teria muitas coisas a dizer. Mas, de imediato, ent\u00e3o, eu diria que \u00e9 por isso que n\u00f3s fundamos o MNU no Paran\u00e1. O MNU no Paran\u00e1 tem uma trajet\u00f3ria de participa\u00e7\u00e3o em todos os espa\u00e7os, no apoio \u00e0 luta quilombola, no combate \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o e ao assassinato dos nossos espa\u00e7os sagrados, os nossos IAS, os nossos UABAS assassinados. a demoniza\u00e7\u00e3o das nossas matrizes de espiritualidade e religiosidade. N\u00f3s participamos da educa\u00e7\u00e3o com a implementa\u00e7\u00e3o da Lei de 10.639, a luta pela sa\u00fade, em espec\u00edfico a quest\u00e3o das mulheres negras. Enfim, toda essa luta que o Em\u00edlio vem trazendo, aqui n\u00e3o posso esquecer, n\u00e3o quero esquecer, n\u00e3o devo esquecer tamb\u00e9m, de trabalhar, de trazer, enquanto informa\u00e7\u00e3o, que fomos os idealizadores do encontro de educadoras e educadores negros e negros do Paran\u00e1, depois do debate sobre a\u00e7\u00f5es afirmativas e repara\u00e7\u00f5es. E tamb\u00e9m, outra coisa bastante importante, foi a nossa participa\u00e7\u00e3o no grupo de trabalho Cl\u00f3vis Moura. que foi o primeiro momento onde, de fato, aconteceu o mapeamento dos territ\u00f3rios quilombolas no estado do Paran\u00e1. Hoje, n\u00f3s temos aqui a inten\u00e7\u00e3o de nos fazer ouvir. Por isso as lideran\u00e7as comunit\u00e1rias est\u00e3o aqui. Porque, em uma audi\u00eancia, n\u00f3s vamos ouvir as autoridades e, eventualmente, podemos nos comunicar ou dizer exatamente o que gostaria de dizer. Por\u00e9m, n\u00f3s invertemos a l\u00f3gica. A comunidade vai falar a sua viv\u00eancia, a sua experi\u00eancia, o seu cotidiano no enfrentamento ao racismo. E a\u00ed as autoridades institucionais trar\u00e3o para n\u00f3s o compromisso na sua a\u00e7\u00e3o de efetivamente, concretamente, com transpar\u00eancia, combater esse processo excludente e discriminat\u00f3rio criminoso. Racismo \u00e9 crime, institu\u00eddo na Constitui\u00e7\u00e3o Federal. E vemos ele acontecer a cada segundo, a cada momento, sem que se tome nenhuma provid\u00eancia, como foi o caso do Carlos Adilson. At\u00e9 hoje, n\u00e3o temos nenhuma resposta de como se deu todo aquele processo. Enfim, o MNU Paran\u00e1 traz a sua hist\u00f3ria, traz a sua forma de se organizar e convida a todas e todos a virem nos conhecer. Teremos imenso prazer, agradecemos aqui a possibilidade e a solidariedade que sempre encontramos junto ao Deputado Adjuto, ao vereador e \u00e0 vereadora aqui presentes, sempre solid\u00e1rios \u00e0 luta, sempre tamb\u00e9m dispostos a nos apoiar nas nossas iniciativas. Muito obrigada, boa noite a todos e vamos \u00e0 luta. Vida longa ao MNU Ent\u00e3o agradecemos a participa\u00e7\u00e3o especial Da Almira Marcial Muito obrigado pelo carinho Bem, para quem est\u00e1 chegando agora Acabou de falar a ela Que est\u00e1 nesse momento representando o movimento negro unificado E agora com todo carinho N\u00f3s vamos ent\u00e3o ouvir Ela grande lideran\u00e7a religiosa Est\u00e1 aqui do meu ladinho Pois de direito nesse momento est\u00e3o com a palavra Iagon\u00e3 da Alzira Aparecida Boa noite a todos pedir desculpa porque estou af\u00f4nica com essa friagem aqui a idade tamb\u00e9m j\u00e1 pesa \u00e9 um combo ent\u00e3o, mas agradecer o convite para estar aqui e cumprimentar a mesa \u00e9 um momento importante, acho que \u00e9 um momento que a gente tem que fortalecer estar nessa casa, agradecer ao Renato pela luta, Renato a gente est\u00e1 te seguindo te cuidando, rezando a gente n\u00e3o se fala, reza por todos para que n\u00f3s vivemos dias melhores e para que n\u00e3o temos sabores da nossa luta pelos nossos representantes eu encontro l\u00edder n\u00e3o sei se sou l\u00edder, mas eu sou religiosa eu gostaria de dizer da luta, do empenho que a gente tem para estar mantendo de p\u00e9 uma religi\u00e3o que \u00e9 antiga, \u00e9 milenar Mas que \u00e9 antiga, que \u00e9 milenar E que a gente tem que estar pedindo licen\u00e7a at\u00e9 hoje Para manifestar nosso credo Manifestar nossa forma de cultuar os nossos orix\u00e1s Vivemos numa cidade que n\u00e3o \u00e9 silenciosa Que nem deve ser tamb\u00e9m mas que o barulho que mais incomoda essa cidade ou as outras cidades tamb\u00e9m \u00e9 o barulho dos tambores os tambores s\u00e3o universais ele n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 no terreiro de candombl\u00e9 nas outras culturas a gente n\u00e3o v\u00ea essa proibi\u00e7\u00e3o esse inc\u00f4modo pelo barulho dos tambores e o que acontece? os terreiros tem que estar migrando o meu n\u00e3o migrou ainda meu n\u00e3o, do meu pai, Diogo n\u00e3o migrou ainda Mas eu tenho, \u00e0s vezes, muita vontade de que ele migre para mais longe, para o sossego S\u00f3 que n\u00e3o somos n\u00f3s que vamos vizinhar aos terreiros A civiliza\u00e7\u00e3o, a urbaniza\u00e7\u00e3o, acaba que as pessoas acabam morando ao lado dos terreiros Eu vim para Curitiba em 50, em 70 E o terreiro j\u00e1 est\u00e1 com quase 42 anos E ainda o inc\u00f4modo \u00e9 sempre o mesmo Hor\u00e1rio de tocar Por que a religi\u00e3o \u00e9 cultuada \u00e0 noite? Poderia ser de manh\u00e3, como uma missa na catedral Mas por conta do racismo, por conta da segrega\u00e7\u00e3o Por conta da coloniza\u00e7\u00e3o O hor\u00e1rio de tocar, da gente tocar os nossos cultos Ficou sendo estipulado \u00e0 noite, porque temos que trabalhar Todo mundo trabalha, mas realmente os nossos hor\u00e1rios s\u00e3o de ida e vinda o dia todo, praticamente E acaba que no momento que a gente vai cultuar Ent\u00e3o tem muitos cultos, muitos credos que fazem barulho como a gente faz Eu acho que at\u00e9 mais um pouco, mas que n\u00e3o s\u00e3o inc\u00f4modos para ningu\u00e9m Ent\u00e3o, a gente procura tocar a final de semana, procura tocar mais cedo, terminar o culto mais cedo, mas sempre tem um inc\u00f4modo. No terreiro onde eu sou zeladora, j\u00e1 teve um momento de jogar em pedra, no telhado, incomodar na hora o nosso sagrado. Ent\u00e3o, \u00e9 um sagrado cultuado com medo. Eu acho que esse medo n\u00e3o deveria existir, deveria existir uma felicidade, uma harmonia, como em todos os outros credos, existe. E a gente tem que estar pedindo licen\u00e7a para tudo, pedindo favor para tudo. Ent\u00e3o, isso que eu gostaria que o movimento negro organizado, eu tamb\u00e9m sou, mas fizesse essa ponte com a gente, quando a gente sofresse ataque, tivesse aposto tamb\u00e9m \u00e0s nossas lutas, como n\u00f3s estamos apostos a todas as lutas. E esse racismo, que \u00e9 o racismo estrutural e estruturante, como diz o Nilma Lino Gomes, ele nos faz sofrer muito, porque ele muda o perfil, ele muda de estrat\u00e9gia, ele muda de lugar, em todos os momentos. Ent\u00e3o, quando a gente faz uma luta, organiza uma luta para combater essa forma de racismo, ele modifica o seu jeito e nos surpreende de novo. Mas, hoje, estamos fazendo 138 anos da falsa aboli\u00e7\u00e3o, que \u00e9 uma aboli\u00e7\u00e3o que s\u00f3 se livrou da m\u00e3o de obra preta, S\u00f3 se livrou do compromisso N\u00e3o se preocupou com mais nada Com a sa\u00fade Com o bem viver E que a gente est\u00e1 at\u00e9 hoje Apesar de ter uma constitui\u00e7\u00e3o De 1988 Que nos garante Por constitui\u00e7\u00e3o Que a gente tem o direito de culto Direito de express\u00e3o Todos os direitos Mas a gente na pr\u00e1tica n\u00e3o temos Ent\u00e3o alguma coisa est\u00e1 errada H\u00e1 muitas leis Falta a efic\u00e1cia dessas leis Porque a lei que beneficia um N\u00e3o beneficia o outro N\u00e3o \u00e9 nem beneficiar \u00c9 dar o direito de a gente n\u00e3o ter medo De cultuar o nosso sagrado Ter liberdade de culto Esse racismo religioso Ele tem que ser combatido N\u00e3o s\u00f3 por n\u00f3s de dentro do culto mas pela sociedade em geral. E a sociedade tamb\u00e9m tem que compreender e conhecer o culto. O que me fez conhecer o culto dos cultos africanos foi uma cl\u00e1usula que tinha no nosso estatuto, que dizia que \u00e9 importante que a gente conhe\u00e7a o culto dos nossos antepassados e que respeite. Na \u00e9poca eu era cat\u00f3lica, apost\u00f3lica, romana eu n\u00e3o digo, mas cat\u00f3lica apost\u00f3lica sempre foi romano acho que tem bem poucos e que fez com que eu refletisse um padre que foi fazer uma fala para o padre Fran\u00e7ois que disse a \u00fanica liberdade o povo negro s\u00f3 vai encontrar sua identidade dentro dos terreiros de candombl\u00e9, eu fiquei um pouco incomodada enquanto crist\u00e3 mas procurei fazer daquela fala uma bandeira de procurar de ir atr\u00e1s de conhecer, ent\u00e3o eu gostaria que a sociedade conhecesse, n\u00e3o estou chamando para o terreiro, mas tem muitas coisas escritas, tem muitas coisas boas informa\u00e7\u00f5es que realmente faz com que a gente aprenda, tem muitas coisas ruins tamb\u00e9m, a internet nos d\u00e1 esse poder de beneficiar dela muitas pessoas beneficiam tamb\u00e9m de uma forma err\u00f4nica que atrapalha nosso processo tamb\u00e9m dentro, estou falando fora, dentro de dentro para fora em todas eu acredito que tem a Yata a\u00ed para nos ajudar, mas ela tamb\u00e9m, se n\u00e3o souber usar a gente vai ter um retrocesso com ela e agora a gente v\u00ea que esse retrocesso a gente tem que cuidar muito, n\u00f3s temos agora um poder na m\u00e3o, todos n\u00f3s de religi\u00e3o, de matriz africana de qualquer outra religi\u00e3o mas especificamente n\u00f3s do movimento negro \u00e9 o nosso voto. N\u00e3o estou fazendo campanha, porque eu nem sou candidata, mas o nosso poder maior, a nossa prote\u00e7\u00e3o, nos proteger, \u00e9 atrav\u00e9s do nosso voto. Ent\u00e3o, saber como a gente vota, por que a gente vota, a gente que nem sabe por qu\u00ea. Vai l\u00e1, coloca o voto l\u00e1, porque acha que \u00e9 importante, acha que \u00e9 obrigat\u00f3rio, mas n\u00e3o sabe o seu direito, a for\u00e7a que n\u00f3s temos, de cidadania, de estar exercendo para que a gente tenha realmente efic\u00e1cia no nosso culto, efic\u00e1cia na nossa religi\u00e3o. Eu falo da nossa porque eu estou dentro dessa e eu vejo que o racismo impera muito forte na religi\u00e3o de matriz africana. Dentro da Umbanda, dentro do Candombl\u00e9, dentro dos cultos religiosos, dentro atrav\u00e9s dos tambores, atrav\u00e9s da nossa fala, nosso jeito de ser, nosso jeito de vestir, nosso jeito de se postar na sociedade. Tem uma amiga que fala que tem uma dificuldade. Quando eu chego no meu trabalho, eles n\u00e3o olham para o meu rosto, eles olham para o meu cabelo. Porque o cabelo, a gente assumiu que o cabelo meu j\u00e1 tem quatro fios, j\u00e1 cubro mesmo, mas quem tem bastante cabelo \u00e9 uma coroa. A coroa \u00e9 a travessa que nos fortalece tamb\u00e9m Encontre identidade negra. Essa quest\u00e3o da identidade \u00e9 outra coisa muito importante tamb\u00e9m. Assumir a identidade, n\u00e3o ter vergonha de quem somos, n\u00e3o ter vergonha de tudo que eles jogam para cima da gente, que a gente se encolhe, levantar a cabe\u00e7a e ir para frente. Desde 1979, que eu comecei a milit\u00e2ncia dentro do Grupo de Uni\u00e3o e Consci\u00eancia Negra, o povo fala que n\u00e3o existe, mas eu estou aqui. Como eu, tem muita gente, reuniu esses tempos, tem muita gente do grupo de Uni\u00e3o e Consci\u00eancia Negra mas \u00e9 ter esse conhecimento esse olhar tamb\u00e9m em torno da gente eu acompanhei por um bom tempo mesmo n\u00e3o sendo mas o MNU conheci honrosamente L\u00e9lia Gonzalez n\u00e3o tive nem coragem de chegar na mulher para pedir uma foto para falar com ela qual era o poder de fala dessa mulher e mais tarde pesquisar e escrever sobre o que ela disse at\u00e9 do nosso preto gays foi muito importante ela deixou uma heran\u00e7a, um legado isso que \u00e9 importante n\u00e3o apagar o nosso legado n\u00e3o apagar a nossa fala, n\u00e3o apagar a nossa forma de ser, N\u00e9lia falou por uns 30 minutos no solar do bar\u00e3o todo mundo silencioso e ela me ensinou muita coisa, ela me ensinou a levantar a cabe\u00e7a que na \u00e9poca dos anos 80 a gente ainda tinha muito medo, n\u00e3o medo um do outro, mas medo de um guarda-chuva muito maior que tinha sobre a gente, que era a ditadura ent\u00e3o, para quem n\u00e3o vivenciou essa ditadura, eu digo que aqui dentro do estado do Paran\u00e1, o meu irm\u00e3o desapareceu, e est\u00e1 desaparecido h\u00e1 30 e poucos anos, desapareceu Em 1986 85 E nunca mais tivemos not\u00edcia dele Ent\u00e3o s\u00e3o coisas assim Que marca para sempre Uma coisa \u00e9 voc\u00ea enterrar o seu ente querido Fazer as honras que tem que ser Sofre, chora Mas sabe que ali findou-se Uma mat\u00e9ria E a gente n\u00e3o saber se ele est\u00e1 vivo Ele deve estar com os seus Deve estar n\u00e3o se estiver vivo est\u00e1 com 89 anos acho meio dif\u00edcil porque no momento sem um motivo, sem uma causa s\u00f3 porque foi o fato que ele chama da rebeldia de responder uma autoridade porque a autoridade chamou de negro sujo e ele n\u00e3o baixou a cabe\u00e7a E custou o desaparecimento dele at\u00e9 os dias atuais. Fui atr\u00e1s, pesquisamos, fomos em busca, mas \u00e9 uma morte inacabada. A gente n\u00e3o sabe ao certo quem \u00e9 ele. Ent\u00e3o, dentro da religi\u00e3o, a gente aprende tamb\u00e9m a n\u00e3o tolerar essas coisas, mas viver de uma outra forma ancestral que nos fortalece, que nos faz... erguer a cabe\u00e7a todos os dias e pedir por ele e por n\u00f3s, que a gente n\u00e3o sabe tamb\u00e9m, e fortalecer cada dia mais, ter f\u00e9 nos nossos deuses, ter f\u00e9 na nossa religi\u00e3o, ter f\u00e9 na nossa ancestralidade, cultuar e fazer reviver a nossa mem\u00f3ria, mem\u00f3ria hist\u00f3rica \u00e9 muito importante, apagar grande parte da nossa hist\u00f3ria. Cabe a n\u00f3s hoje come\u00e7ar a recontar como estamos contando, estamos somando hoje com o MNU, e espero que a gente, do nosso jeito, eles da forma deles, a gente tenha tido bons resultados. Conhecer os l\u00edderes do MNU foi muito bom para mim tamb\u00e9m, conheci de ir na casa, n\u00e3o na deles, mas eles na minha vieram v\u00e1rias vezes. O Milton foi meu h\u00f3spede por uma tarde, o Juan tamb\u00e9m que foi uma pessoa, um uruguai muito forte, muito potente tanto \u00e9 por isso que as pessoas que s\u00e3o potentes tem que ser mais cautelosa tem que ter mais cuidado tem que estar bem firme, p\u00e9 firme pisar com os dois p\u00e9s para que n\u00e3o tenha dessabores como teve o meu irm\u00e3o ent\u00e3o n\u00e3o vou fazer disso um negativismo mas isso tamb\u00e9m me ajuda a lutar todos os dias e a luta do terreiro \u00e9 essa \u00e9 por n\u00f3s, \u00e9 pelo outro \u00e9 pelos nossos \u00e9 pelo que a gente nem conhece \u00e9 pelo preto, \u00e9 pelo branco, \u00e9 pelo amarelo todas as cores que a gente tem e eu acho que \u00e9 uma responsabilidade da gente estar dentro de um terreiro e responder a todos acolher a todos a parte mais bonita que eu acho no candombl\u00e9 \u00e9 a parte do acolhimento ent\u00e3o se a gente conseguir acolher a parte da nossa sociedade, da nossa comunidade j\u00e1 \u00e9 um bom come\u00e7o n\u00e3o vou ficar falando muito, mas eu gostaria de agradecer esse momento de estar colocando e de deixar para que o movimento tamb\u00e9m nos nos proteja tamb\u00e9m porque a gente n\u00e3o sabe como que vai que vai ser como que essas ideias v\u00e3o se proliferar bom ou mal Mas a ideia que eu falo \u00e9 do guarda-chuva maior E eu espero que a gente tenha muita paz E possamos um dia confraternizar vit\u00f3rias da nossa luta Vit\u00f3rias da nossa exist\u00eancia Vit\u00f3rias da nossa mem\u00f3ria A gente est\u00e1 tendo muitos casos No terreiro a gente sabe muito bem de problemas de mem\u00f3ria doen\u00e7as mentais que n\u00e3o aparecem nas estat\u00edsticas mas que a gente est\u00e1 vendo cada dia mais e por conta de todo esse sofrimento que passa as pessoas que vivem um racismo estrutural e estruturante no nosso sistema de Brasil Obrigada Agradecemos todo o carinho A nossa vereadora Jorge tem um compromisso daqui a pouquinho, mas ela quer fazer uso da palavra antes de sair, \u00e9 isso? Por favor, as suas considera\u00e7\u00f5es gente, apenas por um segundo mesmo eu quero agradecer muito por esse momento principalmente a Almira e tamb\u00e9m a Egon\u00e3, e de todo meu cora\u00e7\u00e3o, gente, eu gostaria muito de pedir at\u00e9 como uma forma de agradecimento que a gente possa se levantar e aplaudir essas duas de p\u00e9, por gentileza \u00e9 uma forma de agradecer muita gratid\u00e3o muita gratid\u00e3o mesmo, obrigada eu tenho que me ausentar, a gente pe\u00e7a desculpas obrigado Almira, obrigado Egon\u00e3 Deputado, gratid\u00e3o Obrigado, vereadora. Agora, dando a sequ\u00eancia, n\u00f3s vamos ouvir agora, ent\u00e3o, ela \u00e9 fundadora da Associa\u00e7\u00e3o Usina de Ideias do Parolim. Sete minutos, por gentileza, com a palavra a senhora Andr\u00e9ia de Lima. Primeiramente, boa noite. Grata ao MNU pelo convite. Eu vou fazer minha autodescri\u00e7\u00e3o. Meu nome \u00e9 Andr\u00e9ia de Lima, sou uma mulher negra, do cabelo \u00e0 altura do ombro, est\u00e1 enrolado, cacheado, mas eu tenho um cabelo grisalho e atr\u00e1s de mim tem uma parede clara me encontro sentada e agrade\u00e7o muito o convite do MNU e de hoje em dizer que sou uma das mais novas integrantes em fazer parte agrade\u00e7o pela Sueli Crespa que foi uma das mulheres fundadoras do MNU tamb\u00e9m o Juan o Paulo Lima e o Francisco Inchala ent\u00e3o s\u00e3o as pessoas que constru\u00edram iniciaram tudo isso e hoje n\u00f3s estamos aqui e que conseguiu, eu falei que hoje aqui est\u00e1 a nata curitibana os pretos mais incr\u00edveis s\u00e3o aqui milh\u00f5es de anos da nossa ancestralidade e da nossa presen\u00e7a ent\u00e3o quero pedir uma salva de palmas para voc\u00eas que est\u00e3o presentes e pedir agora licen\u00e7a \u00e0s mais velhas, \u00e0s mais novas \u00e0s minhas iguais e, pela mesa, agradecer a IA da Usira e, pela casa, o nosso Deputado Renato Freitas e falar desse convite de estar aqui compondo enquanto idealizadora de uma mulher preta que, aos 50 anos de idade, mora na favela do Parolim e que iniciei a minha luta em defesa pelos direitos humanos e pelas vidas quando eu aprendi a ler e escrever, que foi aos 6, 7 anos de idade. E de l\u00e1 para c\u00e1 nunca mais parei, porque a vida na favela \u00e9 constante, a luta e a defesa pelos nossos corpos e pelo racismo estrutural, ela \u00e9 di\u00e1ria. E a gente n\u00e3o tem sossego, porque a gente v\u00ea que o Estado em momento nenhum ou n\u00e3o nos deixa dormir em paz, ou n\u00e3o nos permite acordar em paz. \u00c9 o tempo todo contra os nossos corpos, agindo com toda forma de viol\u00eancia poss\u00edvel. E como a gente faz? Segurando a m\u00e3o do outro e n\u00e3o desistindo. Porque se colocar como antirracista nas redes sociais, n\u00e3o sendo preto, usando as nossas pautas e querendo acessar o que \u00e9 nosso de direito e conquista do movimento negro, que s\u00e3o as cotas raciais, todos querem, mas ser perseguido dentro de um mercado, ser perseguido no shopping, ser perseguido pelo seu CEP, n\u00e3o conseguir um emprego de qualidade, n\u00e3o ter dignidade, muitas vezes de ter um teto para dormir, um prato de comida para comer, porque n\u00e3o nos permite, n\u00e3o nos permite que a gente acesse o centro, N\u00e3o nos permitem que a gente ocupe lugares de poder Porque quando ocupamos lugares de poder Como refer\u00eancia aqui, que \u00e9 o Renato Eles nos querem, independente do que a gente fa\u00e7a da nossa vida pessoal Fora do local de trabalho Eles n\u00e3o nos querem aqui Mas se somos, n\u00e3o posso falar se somos brancos Porque eu n\u00e3o sou branca E ter uma av\u00f3 branca n\u00e3o me faz uma mulher branca Ter uma irm\u00e3 branca n\u00e3o me coloca como uma mulher com privil\u00e9gios e nenhum de n\u00f3s. Ent\u00e3o dizer para a branquitude que tenha ci\u00eancia e respeito que ter av\u00f3s e pais negros n\u00e3o tornam eles pessoas negras. N\u00e3o tornam eles pessoas perseguidas, n\u00e3o torna eles pessoas prejudicadas, humilhadas constantemente. a nossa cor de pele muitas vezes nos condena ent\u00e3o que a branquitude tenha consci\u00eancia de que luta antirracista nas redes sociais n\u00e3o salvam vidas pretas, colocarem suas p\u00e1ginas de redes sociais vidas negras importam n\u00e3o salva corpos negros de serem baleados dentro das periferias executados em mercados ou perseguidos nas ruas que se dizem de uma cidade inteligente, de um Estado que se diz que est\u00e1 tudo resolvido, que n\u00e3o d\u00e1 qualidade de vida para essa popula\u00e7\u00e3o preta e principalmente perif\u00e9rica. E quero tamb\u00e9m dizer que de tudo isso eu falo porque \u00e9 de um territ\u00f3rio que eu perten\u00e7o. \u00c9 da minha hist\u00f3ria, Andr\u00e9ia Soares de Lima. \u00c9 das hist\u00f3rias dos meus. \u00c9 da hist\u00f3ria de que a gente ter direito de ter um bloco preto na cidade. N\u00e3o que a gente n\u00e3o quer gente branca, a gente quer. Quer no apoio, quer ajudando a carregar a caixa de \u00e1gua, de carregar o carro de som. Fortalecendo, dando piques na conta, para que a gente tenha o nosso abad\u00e1. Para que a gente consiga fazer os nossos eventos e tenhamos comida de qualidade. que em dia de chuva e est\u00e1 no corre com a gente de comprar, abadar e fortalecer de pisar o p\u00e9 na favela, n\u00e3o somente quando o Estado executa uma vida dos nossos jovens porque isso acontece, n\u00e3o \u00e9 somente aquele corpo que est\u00e1 ca\u00eddo no ch\u00e3o \u00e9 uma comunidade toda que sente a dor do luto que chora com aquela m\u00e3e e ap\u00f3s o enterro essa dor n\u00e3o passa, essa dor \u00e9 constante porque eles querem os nossos corpos ca\u00eddos e os nossos corpos sangrando e as nossas m\u00e3es chorando, porque para eles isso \u00e9 f\u00e1cil mas n\u00e3o nos querem colocar no nosso lugar e sentir a chibatada da sociedade com o preconceito nos tirando o direito de estar dentro de um \u00f4nibus e se a gente estiver sentada num banco, n\u00e3o querem sentar do nosso lado quando nos encontra na rua 15 de novembro escondem as suas bolsas e quando a gente est\u00e1 entrando no local como hoje que aconteceu a gente na fila tr\u00eas mulheres negras uma mulher branca chegou e quis passar na nossa frente ainda bem que de Neia de F\u00e1tima falou pra ela querida, tem uma fila e o seu lugar \u00e9 l\u00e1 atr\u00e1s porque \u00e9 f\u00e1cil n\u00e9 \u00e9 muito f\u00e1cil pra eles acharem que a gente vai estar numa casa de leis e ceder a nossa vez na catraca pra eles. N\u00e3o nos queriam entrando e andando dentro de \u00f4nibus. Imagina numa fila, numa casa de leis. Se enganou, querida. Voc\u00ea foi pro final da fila. E n\u00f3s, pessoas negras, sempre na linha de frente, tendo que dizer pra branquitude que o lugar deles ou \u00e9 do nosso lado ou n\u00e3o queremos juntos. Que a cota que eles tentam ocupar nas faculdades, para concorrer cargos pol\u00edticos, n\u00e3o ter\u00e1 vez. Usavam os nossos corpos, as nossas dores, para falar, eu vou sair candidato porque eu vou representar a periferia, eu vou representar um branca. Ok, mas n\u00e3o na minha vez. Como diz o professor Leonardo, n\u00e3o na minha aula. Na minha aula, Um minuto para concluir. Na minha aula, v\u00e3o ter que me ouvir, v\u00e3o ter que olhar essa beleza preta, retinta, que ilumina no sol. E que essa cidade \u00e9 t\u00e3o cinza e nos querem t\u00e3o deixar invis\u00edvel, que o sol nos deixa cinza. Mas o brilho \u00e9 da nossa ancestralidade, que a gente tem amor e orgulho em manter. N\u00e3o vamos desistir. Vida longa ao MNU. Andr\u00e9ia de Lima, o nosso carinho, Andr\u00e9ia, muito obrigado pela sua participa\u00e7\u00e3o. E agora n\u00f3s vamos ouvir, ela que \u00e9 agente cultural e fundadora do Sambadeira de Bimba, Filhas de Biloca. Com a palavra, ent\u00e3o, agora a senhora Fernanda Machado. Boa noite, maravilhosa como sempre, n\u00e9? Eu falo de Lima. De Lima \u00e9 de Lima mesmo, n\u00e9? Aguenta. Boa noite, meu nome \u00e9 Fernanda Machado. quero cumprimentar a mesa na pessoa da Yalorix\u00e1, Yagun\u00e3, e na pessoa de Almira, das minhas ab\u00e1s, das minhas mais velhas. Quero cumprimentar a todos e todas na plateia, na nossa gira, na nossa roda, porque onde eu sento com n\u00f3s, a gente est\u00e1 na gira, a gente est\u00e1 na roda. Ent\u00e3o, cumprimentar a todos, todos e todes, dizer que \u00e9 uma satisfa\u00e7\u00e3o e uma honra estar aqui compondo essa mesa hoje com pessoas com luta. Eu, sendo uma mulher forasteira, uma mulher negra forasteira, eu sou natural de Goianinha, sou um produto do MNU, porque eu venho de Goianinha, ali, da luta da Ieda, a Ieda Leal, de Goianinha. A minha m\u00e3e, meu tio, meu av\u00f4 j\u00e1 v\u00eam dessa luta do MNU, ent\u00e3o a constru\u00e7\u00e3o... O MNU ajudou a construir a pessoa que eu sou hoje, ent\u00e3o eu tenho muito orgulho de dizer que eu sou um produto do MNU. E, com isso, eu quero dizer que Tamb\u00e9m estou representante do Estado do Paran\u00e1 Eleita no F\u00f3rum Estadual na pol\u00edtica PNCV Pol\u00edtica Nacional da Cultura Viva Que \u00e9 uma lei institu\u00edda pelo nosso Presidente Lula Uma pol\u00edtica comunit\u00e1ria de base \u00c9 uma pol\u00edtica que, de fato, os pontos de cultura s\u00e3o soberanos \u00c9 uma pol\u00edtica de n\u00f3s por n\u00f3s, n\u00f3s para n\u00f3s Ent\u00e3o eu tenho muito orgulho tamb\u00e9m de ser um produto do Cultura Viva E estar nesse estado hoje representando a Pol\u00edtica Nacional Cultura Viva \u00c9 um desafio Porque desde janeiro que eu estou nesse lugar Construindo o f\u00f3rum, construindo A gente est\u00e1 levando 30 delegados para a Nacional em Aracruz Esp\u00edrito Santo Dentro desses 30 delegados a gente tem 5 ind\u00edgenas A maioria s\u00e3o mulheres Temos a\u00ed cinco pessoas de terreiro E nunca na hist\u00f3ria do Paran\u00e1 Se aconteceu um f\u00f3rum t\u00e3o hist\u00f3rico Como est\u00e1 acontecendo agora do Cultura Viva De cultura de base De cultura feita por n\u00f3s Ent\u00e3o a gente tem travado uma guerra muito grande Na cultura preta Mostrando para eles que todo terreiro Toda roda de capoeira Todo bloco Toda benzedeira E todos os espa\u00e7os onde transita o nosso corpo \u00c9 ponto de cultura \u00c9 salvaguarda \u00c9 patrim\u00f4nio E \u00e9 dif\u00edcil fazer o Estado t\u00e3o branco T\u00e3o euroc\u00eantrico Entender isso Que n\u00f3s mesmos A gente n\u00e3o precisa de grandes coisas Para fazer uma pol\u00edtica Para n\u00f3s De n\u00f3s por n\u00f3s Toda casa de mulher preta Todo mundo come Onde come um, come dez Todo samba de roda onde bebe um, bebe dez. Ent\u00e3o, \u00e9 muito dif\u00edcil o Estado t\u00e3o racista entender que a gente s\u00f3 precisa que eles cumpram o que est\u00e1 na lei, que \u00e9 o que eles n\u00e3o querem fazer. O Estado do Paran\u00e1 hoje recebe 800 milh\u00f5es. Se eu tiver errado, depois pode me corrigir. N\u00e3o estou lembrando agora exatamente o valor. E esse valor \u00e9 todo para a cultura. E n\u00e3o est\u00e1 sendo usado, de fato, integralmente para a cultura. E a gente est\u00e1 hoje, com os pontos de cultura, fazendo essa luta, essa briga das pessoas entender que esse dinheiro \u00e9 para n\u00f3s, foi conquistado por n\u00f3s, foi n\u00f3s que colocamos. E a gente n\u00e3o pode ser hip\u00f3crita e n\u00e3o pode esquecer que \u00e9 sim, \u00e9 uma lei de um governo de esquerda, que trabalha com a base, que trabalha com o povo. Ent\u00e3o, a gente precisa muito entender os lugares e as pessoas e como que a gente, onde \u00e9 que a gente est\u00e1 lutando. E eu fico muito, novamente vou repetir que eu fico muito honrada de estar compondo essa mesa aqui, com essas pessoas aqui, que eu sei que cada uma aqui faz sua luta, e interseccional, cada um no seu lugar, cada um est\u00e1 lutando por uma pauta. \u00c9 a sa\u00fade, \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o, \u00e9 o pertencimento, enfim, \u00e9 a... o formato de existir nesse Paran\u00e1 que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Para mim, eu fico at\u00e9 sempre emocionada de tocar nesse assunto, porque, para mim, que cheguei de Goianinha e vim parar aqui, porque meu marido foi transferido pra c\u00e1. Quando eu cheguei aqui, a primeira vez que eu toquei um samba em Arauc\u00e1ria, eu tive, no outro dia, eu tive um 765 na minha testa. Ent\u00e3o foi Exu que disse pra mim o que eu tinha que fazer aqui. At\u00e9 aquele dia eu n\u00e3o sabia o que eu tinha que fazer no Paran\u00e1. Porque eu s\u00f3 chorava. Eu s\u00f3 chorava. Porque eu n\u00e3o conhe\u00e7o um vizinho. Eu conhe\u00e7o um vizinho s\u00f3 hoje na minha vida. Porque ele mexe com festa e a gente se trombou e \u00e9 isso. Mas a rua inteira n\u00e3o fala comigo. Ent\u00e3o, eu moro no lugar onde as pessoas fingem que eu n\u00e3o existo. Eu moro no lugar onde as pessoas fazem de conta que a luta que eu fa\u00e7o \u00e9 para ningu\u00e9m. E eu tenho tr\u00eas problemas. Eu sou forasteira, sou goiana, sou falante. Eu gosto de abra\u00e7ar, eu gosto de beijar, eu gosto de fazer tudo o que eu fa\u00e7o em casa. Eu gosto de dividir com os outros. E as pessoas aqui n\u00e3o gostam de gente. Essas pessoas brancas do Paran\u00e1 n\u00e3o gostam de gente. Elas n\u00e3o gostam do calor humano. E a cultura que eu venho, e que todos n\u00f3s, est\u00e1 a\u00ed no nosso sangue, a nossa cultura \u00e9 do aj\u00f4. Para quem n\u00e3o sabe o que \u00e9 aj\u00f4, \u00e9 juntar, \u00e9 juntamento, \u00e9 todo mundo junto. \u00c9 assim, \u00e9 trelado, \u00e9 junto. Ent\u00e3o, essa fala \u00e9 bem de que d\u00f3i, sabe? D\u00f3i a gente olhar e ver que a gente tem grandes pot\u00eancias no Paran\u00e1 e ainda assim silenciado, porque o Estado simplesmente n\u00e3o quer que a gente apare\u00e7a e que a gente mostre a nossa pot\u00eancia. E \u00e9 um Estado hip\u00f3crita, porque a maioria das coisas que acontecem no Paran\u00e1 institucionalmente, digamos, hoje, a cultura no Estado do Paran\u00e1 s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel porque \u00e9 uma luta do povo preto, \u00e9 uma luta do povo de terreiro. Hoje, a PNCV, no Estado do Paran\u00e1, o Cultura Viva, que o Estado ainda insiste em n\u00e3o aderir a ela, o Estado do Paran\u00e1 foi o \u00faltimo a aderir, com muita luta, o \u00faltimo a aderir, o \u00faltimo Estado, e a maior aposta da Cultura Viva est\u00e1 no Paran\u00e1. Ent\u00e3o, precisamos entender que esse Estado \u00e9 hip\u00f3crita, porque ele consome do nosso dinheiro. Ent\u00e3o, se tem hoje cultura com esses editais maravilhosos, democr\u00e1ticos, facilitados para a gente entrar. Que o mestre e a mestra hoje podem fazer um v\u00eddeo e dizer que eu sou fulano de tal, e ele vai entrar no edital, mesmo assim, sem saber ler e escrever. Uma pol\u00edtica que est\u00e1 para passar, que \u00e9 a pol\u00edtica dos mestres e mestras, que \u00e9 a garantia da aposentadoria dos nossos mestres, \u00e9 uma pol\u00edtica de esquerda e \u00e9 uma pol\u00edtica que foi o nosso povo preto que instituiu no Paran\u00e1, porque foi gente preta que trouxe isso para c\u00e1, n\u00e3o foi mais ningu\u00e9m, porque a gente \u00e9 que entende o que \u00e9 cultura. A gente \u00e9 que sabe fazer cultura \u00c9 a gente que sabe ensinar o que \u00e9 cultura E um Estado que insiste em indeferir Um minuto, estou indo Indeferir um projeto da gente dentro da 10 mil e da 11 mil dentro das escolas Sabendo que existe uma lei que a gente pode entrar dentro dessas escolas Ent\u00e3o a gente precisa muito tomar cuidado A gente precisa muito entender A gente precisa muito se juntar Para que a gente, de fato, se junte e comece a colocar \u00e0 via tona a hipocrisia das pessoas, onde elas est\u00e3o comendo, bebendo, se divertindo, compando carro zero, com uma luta do povo preto nesse Paran\u00e1, e eu estou falando especificamente da cultura desse Paran\u00e1, que \u00e9 hip\u00f3crita, que essa luta \u00e9 nossa e foi n\u00f3s que trouxemos, e a gente que faz esse combate, e a gente que resguarda essa grana, esse dinheiro, e esse formato de fazer cultura democr\u00e1tico, foi o povo preto que garantiu. Foi o povo preto que garantiu para todos, todas e todas. Mas, ainda assim, nesse Estado e no Brasil, onde tem gente racista, o povo preto n\u00e3o tem, n\u00e3o tem acessado, os nossos mestres n\u00e3o t\u00eam acessado. Ent\u00e3o, a gente precisa muito tamb\u00e9m garantir esses espa\u00e7os e, pensando muito bem, manter o Renato Freitas, manter Georgia, manter Carol Datora, manter, desculpa, o Anderson, colocar de Lima e colocar nossos outros todos nesse espa\u00e7o de decis\u00e3o. E se eles n\u00e3o abrem a porta, a gente arromba e mete o p\u00e9. Fernanda, muito obrigado pela sua participa\u00e7\u00e3o e agora vamos ouvir. Bem, a nossa pr\u00f3xima convidada a fazer uso da palavra \u00e9 m\u00e3e que combate a letalidade policial. Vamos ouvir ent\u00e3o, em sete minutos, Joelma da Costa Lara. Por gentileza, a palavra \u00e9 sua. Boa noite. Para mim \u00e9 uma honra estar aqui e eu quero agradecer a todos que me ajudaram a estar aqui hoje. Eu sou m\u00e3e do Jonatas Davi, ele foi executado pela pol\u00edcia no dia 31 de janeiro, ele tinha 19 anos, e ele j\u00e1 tinha sido amea\u00e7ado pela pol\u00edcia. Ent\u00e3o, acharam ele no momento que eles conseguiram aquela execu\u00e7\u00e3o que j\u00e1 tinham prometido. E eu corri ali atr\u00e1s das imagens, e a gente conseguiu. Eu sabia que meu filho n\u00e3o estava com droga nem com arma, que ele falou para mim. E ali eles alegaram confronto. E a gente sabia que n\u00e3o tinha sido confronto. Ent\u00e3o, para esconder o erro que eles queriam cometer contra o Jonas, eles alegaram confronto achando que a gente nunca ia descobrir. Mas com as imagens foram provados que o Jonas estava rendindo sem arma e sem droga. E ali, para a gente morar num bairro mais pobre, ali o Guarituba, ent\u00e3o amea\u00e7a os meninos sem dar a segunda chance de mudar de vida. Eles falam que v\u00e3o matar e matam mesmo E em outros bairros n\u00e3o existe tanta morte como nos nossos bairros Ent\u00e3o isso fica, na nossa vida, eles causam uma destrui\u00e7\u00e3o Na minha vida, na vida da minha fam\u00edlia, dos meus filhos Eles executaram o meu filho, alegando ali uma mentira Que foi um confronto que n\u00e3o existiu, que est\u00e1 provado E na minha vida eles causaram uma destrui\u00e7\u00e3o total Ali a gente fica todo mundo destru\u00eddo, sem ch\u00e3o, sem saber o que vai fazer da vida. Eles destru\u00edram o meu sonho, o sonho que eu tinha com o Jonatas, que toda a minha fam\u00edlia sabe, quem me conhece sabe. Ent\u00e3o a gente fica sem ter for\u00e7as e d\u00e1 aquele passo para frente que a gente tinha que dar, a gente n\u00e3o consegue dar, porque fica todo mundo destru\u00eddo. \u00c9 uma fam\u00edlia que se destr\u00f3i. Ainda porque o Jonatas era muito protetor, ele me protegia, ele protegia os irm\u00e3os dele. Ent\u00e3o, eles causam essa destrui\u00e7\u00e3o enorme na fam\u00edlia, que eles n\u00e3o t\u00eam nem no\u00e7\u00e3o da destrui\u00e7\u00e3o que eles causam nas fam\u00edlias que eles executam os meninos na rua. Alegando ainda, que deixa a gente mais revoltado, a mentira do confronto. Isso causa mais revolta, que eles alegaram uma mentira que n\u00e3o aconteceu. Ent\u00e3o, \u00e9 a dor de muitas m\u00e3es de bairros pobres, que tem essa dor que s\u00f3 quem passa sabe. S\u00f3 quem pede o irm\u00e3o, o antequerido \u00c9 aquele CPF cancelado Que s\u00f3 quando \u00e9 o teu CPF Que voc\u00ea ama, que voc\u00ea d\u00e1 a vida Que voc\u00ea sente Que eles n\u00e3o deviam ter feito aquilo Eles deviam ter agido da forma que eles foram preparados para agir O meu filho n\u00e3o estava com droga N\u00e3o estava com arma Mas se tivesse, eles teriam que ter prendido Para isso que existe a lei Eles teriam que ter feito conforme a lei Mas n\u00e3o fizeram Eu agrade\u00e7o esse momento Muito obrigada Joelma, voc\u00ea tamb\u00e9m, todo o nosso carinho, muito obrigado pela participa\u00e7\u00e3o. E agora n\u00f3s vamos ouvir, ele \u00e9 l\u00e1 do Colombo Invernada, Paiol de Telha, com a palavra agora h\u00e1 sete minutos. Gentiliza agora a palavra do Cunt\u00e1 Leonardo de Cruz. Seja bem-vindo. Boa noite. Gostaria de pedir licen\u00e7a aqui \u00e0s minhas mais velhas, na pessoa da Iago Nanda, Alzira, na pessoa da Iago Manteferno. de Ferro. Saudar aqui a Almira, que h\u00e1 muito tempo que a gente n\u00e3o se via, que v\u00e3o reencontr\u00e1-la num momento como esse. E agradecer tamb\u00e9m ao convite pelo Renato, pelo mandato daqui e pelo momento que voc\u00eas est\u00e3o organizando. Muito importante participar de um momento como esse. Sou uma pessoa do Quilombo Paiol de Telhas, sou quilombola do Quilombo Paiol de Telhas. Como j\u00e1 foi dito aqui, a gente tem mais de 30 quilombos no estado do Paran\u00e1. Infelizmente, o Quilombo Paiol de \u00e9 o \u00fanico quilombo titulado, ou seja, o \u00fanico que tem garantia do seu territ\u00f3rio hoje no Estado. Por\u00e9m, a gente ainda tem mais de 80 comunidades a serem certificadas, que s\u00e3o reconhecidas, a serem reconhecidas como comunidades remanescentes de quilombo. E esse \u00e9 um trabalho que se deu reconhecer esses territ\u00f3rios, ou seja, reconhecer a gente enquanto cidad\u00e3os e, posteriormente, a humanidade dessas pessoas, se deu atrav\u00e9s de um trabalho, sim, executado pelo Movimento Negro do Estado do Paran\u00e1. Em princ\u00edpio, e eu me recordo que eu era crian\u00e7a, de pessoal da PP Sindicato, o professor Romeu, obrigado. Estou vendo aqui a Fernanda, ela esteve l\u00e1, junto com o Socorro Ara\u00fajo e a Clemilda, enfim, o C\u00e1ssio, os Cl\u00f3vis, o pessoal do Grupo de Trabalho Cl\u00f3vis Moura, que fez esse trabalho de mapeamento das comunidades e que trouxe a gente a um pouco mais de visibilidade no estado do Paran\u00e1. Lembrar que, como o colega Anderson falou, essas pessoas que est\u00e3o no poder hoje, n\u00e3o est\u00e3o no poder hoje. A minha comunidade tem uma luta hist\u00f3rica por direitos territoriais na hist\u00f3ria do Brasil e est\u00e1 diretamente ligada ao processo escravocrata no estado do Paran\u00e1. N\u00f3s descendemos, eu descendo, de pessoas que foram traficadas para c\u00e1 por uma pessoa chamada Visconde de Guarapuava, homenageado nas ruas desta, da minha cidade de Guarapuava e de muitas outras no estado do Paran\u00e1. Essa pessoa que escravizou pessoas e que traficou-as para Guarapuava permanece sendo homenageada e n\u00f3s permanecemos ainda, enquanto quilombolas, sem os nossos territ\u00f3rios, sem reconhecimento da dignidade humana que nos pertence, que nos cabe e que nos foi roubada e que nos \u00e9 roubada dia a dia. Essa hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 distante, essa hist\u00f3ria \u00e9 muito pr\u00f3xima da gente, parece que \u00e9 muito longe. Mas, por exemplo, a propriet\u00e1ria dessas pessoas que foram escravizadas, a dona Balbina, Ela deixou em testamento, em 1866, 3.600 alqueires de terra aos seus 11 escravizados, a quem em testamento ela dizia deixar as terras pelos bons servi\u00e7os prestados. Essa \u00e9 mais uma mentira. N\u00e3o foram bons servi\u00e7os prestados. E ela n\u00e3o deixou por ser uma pessoa boa. Ela era uma pessoa que n\u00e3o tinha filhos, n\u00e3o teve herdeiros, e que as \u00fanicas pessoas que a cercavam no seu momento de morte eram as pessoas a quem ela escravizava. Em 1866, ela deixa isso como testamento. Em 1889, o seu afilhado, Pedro Lustosa de Siqueira, vem a ser o primeiro prefeito de Guarapuava. Esse mesmo senhor usurpou primeiramente metade do territ\u00f3rio da minha comunidade Posteriormente ele se casa com a filhada da Balbina Que era uma ind\u00edgena a quem ela tamb\u00e9m dedicou grande parte das terras onde hoje fica Guarapuava Ou seja, depois dele se tornar prefeito e surgir contra o territ\u00f3rio quilombola expropriar metade do nosso territ\u00f3rio, some a esposa dele, a quem ele tamb\u00e9m vem tomar conta dessa grande por\u00e7\u00e3o de terras no territ\u00f3rio de Guarapuava. Ou seja, essas pessoas permanecem no poder desde que o Brasil \u00e9 Brasil. Essa branquitude permanece no poder, usurpando e nos execrando dos nossos territ\u00f3rios, extinguindo da gente a possibilidade de exerc\u00edcio da nossa humanidade, da nossa cidadania. Eu sou uma pessoa que venho da cultura, vivo pela cultura, da cultura, na cultura, e, como j\u00e1 foi dito aqui, \u00e9 atrav\u00e9s da nossa ancestralidade, da cultura dos nossos ancestrais, da cultura que foi deixada para n\u00f3s, que n\u00f3s nos mantemos em p\u00e9 e tentamos conseguir com um pouco mais de exuber\u00e2ncia. Eu tenho no meu trabalho tr\u00eas palavras que eu acho que eu aprendi na vida e aprendi com o movimento Quilombola, aprendi com os meus mais velhos, com minha tia, dona Ana Maria, que \u00e9 representante da FECOC, uma lideran\u00e7a quilombola muito importante no estado do Paran\u00e1 e no Brasil. Essas tr\u00eas palavras s\u00e3o insist\u00eancia, porque a gente insistiu muito, resist\u00eancia, porque a gente resistiu muito e resiste at\u00e9 hoje, e perman\u00eancia. Ent\u00e3o, a gente permanece e a gente vai continuar. os nossos fazeres eles continuam eles insistem, eles resistem e eles permanecem sim, porque como o nego bispo ensinou, a gente n\u00e3o busca esse desenvolvimento a gente busca o envolvimento como disse aqui j\u00e1 como disse a Y\u00e1 a gente n\u00e3o se dissocia eu aprendi quem eu era, como eu era e como eu deveria me projetar no mundo atrav\u00e9s dos meus e espelhado nos meus, atrav\u00e9s da minha cultura. Foi rezando a recomenda das almas, foi atrav\u00e9s de minha m\u00e3e de santo, m\u00e3e Jaciara Ribeiro, que nos ensinou a bater um pa\u00f3 para um orix\u00e1, fazer uma farofa para Exu, que \u00e9 botar um fio de conta no nosso pesco\u00e7o e de lembrar de onde a gente pertence. Todo dia que a gente bota um fio de conta no pesco\u00e7o, todo dia que uma mi\u00e7anga est\u00e1 no nosso bra\u00e7o, a gente relembra de quem a gente \u00e9 e para onde a gente vai caminhar. Ent\u00e3o, eu tenho muito a agradecer a todo mundo que ajudou a construir e a me relembrar, n\u00e3o deixar eu esquecer de quem eu sou e de para onde a gente precisa caminhar. E, como diz a minha irm\u00e3 Isabela da Cruz, a nossa hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 uma hist\u00f3ria s\u00f3 de lutas, \u00e9 uma hist\u00f3ria de vit\u00f3rias tamb\u00e9m. Ent\u00e3o, que a gente consiga continuar por mais 30, mais 30, mais 300, mais 3 mil anos n\u00e3o s\u00f3 lutando, mas conquistando tamb\u00e9m, e essas conquistas s\u00f3 v\u00e3o ser poss\u00edveis assim, juntas obrigado, viu Leonardo, tamb\u00e9m o nosso carinho, obrigado pela participa\u00e7\u00e3o bem, agora n\u00f3s vamos ouvir sete minutinhos agora, ele que \u00e9 Presidente do bloco Afro-Pretionisidade \u00e9 isso? perfeito, agora com a palavra o senhor Diolay Santos boa noite boa noite a todos A ben\u00e7\u00e3o aos meus mais velhos, a ben\u00e7\u00e3o aos meus mais novos Falar um pouco do bloco A Pretiosidade Falar de um sonho Enquanto comunidade preta Est\u00e1 aqui hoje Algumas pessoas fundadoras do bloco E que Foi um coletivo Que a gente Funda esse coletivo A partir de um ato de racismo que a gente passou, o bloco estava atr\u00e1s do Garibaldi curtindo e a gente estava com dois instrumentos na m\u00e3o um rebolo e um pandeiro e o Garibaldi terminou, o Garibaldi foi embora a gente come\u00e7ou a tocar um pandeiro e um rebolo e a pol\u00edcia chegou com aquela trucul\u00eancia de sempre dando borrachada em quem estava ali por perto mas principalmente nas pessoas pretas porque quando eles v\u00e3o descer o cacete o cacetete deles \u00e9 teleguiado s\u00f3 acha corpo preto pode ter aquele monte de gente branca ali mas s\u00f3 vai acertar o preto e foi desse jeito que nasce ali uma das primeiras hist\u00f3rias, precisamos montar alguma coisa depois isso foi em 2014 depois em 2016 come\u00e7a os almo\u00e7os das fam\u00edlias pretas um almo\u00e7o que deixo aqui dito aqui. Tinha alguns organizadores, o Atna est\u00e1 a\u00ed, tem uma galera a\u00ed que organizava. Esses almo\u00e7os precisam voltar, porque esses almo\u00e7os eram muito importantes para a comunidade preta. E, nesses almo\u00e7os, nasce a ideia de se criar um bloco afro. Nasce a ideia, at\u00e9 onde eu lembro, nasce uma ideia na casa do Pai Od\u00e9lecy, Pai Her\u00ea, conhecido como Her\u00ea. Depois, essa ideia amadurece na casa da a professora Cl\u00e1udia, depois, na casa do Ala, a gente faz uma reuni\u00e3o e vamos iniciar, ent\u00e3o, ali o primeiro Bloco Afro, que, dentro da sua cria\u00e7\u00e3o, ele, majoritariamente, uma fam\u00edlia ajudou nessa cria\u00e7\u00e3o, que foi a fam\u00edlia Inchala. Inchala, que fala? Inchala, isso mesmo. Estavam ali todos, desde a mais pequenininha at\u00e9 o mais velho, estava todo mundo ali fortalecendo o Pretiosidade. E o Pretiosidade, hoje, o Pretiosidade representa para a comunidade da Vila Torres, representa muito. Esse ano foi o ano mais emocionante, assim que possa se dizer, do Bloco Afro Pretiosidade, para mim, particularmente, porque, para al\u00e9m de ser arte educador, para al\u00e9m de ser arte educador tamb\u00e9m, Eu sou educador territorial tamb\u00e9m, vamos dizer assim, e n\u00e3o sei a palavra correta, mas \u00e9 isso. Foi o primeiro ano que pessoas da comunidade compraram o abad\u00e1 do Bloco. Isso para a gente, a gente veio, p\u00f4, estamos chegando l\u00e1. Porque o Bloco fez oito anos, nesses oito anos, a gente vendia o nosso abad\u00e1 majoritariamente para pessoas de fora. Esse ano a gente vendeu mais de 60 abad\u00e1 Dentro da comunidade A comunidade ia at\u00e9 a sede do bloco e falava Tem um abad\u00e1 para mim? Quanto \u00e9 o abad\u00e1? P\u00f4, o abad\u00e1 \u00e9 50 P\u00f4, n\u00e3o tenho 50, eu tenho 30 \u00c9 esse 30 mesmo, vem c\u00e1 meu irm\u00e3o Porque ele \u00e9 50 para quem est\u00e1 vindo Mas para os nossos, \u00e9 quanto os nossos podem pagar Entendeu? Porque n\u00e3o \u00e9 vestir s\u00f3 um abad\u00e1 Quando a comunidade vem comprar um abad\u00e1 \u00c9 vestir a hist\u00f3ria, \u00e9 vestir a causa Do Bloco Afro Pretiosidade Ent\u00e3o, num ano que a gente consegue vender mais de 60 bad\u00e1s para a comunidade, a gente est\u00e1 entendendo que o nosso trabalho ali est\u00e1 tendo esse reconhecimento que a gente quer, principalmente dentro da comunidade. E o bloco tamb\u00e9m vem num trabalho de descentraliza\u00e7\u00e3o, que a gente sabe que o Carnaval de Curitiba, majoritariamente, \u00e9 feito no centro. No centro, quem tem acesso ao centro? Quem tem acesso ao centro com seguran\u00e7a? N\u00e3o s\u00e3o os meus iguais. Com seguran\u00e7a n\u00e3o s\u00e3o. E quando a gente leva, descentraliza o carnaval e leva para a comunidade da Vila Torres, \u00e9 possibilitando que uma m\u00e3e solo, que tem ali dois, tr\u00eas filhos, possa brincar o carnaval junto com a sua fam\u00edlia tamb\u00e9m. Possa ter uma renda a partir de... Coloca ali uma caixa de isopor com \u00e1gua para vender. Possa ter uma renda, e essa renda, ela n\u00e3o vai ter um gasto muito grande para conseguir fazer isso, porque ela n\u00e3o vai precisar de uma condu\u00e7\u00e3o para ir at\u00e9 o centro, precisar de um alvar\u00e1 para ir vender a sua \u00e1gua at\u00e9 o centro, mas dentro da comunidade. Ent\u00e3o, \u00e9 uma gera\u00e7\u00e3o de renda que o Bloco Afro Pretiosidade tamb\u00e9m vem fortalecendo. O Bloco Afro Pretiosidade, cada vez mais, est\u00e1 se reaproximando mesmo de sua ancestralidade. Quando a gente cria o Pretiosidade, a gente n\u00e3o tinha essa identidade ali, p\u00f4, somos um bloco regido por Yansan, regido por Yansan, por Xang\u00f4. A gente foi conhecendo isso, a gente conheceu mais e foi mais a fundo a partir de 2023. A partir de 2023, e o bloco nasce em 2018, come\u00e7ou as persegui\u00e7\u00f5es religiosas contra o bloco Afro-Pretiosidade. Come\u00e7am a vir os abaixo-assinados. N\u00e3o, que eles est\u00e3o aqui, est\u00e3o querendo s\u00f3 fazer macumba, eles est\u00e3o fazendo macumba, eles est\u00e3o fazendo palavras que v\u00eam mesmo realmente da comunidade, est\u00e3o fazendo feiti\u00e7o para que nossas crian\u00e7as v\u00e3o at\u00e9 eles. porque nossas crian\u00e7as n\u00e3o gostam disso. Isso \u00e9 as coisas que a gente est\u00e1 escutando na comunidade, que a gente escuta l\u00e1. E a gente fica nesse combate ao racismo diretamente mesmo, diariamente. E o Bloco Afro-Pretiosidade, para a gente poder fortalecer cada vez mais a comunidade, a gente vem ali, A gente traz um pouco da ideologia que o ILEAE traz, um pouco da ideologia que o Holodum traz. A gente fica pesquisando. Esses nossos mais velhos tamb\u00e9m, porque a gente... \u00c9 isso, a gente n\u00e3o pode ser hip\u00f3crita e falar que inventamos a roda. J\u00e1 tem quem veio antes. O ILEAE est\u00e1 a\u00ed, com 50 e tantos anos, e est\u00e1 nos ensinando muito. Nessa ideia de escola tamb\u00e9m, o Pretiosidade, esse ano, lan\u00e7a tamb\u00e9m oficinas para a gente poder formar essa pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o. Porque a gente funda o Pretiosidade, mas a gente sabe que a gente vai at\u00e9 uma altura. Depois de uma altura, a gente tamb\u00e9m precisa tomar alto rumo e precisa apoiar esses jovens que est\u00e3o vindo. E o Pretiosidade, como um marco de fortalecer essas novas identidades que est\u00e3o vindo, a gente, m\u00eas passado, a gente nomeia duas g\u00eameas da comunidade como terceira reg\u00eancia do bloco, s\u00e3o duas meninas que come\u00e7ou a fazer percuss\u00e3o, duas meninas pretas que come\u00e7ou a fazer percuss\u00e3o com 5 anos de idade agora est\u00e1 com 15 e est\u00e3o na reg\u00eancia do pretiosidade \u00e9 formar essa pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o porque se a gente n\u00e3o forma essa pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o, a gente n\u00e3o d\u00e1 oportunidade o crime est\u00e1 a\u00ed, o crime d\u00e1 oportunidade o crime rapidinho vai falar, p\u00f4, essa pot\u00eancia aqui pode ser gerente de uma boca e vai colocar Ent\u00e3o, se a gente n\u00e3o potencializa, a gente n\u00e3o educa, n\u00e3o potencializa, ou a gente perde para o crime, ou a gente perde para o bra\u00e7o armado do Estado. Ent\u00e3o, a gente precisa potencializar cada vez mais, potencializar essas crian\u00e7as. O Bloco Afro, preciosidade, est\u00e1 vindo com oficinas de percuss\u00e3o, dan\u00e7a afro, oficinas de alfabetiza\u00e7\u00e3o, porque a gente passou, dentro do Pretiosidade, a gente passou uma quest\u00e3o que a gente tem as adolescentes, os menores de idade, na grande maioria, que s\u00e3o da comunidade. E a gente precisava de uma libera\u00e7\u00e3o para ir at\u00e9 a avenida, que \u00e9 outra coisa tamb\u00e9m que eu acho um absurdo. Se as crian\u00e7as s\u00e3o a manuten\u00e7\u00e3o e elas que v\u00e3o segurar a cultura, entendeu, ali para frente, eles colocam um empecilho gigante para a gente ir junto com uma crian\u00e7a para a avenida. \u00c9 gigantesco, voc\u00ea precisa de muito documento e vai para a Vale da Inf\u00e2ncia. \u00c9 dado um alvar\u00e1 para a crian\u00e7a poder... Um alvar\u00e1 de... Oxe, um minuto j\u00e1, mas o que \u00e9 isso? Esse neg\u00f3cio \u00e9 muito r\u00e1pido. \u00c9 dado um alvar\u00e1 para que aquela crian\u00e7a fique ali tr\u00eas horinhas na avenida, n\u00e3o pode passar daquilo. Se passar, o coletivo paga 5 mil reais de multa. Sendo que aquela crian\u00e7a ficou ali ensaiando, o ano todo se preparando para o carnaval, o \u00e1pice dele \u00e9 a avenida, as luzes da avenida, \u00e9 tudo. Como que voc\u00ea... Entendeu? Mas \u00e9 isso. E a\u00ed a gente bateu numa quest\u00e3o que teve uma menina que a m\u00e3e dela n\u00e3o \u00e9 alfabetizada. E o que aconteceu? Ela n\u00e3o conseguia assinar. E a\u00ed o juiz n\u00e3o aceitava, n\u00e3o aceitava. A gente teve que fazer um mapeamento para achar um cart\u00f3rio que ainda aceita a digital. E a gente achou um cart\u00f3rio na Fazenda Rio Grande. Ent\u00e3o, durante tr\u00eas anos, a gente levava essa m\u00e3e at\u00e9 a Fazenda Rio Grande para essa m\u00e3e, porque a gente dialogou com ela e falou, p\u00f4, vamos aqui, tentamos tamb\u00e9m dialogar com ela para ensinar ela a ler e a escrever, e a\u00ed ela n\u00e3o quis ter os motivos dela. Mediante isso, o Bloco tamb\u00e9m abre uma oficina de alfabetiza\u00e7\u00e3o de jovens e adultos l\u00e1 na sede, e que vai ser ministrado por uma educanda da comunidade, Giovanna, que \u00e9 da comunidade, que conhece a comunidade, \u00e9 aquela quest\u00e3o, se eu coloco o L\u00e9o Cunta como arte educador dentro da comunidade do Capanema, ele vai ter que entender o territ\u00f3rio, ele vai ter que ter um estudo de um, dois anos para entender o territ\u00f3rio, para entender o que aquele territ\u00f3rio precisa. Se a gente forma multiplicadores do bem do territ\u00f3rio, ele j\u00e1 conhece a Dona Maria, j\u00e1 conhece a ciclana, sabe qual beco ele pode entrar, como ele pode entrar, entendeu? Ent\u00e3o, Giovanna \u00e9 uma arte educadora que foi formada pelas precesas do ritmo, pelo bloco afro pretinhosidade e agora vem essa retribui\u00e7\u00e3o, ela vai ser a professora porque ela est\u00e1 estudando pedagogia, isso mesmo, na PUC ent\u00e3o s\u00e3o essas coisas que a gente vem trazer do bloco afro pretinhosidade aqui muito obrigado pelo espa\u00e7o muito obrigado a essa casa, muito obrigado Renato por estar apoiando o movimento e a quest\u00e3o \u00e9 eu s\u00f3 queria, s\u00f3 mais uma coisinha precisamos no Paran\u00e1 voltar a ser MNU, Movimento Negro Unificado. A gente est\u00e1 muito dividido. Estamos muito divididos. \u00c9 isso. Jorley Santos, o nosso carinho. Obrigado tamb\u00e9m pela participa\u00e7\u00e3o. E agora n\u00f3s vamos ouvir tamb\u00e9m ela que faz parte do N\u00facleo de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade Federal do Paran\u00e1. Nos honra com a presen\u00e7a a\u00ed a doutora Lucimar Dias. Sete minutos. Obrigada. Boa noite. Boa noite a todos e todas. Quero come\u00e7ar agradecendo o convite. Em nome da Iagon\u00e3, da Almira e da crian\u00e7a que eu vi por a\u00ed, por dizer como o Jorley falou, essa continuidade \u00e9 fundamental. Como professora da Universidade Federal do Paran\u00e1, hoje, a frente do NEAB, que \u00e9 um n\u00facleo que muitas pessoas aqui conhecem, vejo ali na plateia v\u00e1rias pessoas que j\u00e1 passaram pelo NEAB, de alguma forma o NEAB j\u00e1 conversou com o movimento negro, porque n\u00f3s entendemos no NEAB que n\u00f3s somos movimento negro interno na universidade. E eu tenho a honra de estar presidindo esse movimento do n\u00facleo, e com um desafio muito grande. N\u00f3s estamos querendo pluralizar a universidade, que j\u00e1 conta com v\u00e1rios estudantes a partir das cotas, mas n\u00f3s precisamos tamb\u00e9m que esses estudantes vejam os professores e as professoras assumindo as disciplinas, os cursos. Ent\u00e3o, n\u00f3s elegemos para esse ano, essa gest\u00e3o com a qual eu estou trabalhando, o desafio de ampliar o n\u00famero de professores negros e negras na universidade. A gente sabe o quanto \u00e9 importante a presen\u00e7a. Obrigada. Quero contar com o apoio de voc\u00eas. Hoje n\u00f3s somos 35 professores autodeclarados pretos e 227 professores e professoras autodeclarados pardos. A gente est\u00e1 bem longe dos 30% que a legisla\u00e7\u00e3o das cotas institui como necessidade, como direito das pessoas negras. E n\u00e3o \u00e9 por falta de doutores e doutoras. Eu tenho tentado, no meu grupo de estudos e pesquisas, o EREIA, formar especialmente mulheres negras com mestrado e doutorado que sejam capazes de concorrer \u00e0s vagas de concursos p\u00fablicos. Estou aqui me orientando \u00e0 Val\u00e9ria, que est\u00e1 ali filmando, inclusive. E essa \u00e9 uma tarefa importante. Quando a Georgia mencionou que foi minha aluna do curso de pedagogia, qual \u00e9 a import\u00e2ncia de uma mulher negra, uma mulher preta, nesse espa\u00e7o da Universidade Federal, que se vangloria de ser a universidade mais antiga, e do Sul a melhor, e, de fato, ela \u00e9 uma universidade que tem qualidade, mas a gente tem conversado bastante, n\u00e3o existe qualidade se n\u00e3o existir equidade, se n\u00e3o existir equidade de g\u00eanero, se n\u00e3o existir equidade de ra\u00e7a. Ent\u00e3o, \u00e9 essa a nossa tarefa. N\u00f3s n\u00e3o estamos come\u00e7ando. O NEAB \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o que existe desde 2004, fundada por alunos, estudantes e professores. O professor Paulo Vin\u00edcius, que muitos de voc\u00eas tamb\u00e9m conhecem, foi uma pessoa important\u00edssima para o NEAB. Ent\u00e3o, n\u00f3s n\u00e3o estamos come\u00e7ando. Estamos continuando e permanecendo nessa luta. Isabela, enfim, \u00e9 muito legal estar aqui nessa roda, nessa gira como a colega falou porque eu estou olhando do outro lado a rede de mulheres negras as Fernandas, a \u00c2ngela a Fabiola que tem uma pesquisa incr\u00edvel ent\u00e3o n\u00f3s estamos podendo comemorar sim 30 anos de MNU porque o MNU tamb\u00e9m me formou l\u00e1 no Mato Grosso do Sul Edson Cardoso e Eda Leal foram as pessoas que orientaram o meu grupo de origem, que se chama TES, Trabalhos e Estudos Zumbi, e n\u00f3s fomos formadas tamb\u00e9m por esse ber\u00e7o, que \u00e9 o MNU, e por essa proposta de coletividade. Eu acho que a maior li\u00e7\u00e3o que n\u00f3s, negros e negras, aprendemos \u00e9 que, para superarmos o racismo brasileiro e essa estrutura que est\u00e1 institu\u00edda, n\u00f3s s\u00f3 fazemos isso no coletivo. E n\u00f3s temos feito. \u00c9 dif\u00edcil, \u00e0s vezes d\u00f3i, Deputado Adjuto, mas n\u00f3s n\u00e3o recuamos. Nenhum momento da nossa vida, e eu falo isso porque eu tenho 59 anos, comecei a militar aos 17, 18 anos, mas eu j\u00e1 militava como crian\u00e7a negra na escola, quando a gente tem que se colocar contra as opress\u00f5es de racismo que n\u00f3s vivemos e que a gente nem entende o que est\u00e1 acontecendo. Foi a\u00ed que eu comecei a pesquisar inf\u00e2ncias negras. Quando eu comecei a pesquisar inf\u00e2ncias negras, eu fazia o magist\u00e9rio, que eu sou desse tempo. E uma crian\u00e7a, que eu estava fazendo est\u00e1gio, uma crian\u00e7a chegou perto de mim e falou, posso ficar do teu lado? Isso me intrigou bastante. Uma menina que devia estar querendo brincar com as outras colegas queria ficar do meu lado, que era uma adulta. Eu falei, mas por que voc\u00ea quer ficar perto de mim? E ela falou, porque voc\u00ea \u00e9 a \u00fanica igual a mim. e passou a m\u00e3o no bra\u00e7o. Eu nunca mais esqueci isso. Essa cena me comprometeu com a luta antirracista, especialmente com a luta para que as crian\u00e7as, as nossas crian\u00e7as negras, possam viver experi\u00eancias de ser negras sem ser pelo racismo. Que elas gostem do que elas vejam, que elas valorizem o seu cabelo. E eu tenho muito orgulho de dizer que n\u00f3s estamos formando professoras no grupo EREIA, mas tamb\u00e9m \u00e9 uma estrat\u00e9gia que o NEAB est\u00e1 conversando com as licenciaturas, os cursos, as disciplinas, precisam considerar a hist\u00f3ria e cultura afro-brasileira. \u00c9 uma lei que tem 23 anos e muitas forma\u00e7\u00f5es ainda acontecem sem o trato da hist\u00f3ria e cultura afro-brasileira. Ent\u00e3o, n\u00f3s temos nos comprometido com essa agenda, que n\u00e3o \u00e9 uma agenda minha, n\u00e3o \u00e9 uma agenda da Universidade Federal do Paran\u00e1, \u00e9 uma agenda do movimento negro, \u00e9 uma agenda que Nilma Lino t\u00e3o bem descreveu, constru\u00edda pelo movimento negro educador. E o MNU, sem d\u00favida nenhuma, tem uma assinatura muito forte em todas as lutas que n\u00f3s temos travado. Ent\u00e3o, \u00e9 muito bonito ver a Almira firme, forte e valente trazendo para n\u00f3s essa possibilidade da continuidade e da perman\u00eancia que \u00e9 a luta contra o racismo na sociedade brasileira n\u00f3s estamos aqui estamos de p\u00e9, dan\u00e7ando e vamos continuar at\u00e9 que a sociedade brasileira garanta toda a repara\u00e7\u00e3o que \u00e9 devida ao povo negro, muito obrigada doutora L\u00facia Mar Dias, o nosso carinho tamb\u00e9m muito obrigado e agora nos ouvir ela \u00e9 da PP Sindicato do Setor de Combate ao Racismo com a palavra, seis minutos Celina Silva, a palavra sua Boa noite gostaria de cumprimentar a mesa na pessoa da Zira na pessoa tamb\u00e9m desta maravilhosa que \u00e9 Almira, que j\u00e1 comemoramos muitos anivers\u00e1rios do MN1 l\u00e1 na PP Sindicato Renato, mais uma vez, n\u00f3s estamos aqui. \u00c9 muito bom falar, depois de v\u00e1rias pessoas, Vida Longa, o MNU, que criou v\u00e1rios movimentos que elevam isso que a Luciana Mara acabou de falar. \u00c9 quando a gente sai da m\u00e3e, da barriga de uma m\u00e3e negra, que l\u00e1 a gente j\u00e1 come\u00e7a a resist\u00eancia para nascer l\u00e1 numa favela, l\u00e1 no munic\u00edpio da Lapa, e hoje estar aqui representando um sindicato que faz a diferen\u00e7a na vida das pessoas. Ent\u00e3o, se hoje a Celina est\u00e1 Secret\u00e1ria de promo\u00e7\u00e3o e igualdade racial, o combate ao racismo da PP Sindicato, tem uma responsabilidade muito grande. Porque muitas pessoas fizeram essa resist\u00eancia e constru\u00edram. E esse legado a gente precisa levar. Ent\u00e3o, a responsabilidade \u00e9 muito grande. Ent\u00e3o, sair de dentro de uma cozinha, de uma escola l\u00e1 no munic\u00edpio de Arauc\u00e1ria, representar todo esse movimento negro, MN1, Rede Mulheres Negras do Paran\u00e1, e o Compir, que eu carrego com muito carinho, o nosso Compir da Arauc\u00e1ria, que \u00e9 l\u00e1 onde n\u00f3s temos que fazer a nossa defesa, l\u00e1 onde a gente precisa plantar muitas sementes, porque sabemos que j\u00e1 foi muito, j\u00e1 foi dito aqui, que n\u00f3s estamos numa sociedade extremamente racista. E ver tanto preto junto, tanta preta junta, \u00e9 muito bom. E sabe, Renato, muitas e muitas vezes, essa semana eu estive refletindo muito, quando eu ou\u00e7o Andr\u00e9ia falar, quando eu ou\u00e7o Prego falar quando eu ou\u00e7o Gioja falar e outras pessoas que eu n\u00e3o vou come\u00e7ar a mencionar aqui que eu posso esquecer algu\u00e9m, quando a gente ouve a not\u00edcia tem um Deputado preto que os brancos querem ca\u00e7ar por qu\u00ea? porque eles n\u00e3o nos querem no espa\u00e7o que sempre foi nosso e sempre foi n\u00f3s negado e eu falo do local da educa\u00e7\u00e3o que mesmo l\u00e1 fazendo a sopa, fazendo o risoto, fazendo a farofa, a gente educa nossas crian\u00e7as. Eles se espelham na gente, sim. E h\u00e1 dois anos atr\u00e1s, Renato, no dia 20 de novembro, eu me lembro como se fosse hoje, n\u00e3o foi nesta mesma sala, porque foi l\u00e1 no plenarim. Quando voc\u00ea falou que voc\u00ea s\u00f3 chegou onde voc\u00ea est\u00e1 porque a educa\u00e7\u00e3o te salvou. ent\u00e3o \u00e9 mais uma responsabilidade que n\u00f3s temos n\u00f3s temos responsabilidade quando a gente educa uma crian\u00e7a, quando a gente est\u00e1 l\u00e1 na cozinha, quando a gente est\u00e1 l\u00e1 na secretaria quando a gente est\u00e1 na sala de aula e quando a gente est\u00e1 l\u00e1 na universidade a nossa responsabilidade \u00e9 um pouco maior porque a gente sabe que aquela sementinha que foi jogada l\u00e1 no prezinho da escola chegou numa universidade Mas tamb\u00e9m, por outro lado, a gente sabe tamb\u00e9m Como j\u00e1 foi dito aqui Que muitas e muitas vezes as balas perdidas Elas n\u00e3o s\u00e3o perdidas Elas s\u00e3o direcionadas E s\u00f3 acham os nossos corpos pretos mesmo Sobreviver dentro de uma favela n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil Porque muitas e muitas vezes A gente dorme j\u00e1 querendo arrumar a cama do filho pertinho para voc\u00ea jogar o filho para debaixo da cama. Eu sou uma m\u00e3e negra da favela. Ent\u00e3o, o que voc\u00ea fala, Andr\u00e9, eu sei perfeitamente o que muitas pessoas aqui passaram, eu sei perfeitamente o que \u00e9 isso. Quando a gente fala, falar um pouquinho o MNU, assim, muita resist\u00eancia, muita for\u00e7a, nos ensinou muito, mas n\u00f3s precisamos falar da data de hoje desta aboli\u00e7\u00e3o inacabada porque amanh\u00e3 n\u00f3s vamos amanhecer e dizer assim este 14 faz muito tempo que ele n\u00e3o terminou dizem, e eu na escola assim, quando ela chegava o dia 13 eu dizia bem assim, eu quero ver o rosto da princesa Isabel porque ela libertou os escravos mas libertou os escravos e era a princesa que a gente tinha nos nossos sonhos, porque \u00e9 s\u00f3 l\u00e1 na escola que a gente sabe que a gente \u00e9 preto porque dentro de casa s\u00e3o todos iguais l\u00e1 na escola a gente sabe que a gente \u00e9 preto e a gente tamb\u00e9m fala muito n\u00f3s enquanto educadores e educadoras que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 quem est\u00e1 l\u00e1 na escola um minuto quem est\u00e1 l\u00e1 na escola mas assim, a gente educa tamb\u00e9m dentro da nossa sociedade a gente educa muito dentro da nossa sociedade Quando a gente diz assim, fa\u00e7a o enfrentamento, voc\u00ea \u00e9 capaz. Quando sai o terceiro ano, do terceiro ano os alunos dizem, vou parar por aqui, n\u00e3o, voc\u00ea \u00e9 capaz de ir para uma universidade, para uma faculdade. E da\u00ed o dia 13 diz que a Princesa Isabel, ela libertou os escravos, mas nos faltou terra, teto, educa\u00e7\u00e3o e dignidade. Que este grupo, esta roda que est\u00e1 aqui vive em busca. devemos muito para os nossos ancestrais os que vieram antes da gente que perderam a sua vida muitas pessoas, aqui a gente tem uma foto mas se a gente for olhar na hist\u00f3ria a gente tem muita gente que fez, deu a sua vida para estarmos aqui hoje e s\u00f3 para encerrar eu quero dizer que tamb\u00e9m fala-se muito na constitui\u00e7\u00e3o que \u00e9 a carta magna tem um artigo lindo, maravilhoso me corrijam se eu estiver errada mas n\u00f3s temos a\u00ed um advogado o que diz o nosso artigo quinto da constitui\u00e7\u00e3o somos todos iguais perante a lei que lei \u00e9 essa que protege pretos e pretas porque j\u00e1 teve que ter um estatuto da igualdade racial para nossas escolas contarem a nossa hist\u00f3ria teve que ter a 10 mil que n\u00f3s sabemos que hoje quando tem a chamada por reconhecimento facial nossos alunos pretos e pretas n\u00e3o s\u00e3o reconhecidos ent\u00e3o n\u00f3s precisamos sim melhorar a nossa educa\u00e7\u00e3o n\u00f3s precisamos sim n\u00f3s enquanto pretos e pretas dizer porque que n\u00f3s viemos e n\u00e3o \u00e9 simplesmente a gente achar que est\u00e1 tudo certo porque algu\u00e9m consegue chegar l\u00e1 n\u00e3o, unidos e fortes n\u00f3s temos que chegar trago meu abra\u00e7o da PP Sindicato de toda a dire\u00e7\u00e3o da PP Sindicato, estamos juntos, estamos juntos, e assim, esse lugar sempre foi seu, sempre foi nosso, e n\u00e3o v\u00e3o nos tirar. Muito obrigada. Selena Silva, tamb\u00e9m, o nosso carinho, muito, muito obrigado por estar conosco nesta noite especial. Senhoras e senhores, bem, as tr\u00eas autoridades que agora far\u00e3o uso da palavra est\u00e3o aqui representando algumas institui\u00e7\u00f5es, Eles far\u00e3o uso da palavra S\u00f3 que a partir da fala deles N\u00f3s vamos ent\u00e3o a partir de agora Assumir o compromisso de combate Ao racismo institucional E todas as formas de viol\u00eancia Na perspectiva de um mundo Na qual com dignidade Seja ent\u00e3o respeitada Ent\u00e3o nesse momento, por gentileza N\u00f3s vamos ouvir agora Ele que \u00e9 defensor p\u00fablico Nesse momento ent\u00e3o com a palavra O doutor David Alexandre de Santana Bezerra Boa noite e a todas as pessoas que est\u00e3o aqui presentes. Eu quero dar um abra\u00e7o bem fraternal e cumprimentar a todos na pessoa do nosso anfitri\u00e3o, o Deputado Renato Freitas, Presidente dessa audi\u00eancia. Deputado, eu quero, antes de tudo, lhe agradecer pelo carinho de enviar esse convite para a Defensoria P\u00fablica. A Defensoria P\u00fablica tem um prazer imenso de estar presente aqui. Eu, particularmente, tenho um prazer imenso de estar participando dessa audi\u00eancia p\u00fablica, especialmente depois de ouvir falas t\u00e3o potentes das minhas irm\u00e3s, dos meus irm\u00e3os \u00e9 o tipo de espa\u00e7o destinado \u00e0 ag\u00eancia p\u00fablica por ess\u00eancia, \u00e9 um espa\u00e7o destinado a ouvir, \u00e9 um espa\u00e7o de discuss\u00e3o, \u00e9 um espa\u00e7o de constru\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es constru\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias para que a gente combata, para que a gente de alguma forma apresente uma resist\u00eancia, como foi colocado aqui brilhantemente por muitas pessoas a um problema, a um v\u00edcio social, a uma maldi\u00e7\u00e3o social, que \u00e9 o maltrato das pessoas negras no nosso pa\u00eds, que s\u00e3o assoladas diariamente. E a Defensoria P\u00fablica \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o que, por isso a minha fala vai ter uma t\u00f4nica um pouco diferente de todas que me antecederam, porque a Defensoria, eu estou aqui falando em nome da Institui\u00e7\u00e3o da Defensoria P\u00fablica, ela tem como miss\u00e3o somar a essa luta desses movimentos que aqui colocaram muito bem pautas, colocaram muito bem medidas que j\u00e1 v\u00eam adotando para poder combater o racismo, combater, erradicar, fazer de tudo para que a gente n\u00e3o sofra mais essas mazelas que a branquitude nos imp\u00f5e. Enquanto Defensoria P\u00fablica, a gente queria que todos aqui tivessem plena convic\u00e7\u00e3o, pleno conhecimento de qual \u00e9 o papel da Defensoria P\u00fablica e como a gente pode somar na luta junto com voc\u00eas. Por isso que eu digo que a minha fala \u00e9 um pouco diferente, que aqui, em vez de eu trazer experi\u00eancia, em vez de eu trazer conhecimento, eu venho aqui entregar algumas armas para voc\u00eas. Eu quero colocar a minha institui\u00e7\u00e3o \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para a luta do nosso povo negro. A Defensoria P\u00fablica foi criada constitucionalmente pela nossa Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 e, desde ent\u00e3o, tem tentado assumir de forma minimamente eficiente a sua fun\u00e7\u00e3o no sistema de justi\u00e7a. E a\u00ed, segundo o que diz a nossa Constitui\u00e7\u00e3o, especialmente depois das \u00faltimas reformas na Constitui\u00e7\u00e3o, promovidas em 2014, a fun\u00e7\u00e3o da Defensoria P\u00fablica \u00e9 primordialmente ser um agente de promo\u00e7\u00e3o dos direitos humanos, ser a institui\u00e7\u00e3o que vai fazer a ponte, a institui\u00e7\u00e3o que vai conseguir amplificar a voz das pessoas consideradas vulner\u00e1veis. E a gente, o povo negro, naturalmente, n\u00e3o tem nenhuma d\u00favida de que somos vulner\u00e1veis nessa sociedade. Ent\u00e3o, a Defensoria P\u00fablica \u00e9 para ser vista por voc\u00eas como uma institui\u00e7\u00e3o amiga, parceira, que voc\u00eas podem contar para que a gente possa levar essas nossas lutas no que a gente chama de sistema de justi\u00e7a. Eu n\u00e3o gosto de usar essa palavra, sistema de justi\u00e7a, eu n\u00e3o gosto de confundir o servi\u00e7o que \u00e9 colocado \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da sociedade pela defensoria p\u00fablica como acesso \u00e0 justi\u00e7a, porque sugere poder judici\u00e1rio, sugere levar as coisas para uma demanda judici\u00e1ria, e a gente sabe, muitas vezes, a gente n\u00e3o pode contar com o poder judici\u00e1rio. Renato Freitas, Deputado, j\u00e1 teve muitas experi\u00eancias desagrad\u00e1veis quando dependeu do poder judici\u00e1rio. E, por isso, eu n\u00e3o gosto de ver o judici\u00e1rio como uma esp\u00e9cie de grande salvador da sociedade. Eu acho que as coisas t\u00eam que ser constru\u00eddas aqui. T\u00eam que ser constru\u00eddas nas pol\u00edticas p\u00fablicas, nas casas de leis, no parlamento, no governo, no executivo. E a Defensoria P\u00fablica tem que atuar com voc\u00eas nessas fases. Provocar o judici\u00e1rio \u00e9 quando deu tudo errado. \u00c9 para ser a \u00faltima cartada. Inclusive, que nem sempre funciona. Por isso, a gente tem que ocupar esses espa\u00e7os, como foi muito bem colocado aqui por pessoas negras, trazer n\u00f3s para decidir sobre n\u00f3s. E a Defensoria P\u00fablica quer estar presente, quer fazer parte disso. E a gente tem muito prazer de estar aqui, Deputado, porque eu preciso conhec\u00ea-los, eu preciso ter acesso a essas autoridades que est\u00e3o aqui, preciso que essas autoridades saibam do nosso papel, conte conosco, nos provoquem para que a gente some nessas batalhas. Por isso, estar aqui para mim hoje, Deputado, foi um grande prazer. Agrade\u00e7o mais uma vez o convite. Foi aqui que eu consegui ter acesso e ouvi-los e espero que a gente se conecte para que a Defensoria P\u00fablica some esfor\u00e7os junto com voc\u00eas nessa luta, porque voc\u00eas n\u00e3o est\u00e3o sozinhos. A Defensoria P\u00fablica est\u00e1 aqui enquanto institui\u00e7\u00e3o p\u00fablica que soma essa for\u00e7a. Eu sei que o Estado nunca foi visto por n\u00f3s como um amigo, Mas, pelo menos, eu quero que voc\u00eas vejam a Defensoria P\u00fablica como uma institui\u00e7\u00e3o amiga e contem conosco para ajud\u00e1-los a combater e buscar a erradica\u00e7\u00e3o do racismo no Brasil. Muito obrigado. Doutor David, o nosso carinho tamb\u00e9m, muito obrigado. Leve o nosso abra\u00e7o a todos l\u00e1 da Defensoria P\u00fablica. Muito obrigado. Bem, agora n\u00f3s vamos ouvir a sempre, sempre estar conosco, a pessoa muito especial para n\u00f3s. Bem, ela \u00e9 a assessora t\u00e9cnica nesse ato, representando a secretaria de Estado da Mulher, ou a Secret\u00e1ria de Estado da Mulher, representando a Mariana de Souza Machato. Ent\u00e3o, nesse momento, com a palavra, a Clemilda Santiago, por gentileza, seis minutos. Boa noite. Boa noite a todos, a todas. Agradecemos o convite ao Deputado Adjuto. Agrade\u00e7o a mesa nominando a Almira Marcial Correia. Almira, lideran\u00e7a do MNU, da Alzira, Iagun\u00e3 da Alzira. E quando voc\u00ea falava, Almira, sobre os educadores negros, Eu estava lembrando, eu estou na estrutura de Estado desde 1988, quando eu fiz um concurso para professora. E, em 2002, eu vim para Curitiba, para a estrutura da Secretaria do Estado da Educa\u00e7\u00e3o, num momento em que o movimento negro, pessoas negras dentro da estrutura, na estrutura do Estado, era praticamente imposs\u00edvel. Lembra, Almira? Pois \u00e9. Mas eu, na estrutura, e com o apoio do MNU, Almira Marcial Correia, Ivo, com o apoio do Grucom, professora Nara Iago Nanda Osira ACNAP APP Sindicato professor Luiz Paix\u00e3o, Romeu Gomes de Miranda Angela Sarnesck Ilua\u00ea Odara que me apoiaram me fortaleceram dentro daquela estrutura e trabalharam comigo e algu\u00e9m aqui falou que, quando n\u00e3o abre a porta, a gente arrebenta? Ent\u00e3o, Almira Maciel Correia foi um exemplo disso em um dado momento. N\u00e3o vamos aqui... N\u00e3o vou ficar contando a hist\u00f3ria. Mas a Almira, o MNU, na pessoa da Almira, trazendo esse grupo de entidades, institui\u00e7\u00f5es do movimento social negro, justamente no momento em que surge a 10.639. E a\u00ed essas institui\u00e7\u00f5es do movimento social negro apoiam, subsidiando o Estado para a constru\u00e7\u00e3o dos educadores negros, dos eventos dos educadores negros. Ent\u00e3o, quando a estrutura de Estado se abre para que o movimento social negro esteja junto, trabalhando e reconhece a import\u00e2ncia de se ter esse movimento negro educador junto, dizendo para o Estado como \u00e9 que se faz e o que \u00e9 que precisava ser feito. Ent\u00e3o, a partir dali, n\u00f3s tivemos grandes avan\u00e7os, justamente no trabalho com os eventos de educadores negros. Nos educadores negros, surgiram alguns professores dizendo sobre as fam\u00edlias negras que estavam no meio rural e que eram descendentes de pessoas que foram escravizadas. E \u00e9 quando se elabora o projeto para o trabalho de saber onde est\u00e3o essas fam\u00edlias e o que essas fam\u00edlias precisavam para ter a sua vida melhorada. E a\u00ed, quando, Renato, voc\u00ea traz essa audi\u00eancia p\u00fablica e homenageia o MNU e traz todo esse potencial aqui, dizendo quais s\u00e3o as demandas e o que \u00e9 que o povo negro precisa, porque n\u00f3s sabemos o que \u00e9 que n\u00f3s precisamos. N\u00e3o \u00e9 o Estado que sabe, n\u00f3s sabemos. Ent\u00e3o, n\u00f3s \u00e9 que precisamos dizer para o Estado o que n\u00f3s precisamos para que o Estado cumpra. E hoje n\u00f3s temos o Conselho Estadual de Pol\u00edticas para a Promo\u00e7\u00e3o da Igualdade Racial, que \u00e9 parit\u00e1rio, e o movimento social est\u00e1 ali trabalhando de forma parit\u00e1ria com as entidades governamentais, a estrutura governamental, e as pol\u00edticas est\u00e3o sendo constru\u00eddas, constru\u00eddas nessa, vamos dizer, nessa parceria. Nessa parceria. Ent\u00e3o, quando n\u00f3s homenageamos o MNU, que \u00e9 uma for\u00e7a, que, como eu estava dando exemplo aqui, naquele momento, abrindo portas, para que o Estado passasse a ouvir o movimento social negro. Aqui, voc\u00ea est\u00e1 trazendo para essa audi\u00eancia esse movimento social que est\u00e1 dizendo o que precisa. E o Estado, eu estou aqui representando uma Secret\u00e1ria do Estado, Secret\u00e1ria do Estado da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa, que tem o compromisso da constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas de igualdade racial. Ent\u00e3o, alguns passos j\u00e1 foram dados e n\u00f3s precisamos que as pol\u00edticas tenham continuidade. E esse \u00e9 o nosso compromisso aqui, nesse momento, agora. A continuidade da pol\u00edtica. Muito obrigada. Clemilda, o nosso carinho tamb\u00e9m, nosso muito, muito obrigado pela sua presen\u00e7a. Bem, n\u00f3s vamos agora ouvir, ele \u00e9 representante da Sociedade Civil junto ao Conselho pela Uni\u00e3o da Comunidade dos Estudantes e Profissionais Haitianos. Nesse ato, ent\u00e3o, representando o Conselho Estadual de Promo\u00e7\u00e3o da Igualdade Racial, o CONCEPIR. Nesse momento, ent\u00e3o, com a palavra, cinco minutos, ao senhor Wilsort Senatos. Boa noite a todos. Cumprimento excelent\u00edssimas autoridades que est\u00e3o presentes. Cumprimento o nosso excelent\u00edssimo Deputado estadual, Renato Freitas. Est\u00e1 chegando, sim. Ansioso, n\u00e3o \u00e9? E cumprimento a mesa e cumprimento representantes dos movimentos sociais, pessoas de lutas, companheiros, companheiras que est\u00e3o aqui presentes. Eu sou Wilson, cidad\u00e3o brasileiro, natural do Haiti. E eu sou conselheiro do Conselho Compir, munic\u00edpio almirante da Mandar\u00e9. E eu sou conselheiro tamb\u00e9m dentro do Conselho Estadual. Fa\u00e7o uso da palavra em nome do Conselho Estadual. no qual que nossa Presidente Lula n\u00e3o pode estar presente por uma raz\u00e3o maior. E hoje estou aqui apresentando, numa ocasi\u00e3o t\u00e3o importante e t\u00e3o significativa, a celebra\u00e7\u00e3o dos 30 anos de lutas, resist\u00eancia, organiza\u00e7\u00e3o do movimento negro unificado. Entendemos que o movimento contribui diretamente para a importante conquista, como fortalecimento das pol\u00edticas p\u00fablicas e igualdade racial, reconhecimento da cultura afro-brasileira, amplia\u00e7\u00e3o do debate sobre o racismo estrutural, a defesa da juventude negra, das mulheres negras e da comunidade perif\u00e9rica. Ent\u00e3o, o conselho que eu estou representando est\u00e1 numa nova gest\u00e3o, 2026\/2029, e assumimos agora. Enquanto representante da sociedade civil, dentro do conselho, estamos para sumar com voc\u00eas nas suas lutas, estamos para acolher e debater junto com os movimentos sociais que n\u00f3s estamos representando. O Conselho reafirma seu compromisso com o di\u00e1logo, com a justi\u00e7a social e com a reconstru\u00e7\u00e3o da sociedade mais humana, democr\u00e1tica e igualit\u00e1ria. Mais uma vez, parabenizo o Movimento Negro Unificado por seus 30 anos de hist\u00f3ria, resist\u00eancia e transforma\u00e7\u00e3o social, que esta trajet\u00f3ria continue inspirando novas gera\u00e7\u00f5es \u00e0 luta por uma futura onde igualdade racial n\u00e3o seja apenas um ideal, mas tornar uma realidade concreta. Muito obrigado. Viva o movimento negro unificado. Tamb\u00e9m o nosso muito obrigado pela presen\u00e7a. Deputado, daqui a pouquinho n\u00f3s teremos ent\u00e3o participa\u00e7\u00e3o ou participa\u00e7\u00f5es de duas pessoas do nosso plat\u00e9ia. Ent\u00e3o, por gentileza, quem vai fazer uso da palavra, daqui a pouquinho. S\u00f3 que agora, Deputado, n\u00f3s teremos um momento muito especial. Bem, eu vou convid\u00e1-lo e tamb\u00e9m eu vou convidar para elas agora, aqui no meio ou aqui do seu ladinho. Bem, nesse momento, n\u00f3s vamos entregar um certificado, Deputado, um certificado mais, mais que especial. Entregar o certificado, ent\u00e3o, \u00e0 dona Almira Maria Maciel e tamb\u00e9m \u00e0 sua filha, a Fab\u00edola Maciel Correia, onde Aqui est\u00e1 a Fabiola. Vem para c\u00e1, Fabiola. Vamos fazer em cima mesmo, Deputado, pode ser ou n\u00e3o? Ou ali na frente, vamos l\u00e1. Ent\u00e3o, Deputado, por gentileza, na frente ali. Eu vou pedir, ent\u00e3o, o carinho da Almira e tamb\u00e9m da Fabiola. E n\u00f3s temos, ent\u00e3o, a Almira, um momento muito especial. S\u00e3o 30 anos a\u00ed do movimento negro unificado. E a partir desse momento, ent\u00e3o, o certificado que n\u00f3s vamos entregar, a Almira tem os seguintes dizeres. Certificamos que o Movimento Negro Unificado O MNU Paran\u00e1 Ele foi respons\u00e1vel pela proposi\u00e7\u00e3o tem\u00e1tica E participou ent\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o e coorganiza\u00e7\u00e3o da audi\u00eancia p\u00fablica Realizada hoje dia 13 de maio de 2006 \u00c0s 18h30 aqui no audit\u00f3rio legislativo Deputado Rubens Recalcate que \u00e9 esse espa\u00e7o Ent\u00e3o foi feito pela Comiss\u00e3o de Igualdade Racial da Assembleia Legislativa do Estado do Paran\u00e1 Em celebra\u00e7\u00e3o aos 30 anos da funda\u00e7\u00e3o do movimento negro unificado no Paran\u00e1 E tamb\u00e9m ao dia nacional de den\u00fancia contra o racismo Certificado ent\u00e3o a data de hoje, 13 de maio de 2006 Assinado ent\u00e3o pelo excelente Deputado Renato Freitas Senhoras e senhores, essa foto merece uma salva de palmas E a Almira tamb\u00e9m merece todo o nosso carinho Deputado Adjuto, a Fabiola quer falar tamb\u00e9m algumas palavras. Isso, Fabiola? Vamos l\u00e1, ent\u00e3o. Por favor. Muito obrigada. Boa noite. A gente est\u00e1 emocionado aqui, feliz. A nossa coordena\u00e7\u00e3o est\u00e1 em Londrina, nos assistindo online. Nossa coordenadora Mariana, nossa tesoureira Beatriz. eu sou Secret\u00e1ria do MNU todas as nossas filiadas e filiados alguns presentes ent\u00e3o muito obrigada o momento \u00e9 de gratid\u00e3o mas tamb\u00e9m para lembrar que gra\u00e7as a toda a organiza\u00e7\u00e3o do mandato do Renato Freitas da Georgia Prates da Carol D&#039;Artora do vereador Anderson Prego da vereadora Miss Preta que tamb\u00e9m n\u00e3o p\u00f4de comparecer A gente conseguiu organizar esse momento Ent\u00e3o \u00e9 um momento celebrativo O primeiro momento celebrativo dos 30 anos do MNU Ent\u00e3o hoje, dia 13 de maio Celebramos 30 anos Desculpe, 30 anos aqui Nesta casa do povo Mas em junho No dia 5 de junho Estamos nos organizando para um festere A celebra\u00e7\u00e3o vai ter Mais festa E tamb\u00e9m debate E tamb\u00e9m reflex\u00e3o mas vai acontecer se tudo correr conforme o planejado na nossa Sociedade 13 de Maio. Na nossa Sociedade 13 de Maio, no nosso territ\u00f3rio. Ent\u00e3o, sintam-se todos convidados. Agradecemos mais uma vez todo o movimento que a sua assessoria fez, Deputado. Foi imprescind\u00edvel a sua assessoria com a assessoria da vereadora Georgia e os demais. Foi realmente incr\u00edvel, mas todo o projeto, todo o pensado, foram pelos nossos militantes do Emenil Paran\u00e1 para essa celebra\u00e7\u00e3o, neste espa\u00e7o e no espa\u00e7o do dia 5 de junho. Est\u00e3o todos convidados e muito obrigada. Fab\u00edola Maciel, nosso carinho, obrigado pelas palavras. Agora o Deputado retorna ao seu lugar de honra, por gentileza, Deputado. Tamb\u00e9m a Almira Maria Maciel retorna ao seu lugar. Bem, s\u00f3 lembrando ent\u00e3o, toda audi\u00eancia p\u00fablica, senhores, sempre tem a participa\u00e7\u00e3o do nosso p\u00fablico muito especial gostaria de saber, ent\u00e3o, duas pessoas j\u00e1 est\u00e3o inscritos, j\u00e1 tem o nome de voc\u00eas a\u00ed, que eu vou falar por dois minutos quem gostaria, ent\u00e3o, por gentileza vem aqui do meu ladinho, por favor, vem aqui no meio aqui, \u00f3, isso pra que o senhor possa, ent\u00e3o, estar a\u00ed sendo filmado para todo o nosso lindo Brasil ent\u00e3o, por gentileza, aqui do meu ladinho por favor, ent\u00e3o, dois minutos dois minutos, dois isso, e a\u00ed n\u00f3s temos mais uma participa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m, ent\u00e3o s\u00f3 diz seu nome e por favor, fique \u00e0 vontade Boa noite a todos, meu nome \u00e9 Carlos Abdular, sou do MNU do Rio de Janeiro e estou representando aqui dois fundadores da nossa entidade Edo Ferreira, que foi o pensador dessa institui\u00e7\u00e3o ao longo dos anos, formou a gera\u00e7\u00e3o 70, 80, 90, que \u00e9 o meu caso, e Eust\u00e1quio Rodrigues tamb\u00e9m, que \u00e9 um dos nossos pensadores e que hoje est\u00e1 a\u00ed na elabora\u00e7\u00e3o n\u00f3s estamos na elabora\u00e7\u00e3o do projeto pol\u00edtico do povo negro, por entendermos que a luta de repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica passa pelo confronto direto com essa elite escravocrata que n\u00f3s temos a\u00ed, que domina at\u00e9 os dias de hoje o Estado brasileiro. Ent\u00e3o, n\u00e3o d\u00e1 para me estender por muito tempo, n\u00e3o d\u00e1 para me estender, s\u00f3 queria colocar isso para voc\u00eas. N\u00f3s, por um longo tempo de estudo, porque \u00e9 uma guerra constante, permanente, entendemos que existe um processo separatista em andamento no estado do Paran\u00e1, vindo de Santa Catarina, e, por isso, o objetivo do lan\u00e7amento do projeto pol\u00edtico do povo negro no Paran\u00e1, na cidade de Curitiba, \u00e9 justamente para darmos uma resposta inicial da luta de repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica que n\u00f3s vamos desencadear nas ruas, \u00e9 Curitiba o ponto central do lan\u00e7amento desse projeto isso foi feito no Rio de Janeiro no ano passado foi lan\u00e7ado um livro e agora vai ser lan\u00e7ado um projeto nacional a partir do estado do Paran\u00e1 obrigado a todos, muito obrigado muito obrigado pela participa\u00e7\u00e3o, pergunta, viaja ainda hoje vai ficar conosco ele falou que \u00e9 de longe agora n\u00f3s teremos ent\u00e3o mais uma pessoa a participar conosco Quem vai fazer uso da palavra? Tem mais algum inscrito? Vem c\u00e1, ent\u00e3o, por favor, vem c\u00e1, vem c\u00e1. L\u00e1 no final, l\u00e1 nos fundos, vem para c\u00e1. Ent\u00e3o, enquanto n\u00f3s aguardamos, senhores, enquanto n\u00f3s aguardamos, s\u00f3 lembrando que todas as fotos, o Ant\u00f4nio, que \u00e9 o nosso profissional, nosso fot\u00f3grafo, todas as fotos aqui registradas estar\u00e3o no nosso site. Ent\u00e3o, os senhores poder\u00e3o, ent\u00e3o, pegar as fotos e compartilhar com muitas pessoas, perfeito? Ent\u00e3o, por gentileza, seu nome e a sua participa\u00e7\u00e3o brilhante. Vamos l\u00e1. Boa noite, boa noite. Eu sou a \u00c2ngela Elizabeth Sarneski, sou ativista do Movimento de Mulheres, do Movimento Negro, da Rede Mulheres Negras. Estou muito orgulhosa de estar aqui com a Almira, porque n\u00f3s j\u00e1 fizemos N viagens, N encontros participando das lutas do MDU. Falaram do Iedo, uma pessoa maravilhosa. Agradecer ao Renato e a todas. E eu queria fazer mais uma provoca\u00e7\u00e3o. \u00c9 importante que as falas aqui foram fundamentais, mas, ao mesmo tempo, precisar\u00edamos que a branquitude ouvisse tudo isso. E dizer tamb\u00e9m que 20 anos de lei, 10.639, 11.645, mas ainda essas duas leis e o Estatuto da Igualdade Racial n\u00e3o est\u00e1, de fato, sendo aplicado nas escolas p\u00fablicas do estado e do munic\u00edpio. E isso \u00e9 uma luta. O gabinete tem participado da comiss\u00e3o, mas h\u00e1 dificuldade. A gente n\u00e3o pode pegar um estado que tem quase 400 munic\u00edpios e um, dois, tr\u00eas ou dez munic\u00edpios aplicam a lei. N\u00f3s precisamos que todos os munic\u00edpios apliquem a lei. E a\u00ed, mais uma vez, o que n\u00f3s vamos fazer? Dialogar? Dialogamos? Ent\u00e3o, n\u00f3s vamos ter que recorrer ao Minist\u00e9rio P\u00fablico, \u00e0 Defensoria, porque, como foi falado, a Almira, o movimento negro do Estado do Paran\u00e1, \u00e9 que levou, trouxe essa discuss\u00e3o para dentro da PP Sindicato, para dentro da Secretaria da Educa\u00e7\u00e3o, e, de l\u00e1 para c\u00e1, n\u00f3s estamos patinando, patinando, patinando. N\u00f3s estamos fazendo o nosso trabalho, mas muita coisa ainda precisa ser feita. E, como s\u00e3o leis, a gente n\u00e3o tem que arrombar a porta, porque o governo deveria estar aplicando, o munic\u00edpio deveria estar aplicando. Ent\u00e3o, o que a gente precisa \u00e9 um di\u00e1logo concreto, de verdade, s\u00e9rio. Coisa que a gente j\u00e1 vem fazendo h\u00e1 20 anos. Mas, enfim. E dizer que essa \u00e9 uma das formas tamb\u00e9m que a gente precisa de repara\u00e7\u00f5es j\u00e1. Uma ministra negra no STF. Por qu\u00ea? Ent\u00e3o, eu queria pedir a todos, todas e todos, que coloquem nas suas redes sociais, no seu Instagram, no seu celular. Essa semana, a Coaliz\u00e3o Negra por Direitos, da qual a rede faz parte, eu represento, est\u00e1 fazendo um chamado muito forte, que n\u00e3o \u00e9 de hoje, Mas que n\u00f3s, pelo menos nesse m\u00eas de maio Para mostrar essa indigna\u00e7\u00e3o com esse 13 de maio Que a gente pressione tamb\u00e9m o Presidente Lula E outros parlamentares Os nossos parlamentares Acho que a maioria j\u00e1 foi embora, infelizmente Que provoquem o governo Lula Para que uma mulher negra no STF seja necess\u00e1ria seja indicada, que \u00e9 uma luta que vem de muito tempo. N\u00f3s tivemos tr\u00eas mulheres e nenhuma delas negras. Ent\u00e3o, isso \u00e9 muito importante. E tamb\u00e9m, s\u00f3 para encerrar, dizer que aqui n\u00f3s temos v\u00e1rios representantes de conselhos. A rede tem uma cadeira no Conselho Municipal dos Direitos da Mulher. E n\u00f3s estamos tentando marcar uma reuni\u00e3o com todos os conselhos municipais de Curitiba, para tentarmos resgatar o interconselhos. Ent\u00e3o, \u00e9 importante que n\u00f3s, n\u00e3o s\u00f3 do Conselho Municipal, mas tamb\u00e9m do estadual, que a gente fa\u00e7a press\u00e3o. E n\u00e3o n\u00f3s, enquanto sociedade civil. A gente sabe que o GOV, os governantes, est\u00e3o ali. \u00c0s vezes, \u00e9 bem dif\u00edcil. Mas, se a gente tiver um di\u00e1logo e tamb\u00e9m tiver que questionar muitas coisas, a gente tem que fazer. muito obrigada, parab\u00e9ns mais uma vez ao MNU parab\u00e9ns a esse encontro maravilhoso parab\u00e9ns Almira parab\u00e9ns Fabiola e toda a fam\u00edlia Maciel que j\u00e1 cresceu n\u00e9 Almira, obrigada, boa noite ent\u00e3o agradecemos a voc\u00eas que participaram conosco no finalmente aqui do nosso t\u00e9rmino e agora n\u00f3s vamos ent\u00e3o a palavra ao Deputado mais uma podemos ent\u00e3o, dois minutinhos vem c\u00e1 por favor aqui no meio Ent\u00e3o vem c\u00e1, voc\u00ea \u00e9 importante e tem que falar \u00c9 isso ou n\u00e3o? Aqui do meu ladinho, por favor Vamos l\u00e1, vem aqui do ladinho Ent\u00e3o ap\u00f3s a fala, n\u00f3s retornaremos a palavra ao Deputado Para as considera\u00e7\u00f5es finais Vamos l\u00e1 aqui do ladinho Obrigada Meu nome \u00e9 M\u00e1rcia Eu moro em Arauc\u00e1ria Sou militante da luta antimanicomial E eu n\u00e3o escutei aqui Falar sobre a popula\u00e7\u00e3o de rua Aqui em Curitiba A gente est\u00e1 vendo o prefeito fazendo um grande desservi\u00e7o para a luta antimonicomial. Vai ter um ato no dia 18 de maio que \u00e9 a luta dia 17 de maio referente ao dia 18 de maio que tem a ver com o combate da explora\u00e7\u00e3o sexual e infantil das crian\u00e7as e tamb\u00e9m da luta antimonicomial que \u00e9 o dia internacional para n\u00f3s. Ent\u00e3o a gente faz essa luta A gente sabe que a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o preta n\u00e3o \u00e9 uma coisa que \u00e9 discutida, n\u00e3o s\u00e3o coisas que s\u00e3o debatidas. E, principalmente, os nossos CAPs. Aqui em Curitiba, eu sei que os CAPs daqui n\u00e3o s\u00e3o municipalizados, eles s\u00e3o CAPs terceirizados pela FEAES. Em Arauc\u00e1ria, s\u00e3o municipalizados, s\u00f3 que est\u00e3o sendo destru\u00eddos at\u00e9 pela pol\u00edtica de governo do nosso prefeito, que \u00e9 o PL, que era do PL, agora \u00e9 PSD. Ent\u00e3o, tudo meio que junto. ali, que n\u00e3o faz parte, que n\u00e3o dialoga com a luta antimonicomial, n\u00e3o dialoga com a reforma psiqui\u00e1trica. Pelo contr\u00e1rio, eles destroem aquilo que a gente j\u00e1 construiu. Mas o nosso povo est\u00e1 junto. O nosso povo, os nossos movimentos est\u00e3o juntos. O movimento hip-hop, a cultura, a educa\u00e7\u00e3o, a sa\u00fade, assist\u00eancia social, est\u00e1 junto. E a gente, por mais que a gente trabalhe em cada canto, parece que a gente est\u00e1 guetificada, cada gueto, cada um trabalhando no seu canto, n\u00e3o, a gente est\u00e1 junto, porque querendo ou n\u00e3o, a luta do direito do trabalhador, essas pessoas s\u00e3o invis\u00edveis na sociedade, elas n\u00e3o s\u00e3o vistas como cidad\u00e3s, o meu prefeito, meu prefeito, caramba, o prefeito de Arauc\u00e1ria, fez uma fala infeliz destituindo todo um trabalho do centro pop, n\u00e3o sabendo como que funciona um centro pop, para que existe um centro pop, e dizendo que as pessoas que utilizam aquele espa\u00e7o s\u00e3o pessoas vagabundas e que n\u00e3o trabalham, que ao mesmo discurso que o Eduardo faz aqui. E que o Ratinho tamb\u00e9m faz. Ent\u00e3o, a gente precisa que saia nessa audi\u00eancia alguma pauta para a nossa popula\u00e7\u00e3o de rua, para a nossa popula\u00e7\u00e3o que est\u00e1 sofrendo, porque falta. As nossas pessoas n\u00e3o s\u00e3o carentes. Acho que as nossas comunidades n\u00e3o s\u00e3o carentes. Elas s\u00e3o querentes das coisas. Elas querem sa\u00fade, elas querem educa\u00e7\u00e3o, querem assist\u00eancia social, querem cultura, querem esporte e lazer, querem trabalho e emprego e a gente precisa que as pol\u00edticas p\u00fablicas de a\u00e7\u00f5es informativas estejam nesses lugares, porque essas pessoas d\u00e3o os votos para voc\u00eas e a gente precisa, para al\u00e9m disso de ficar s\u00f3 lutando que \u00e9 s\u00f3 a gente que fica gritando e berrando a gente vai chegar com o p\u00e9 na porta, sim para que atendam essa popula\u00e7\u00e3o porque essas pessoas s\u00e3o cidad\u00e3s de direito era isso que eu queria falar, muito obrigada muito obrigado pela sua participa\u00e7\u00e3o e agora Deputado a palavra \u00e9 do senhor Agrade\u00e7o a oportunidade de estar aqui, nesse espa\u00e7o que \u00e9 nosso, que foi lutado e conquistado, a oportunidade de homenagear o movimento negro unificado, que tanto fez, tanto caminhou, conquistou, batalhou, e foi a nossa voz e de toda a nossa tradi\u00e7\u00e3o, que \u00e9 uma tradi\u00e7\u00e3o de resist\u00eancia, que a gente tenta trazer, se inspirar para a nossa luta aqui e em todos os lugares que n\u00f3s estamos. Ent\u00e3o, uma salva de palmas para os 30 anos do Movimento Negro Unificado do Brasil, o MNU. E eu declaro encerrada essa audi\u00eancia.<\/p>","perguntas_count":0,"url_enviar_pergunta":"https:\/\/www.assembleia.pr.leg.br\/atividade-parlamentar\/enviar-pergunta","pauta_arquivo":{"nome":"SEI - 06698-93.2026.pdf","url":"https:\/\/storage2.assembleia.pr.leg.br\/file\/public-media\/audiencias\/pauta\/mp6yltuk_821b.pdf"},"deputados":[],"convidados":[],"anexos":[],"leis":[],"perguntas":[]}