Líder da Oposição discute riscos à soberania digital com procurador-geral do MP
Em reunião com Francisco Zanicotti, deputado Arilson Chiorato apresentou preocupações sobre a privatização da Celepar.
O Líder da Oposição na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), o deputado Arilson Chiorato (PT), esteve nesta quarta-feira (12) no Ministério Público do Paraná (MP-PR). Na pauta, as sucessivas irregularidades apresentadas no processo de privatização da Celepar e dos riscos que a entrega da empresa pública ao setor privado representa à segurança dos dados dos paranaenses.
A reunião contou com a presença do procurador-geral de Justiça do MP-PR, Francisco Zanicotti, do subprocurador-geral para Assuntos Jurídicos, Armando Antonio Sobreiro Neto, do subprocurador-geral para Assuntos Administrativos, Cláudio Franco Félix, e do promotor de Justiça Marcelo Salomão Czelusniak.
Durante o encontro, o deputado Arilson reiterou as preocupações apresentadas na tribuna da Assembleia Legislativa do Paraná na semana passada, quando apontou manobras do governo para viabilizar a privatização mesmo com o processo suspenso pelo Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR).
Entre os pontos suspeitos, apresentados ao MP, estão quatro empresas (ViaSoft, CiX Experience Paraná, Valid Soluções e Fundo Via Láctea), que manifestaram interesse na compra, porém todas estão sob suspeitas de irregularidades e vínculos políticos.
O parlamentar advertiu ainda que a proposta de venda põe em risco a proteção das informações dos paranaenses e o controle público sobre serviços essenciais. “A reunião com os integrantes do MP-PR foi muito produtiva. Mais uma vez, em nome da população paranaense, tivemos a oportunidade de apresentar os riscos que envolvem a entrega de dados pessoais e estratégicos do Estado”, pontuou o parlamentar, que também preside o Partido dos Trabalhadores no Paraná.
A privatização da Celepar, para o deputado Arilson, coloca em risco o coração tecnológico do Paraná, com ameaça direta à segurança e à gestão de dados estratégicos. “Além disso, a Celepar é uma das maiores de tecnologia pública do país, atrás apenas do Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados), referência nacional em soluções para o setor público”, ressaltou.
O procurador-geral avalia que o tema é relevante, uma vez que parte das atividades da Celepar está diretamente ligada à segurança e à soberania do Estado. “Alguns setores da companhia têm caráter estratégico e precisam ser avaliados com atenção”, ponderou Zanicotti.
Também participou do encontro Jonsue Martins, representante do Comitê dos Trabalhadores contra a Privatização da Celepar, que reforçou os alertas sobre os impactos da desestatização. “Existem setores que o Estado não pode abrir mão: segurança, saúde, educação e tecnologia da informação. Entregar isso à iniciativa privada é comprometer o interesse público”, afirmou.
BigTechs
“Vivemos um debate mundial sobre a invasão das Big Techs e o controle de dados. Ao invés de fortalecer a soberania digital, o Governo Ratinho Jr. quer entregar nossas informações estratégicas a interesses privados”, afirmou o Líder da Oposição.
Na avaliação do parlamentar, os dados são o novo petróleo. “Se o Paraná abrir mão da Celepar, abre mão também da sua autonomia tecnológica e da segurança das informações dos cidadãos”, completou.
Irregularidades
O MP-PR instaurou inquérito civil para investigar a desestatização, depois do Tribunal de Contas do Paraná (TCE-PR) enviar cópia integral do processo à 5ª Promotoria de Justiça de Proteção ao Patrimônio Público de Curitiba. O TCE-PR suspendeu a venda em 11 de setembro, ao apontar irregularidades no procedimento.
No âmbito nacional, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, acolheu a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) proposta por PT e PSOL, que questiona a lei que autoriza a privatização da Celepar e o risco de venda de dados privados dos paranaenses.
O que a Celepar faz
A Celepar mantém sistemas usados diariamente: cadastros da saúde, registros da segurança, dados fiscais e matrículas escolares. A privatização pode transferir esse controle a empresas com foco em lucro, não no interesse público. O efeito pode ser sentido em hospitais, escolas e serviços digitais. Há risco de interrupções, vazamentos e uso indevido de dados pessoais.
“Os paranaenses confiam seus dados ao Estado, não a fundos de investimentos. O governo precisa garantir segurança e transparência, não abrir espaço para especulação com informações sensíveis”, concluiu o Líder da Oposição na Alep.
Notícias Relacionadas
Em discurso no Plenário, líder da Oposição defende o fim da escala 6x1 e melhora da qualidade de vida dos trabalhadores
Deputado Arilson Chiorato (PT) relaciona a proposta da escala 5x2 ao fortalecimento da economia, à ampliação de direitos trabalhistas e à valorização da população brasileira.
Leia mais
Oposição destaca programa de renegociação de dívida do Governo Federal e aponta impactos no acesso ao crédito
Líder da Oposição na Casa, Arilson Chiorato (PT), afirma que o Desenrola 2.0 pode reduzir inadimplência e estimular a economia.
Leia mais
Líder da Oposição destaca suspensão de multas do free flow pelo Governo Federal e aponta falhas no pedágio no Paraná
Deputado Arilson Chiorato (PT) afirma que medida corrige injustiça contra motoristas e cobra ação da ANTT diante de falhas no modelo de cobrança.
Leia mais
Assembleia Legislativa homenageia escola de samba Rosa do Povo, campeã do Grupo de Acesso do Carnaval de Curitiba
Agremiação, criada em 2025, venceu o Carnaval de 2026 em seu desfile de estreia e destaca atuação nas comunidades da Região Metropolitana.
Leia mais