A Universidade Federal do Paraná (UFPR) e o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC) assinaram, nesta segunda-feira (9), o Acordo de Cooperação Técnica para a implantação do projeto Rotas Acessíveis na região central de Curitiba.
A iniciativa de criar um projeto voltado à promoção da acessibilidade nas vias centrais surgiu a partir de uma conversa do deputado estadual Goura (PDT) com o coordenador de Acessibilidade da UFPR, Wagner Bitencourt, da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe), e contou com o apoio da vereadora Laís Leão (PDT), que é arquiteta e urbanista.
Goura afirmou que a assinatura do Termo de Cooperação representa o primeiro passo rumo a uma cidade mais inclusiva.
“A gente quer garantir que toda a cidade, obviamente, seja acessível, mas começando aqui por essa conexão entre equipamentos públicos tão importantes: Terminal do Guadalupe, Praça Santos Andrade, até chegar ao Hospital de Clínicas. Hoje foi dado um pontapé inicial superimportante para uma cidade mais acessível.”
A vereadora Laís Leão destacou que existe, em Curitiba, um grande movimento de revitalização do centro, do qual a UFPR faz parte.
“Temos que começar pelas nossas calçadas. O problema de mobilidade das calçadas de Curitiba é histórico. A gente é referência de mobilidade, mas essa mobilidade, infelizmente, não chega à mobilidade a pé. E, agora, demos um passo muito importante com o protagonismo da Universidade Federal.”
Wagner Bitencourt, que é deficiente visual, agradeceu a parceria do deputado e da vereadora e destacou a importância da iniciativa.
“Ouso dizer que a mobilidade urbana é o maior desafio que a gente enfrenta no momento. Sair de casa para estar aqui já é um desafio que põe à prova toda a nossa cidadania. O direito de ir e vir é algo básico ao qual boa parte das pessoas com deficiência não tem acesso com segurança”, afirmou.
A presidenta do IPPUC, Ana Jayme, também agradeceu a iniciativa do deputado Goura em facilitar a conexão para a efetivação do projeto e a parceria com a vereadora Laís Leão.
“Isso que nós estamos vendo aqui é algo em que eu, não só como presidente do IPPUC, mas como ser humano, acredito muito: o potencial da inteligência coletiva. E essa cooperação técnica é justamente a tradução e o uso dessa inteligência coletiva para a gente gerar soluções que contemplem todas as necessidades e direitos que precisamos ter na cidade”, disse.
Acordo de Cooperação
O Acordo de Cooperação tem o objetivo de unir esforços técnicos, acadêmicos e institucionais entre o IPPUC e a UFPR para elaborar estudos e projetos de acessibilidade urbana e qualificação de calçadas e travessias na área central de Curitiba.
Em sua fala, o reitor da UFPR, professor Marcos Sunye, garantiu que, em sua gestão à frente da universidade, a acessibilidade é uma causa prioritária.
“Se esse complexo todo aqui tem mais de 80 anos e até agora não tem acessibilidade, a gente precisa se perguntar por quê. Agora, nós entendemos isso como prioridade”, disse.
De acordo com o plano de trabalho, um itinerário-piloto será escolhido de forma conjunta entre a UFPR e o IPPUC, considerando a conectividade entre os campi centrais, o Hospital de Clínicas, a Casa da Estudante Universitária de Curitiba (CEUC) e o Restaurante Universitário (RU) Central. Esse trecho inicial servirá para validar a metodologia e gerar parâmetros de replicação para os outros percursos.
O acordo de cooperação prevê seis fases: definições preliminares, levantamento de campo, diagnóstico e diretrizes, estudo preliminar, projeto básico e projeto executivo.
A arquiteta Constança Camargo, responsável técnica do projeto, ressaltou que a circulação urbana é apresentada como parte inseparável da vida universitária, uma vez que o cotidiano da universidade pressupõe o trânsito constante entre os diferentes campi e a cidade, fazendo com que calçadas, espaços de comércio, cultura, residências e serviços do centro urbano funcionem como extensões dos próprios corredores universitários.
Nesse contexto, ela destaca que a integração entre universidade e cidade só se realiza plenamente quando os espaços urbanos e universitários são acessíveis a todas as pessoas, garantindo que o patrimônio e a vida urbana cumpram seu papel como bens comuns.
A iniciativa envolve diversos setores da universidade, bolsistas de Arquitetura e Urbanismo e a participação de movimentos sociais que historicamente lutam pela acessibilidade, além de parcerias com outras instituições comprometidas com essa agenda.
O Acordo de Cooperação foi assinado na Reitoria da universidade. Além dos citados, o ato contou com a presença da vice-reitora da UFPR, professora Camila Fachin, e da pró-reitora de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe), professora Megg Rayara.
Representatividade
Wagner Bitencourt, que coordena o projeto, chamou a atenção para a importância da representatividade em cargos públicos e espaços de decisão para a promoção da inclusão e da acessibilidade.
“A gente tem que sempre lembrar do lema instituído na Convenção das Pessoas com Deficiência, que é ‘nada sobre nós sem nós’. Então, acho que ter uma pessoa com deficiência — não é porque sou eu — é superimportante para garantir essa representatividade. Como diz a professora Megg Rayara, se eu sou o primeiro, eu falo isso não como uma forma de elogio, mas como uma forma de denúncia. Esse e mais cargos teriam que ter sido ocupados antes por pessoas com deficiência.”
O deputado Goura afirmou que vai continuar acompanhando a realização e a execução do projeto para que ele promova, em um período próximo, obras efetivas que garantam calçadas acessíveis nessa rota, considerada de grande importância para toda a população.