Erondy Silvério: de motorista e jogador de futebol a presidente da Assembleia Reconhecido como grande articulador político e hábil estrategista, Erondy Silvério presidiu o Poder Legislativo do Paraná em 1968 e 1969.

21/09/2018 15h19 | por Vanderlei Rebelo
Erondy Silvério.

Erondy Silvério.Créditos: Pedro de Oliveira/Acervo Alep

Erondy Silvério.

A trajetória de Erondy Silvério (1923-2005) reflete de forma emblemática o período da vida nacional, na segunda metade do século XX, caracterizado pela euforia do crescimento econômico, grande instabilidade política e uma noção ainda nebulosa dos limites institucionais entre o público e o privado – sem falar do ciclo de ouro do futebol, do qual Silvério foi protagonista.

Nascido numa família muito pobre de Guarapuava, Silvério migrou nos anos 1930 para Curitiba, onde foi jogador do extinto Água Verde. Tornou-se um dos maiores empresários do transporte público e elegeu-se para seguidos mandatos de deputado estadual, em carreira que teve seu ponto alto quando assumiu a Presidência da Assembleia Legislativa do Paraná.

Antes da ascensão, Erondy Silvério amargou tempos difíceis. Como tivesse chegado a Curitiba sozinho, ainda garoto, acabou internado num orfanato, o já extinto Asilo São Luiz. Aos 12 anos começou a trabalhar numa mercearia, foi feirante, abriu um bar que só lhe deu dor de cabeça e mais tarde se virou como motorista de caminhão. 

A breve carreira de atleta teve início aos 16 anos, em 1939, como zagueiro do Grêmio Esportivo 5 de Maio, time amador do bairro do Água Verde, onde era conhecido como o Noronha, alcunha que combinava com sua postura de zagueiro xerife da área. Depois foi para o Água Verde, equipe que disputava o campeonato paranaense de futebol, mas que não era exatamente profissional – os atletas tinham seus próprios empregos e recebiam do clube pouco mais que uma ajuda de custo.

Em finais dos anos 1940, trocou a boleia do FNM pelo volante de um lotação de passageiros, mas não durou muito tempo como empregado. Fez um papagaio no banco e comprou seu próprio veículo – uma velha e simpática jardineira, com capacidade para 12 passageiros sentados e na qual, não raro, se apinhavam mais de 30 pessoas.

Aqui um parêntesis para contextualização histórica: até o início da década de 1950, o transporte público de Curitiba era uma concessão da Companhia Força e Luz do Paraná (subsidiária da multinacional canadense Light and Power) e consistia de umas poucas linhas de ônibus e bondes elétricos. A empresa não tinha interesse em investir no transporte público por considerá-lo pouco rentável e aos poucos foi terceirizando o serviço para se ver livre desse ônus. Superlotação e protestos populares eram a rotina.

Os empresários do setor passaram a ser os motoristas donos dos lotações – e nem sempre havia quem os substituísse quando tiravam folga. Em agosto de 1952 os bondes da Força e Luz fizeram sua última viagem, na linha entre o centro e o bairro do Portão: ficaram apenas os trilhos, gradualmente removidos nas décadas seguintes, e um sistema extremamente precário de transporte.

No início de 1955, o prefeito Ney Braga, eleito no ano anterior, chamou os empresários do setor e formou uma comissão para organizar e implantar o que seria o embrião do moderno transporte público de Curitiba.

Erondy Silvério participou dessas reuniões e viu ali uma oportunidade. Fez um empréstimo bancário e em janeiro de 1956 fundou a Auto Viação Marechal, que iniciou operações com “dois luxuosos ônibus” – como dizia o anúncio de jornal da empresa – para atender aos moradores dos bairros do Prado e do Pilarzinho.

Ao mesmo tempo em que iniciava a bem sucedida trajetória de empresário, Silvério dava seus primeiros passos na política. Estreou nas urnas em 1954 como candidato a deputado estadual pelo Partido Libertador, disputa em que apenas preparou o terreno para se eleger vereador por Curitiba no ano seguinte, só que pelo PSD. Algum tempo depois, licenciou-se da Câmara para assumir a Diretoria Estadual de Trânsito (atual Detran), a convite do governador Moysés Lupion.

Além dos negócios e da política, acabou se envolvendo de novo com o futebol. E tinha de ser com o Água Verde. Em 1959 foi eleito presidente do clube e pelo resto da vida manteria alguma ligação com a equipe. O Água Verde foi campeão paranaense em 1967 e quatro anos depois mudou de nome para Pinheiros, do qual Erondy Silvério foi um dos fundadores. 

Eleito presidente da Câmara Municipal de Curitiba em janeiro de 1961, já no mês seguinte ele substituiu interinamente o prefeito Iberê de Mattos, que se licenciou para uma viagem ao Oriente Médio. Mas acabou entrando em choque com o prefeito ao afastar os diretores do Mercado Municipal, acusados de arbitrariedades pelos comerciantes.  Depois de três mandatos de vereador, Silvério foi eleito deputado estadual em 1966 pela Arena, o partido de apoio ao regime militar. Era o primeiro de sete mandatos consecutivos que ele exerceu na Assembleia Legislativa.

Em 1968 foi eleito presidente da Casa, caso raro de um deputado que chega ao cargo já no primeiro mandato. Em dezembro veio o AI-5 e o fechamento do regime, mas curiosamente o nome de Silvério migrou das páginas políticas para as editorias de esporte: o Água Verde enfrentava uma crise financeira que ameaçava tirar a equipe do campeonato paranaense.

Erondy Silvério exerceu mandatos até 1994 e se recolheu à vida privada. Nesta época, acabou perdendo a sua empresa, depois de quase 40 anos de atividades, participando ativamente das transformações do transporte de Curitiba adotadas nas gestões do prefeito Jaime Lerner entre 1971 e 1992.

O ex-parlamentar, que dá nome a uma das tribunas de honra do Plenário da Assembleia Legislativa, morreu no dia 25 de setembro de 2005, aos 82 anos, de traumatismo craniano causado por uma queda em sua casa.

Silvério teve uma vida intensa e movimentada, mas abominava ostentações de poder e riqueza e, em alguns aspectos, viveu de um modo quase frugal. Quem frequentava a Assembleia Legislativa no início dos anos 1990 podia vê-lo chegar à Casa dirigindo seu Volkswagen 68 impecavelmente conservado.

Nos funerais, foi lembrado como uma pessoa afável e generosa e político fiel aos compromissos assumidos, além de grande articulador e hábil estrategista. O ex-governador Jayme Canet Júnior lembrou dele como “companheiro leal e muito firme, com quem tive a honra de trabalhar”.

 

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