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Um traço de poesia nos diplomas de Cidadão Honorário

Créditos: Sandra C. Pacheco (41) 3350-4188 / 4049
Bicos de pena, iluminuras, pergaminhos, parecem mais apropriados a texto de romance antigo, entretanto, fazem parte do cotidiano de Maeve Canabrava Barbalho, funcionária da Coordenação de Cerimonial da Assembleia Legislativa paranaense. Essa mineira de Juiz de Fora, que veio para o Paraná ainda criança, escolheu uma profissão incomum: ela é calígrafa, responsável pela elaboração dos diplomas com que o Legislativo homenageia cidadãos que se destacam com ações em favor do Estado.
O talento para o desenho é coisa antiga. Aos 11 anos já desenvolvia a aptidão por meio de cursos e com o estímulo de Marília, a mãe, mineira como ela e mulher de opinião, que escolheu trilhar a carreira de jornalista. A família já estava radicada há anos em Paranavaí, município da região Norte do Estado, quando decidiu vir para Curitiba. Isso porque o pai, Waldenício Barbalho, advogado, natural de Goianinha, no Rio Grande do Norte, elegeu-se deputado estadual. Curiosa e disposta a se aventurar pelo aprendizado de vários tipos de ofícios, a adolescente de 15 anos fez o curso de heráldica com Jean Villenave, mestre francês que exercia na época a função de calígrafo na Assembleia Legislativa.

Maeve elabora artisticamente os diplomas com que o Legislativo homenageia cidadãos que se destacam com ações em favor do Estado.

Carreira - Deslumbrada com a beleza das letras desenhadas com todo capricho por Jean em envelopes e convites, divertiu-se desenvolvendo uma nova habilidade, ao mesmo tempo em que passou a colaborar com o professor, vindo a substituí-lo quando se aposentou.
Subscritou muito convite de casamento enquanto fazia o curso de Educação Artística na Universidade Federal do Paraná. Depois fez o curso de Licenciatura em Desenho e Pintura na Escola de Belas Artes do Paraná, além de aperfeiçoar-se em Gravura em Metal.
A primeira exposição aconteceu em 1982. Outras vieram na sequência, individuais e coletivas, em várias cidades do Paraná. Obras suas foram expostas no Chile e nos Estados Unidos.
O Dicionário de Artes Plásticas do Paraná, da professora e crítica de arte Adalice Araújo, identifica o estilo Art Déco em seu trabalho, recriado sob uma nova ótica: “Suas obras encerram mistérios e surpresas que vencem os limites da arte decorativa para constituir-se em autênticas evocações poéticas”.
Quando substituiu Villenave na Assembleia, afastou-se das exposições para dedicar-se integralmente à atividade de calígrafa. Na década de 1990 retornou às artes gráficas e ainda expôs em coletivas na Capital.

Maeve Barbalho é funcionária da Assembleia há 27 anos.

Funcionária da Assembleia há 27 anos, tem se dedicado quase que exclusivamente à atividade de calígrafa e à elaboração de diplomas, o que faz com grande prazer: “É uma tarefa meticulosa, mas que permite usar a criatividade. Gosto do que faço e me sinto gratificada”, diz Maeve, exibindo cópias de trabalhos primorosos que realizou nos últimos anos também para outras instituições, clubes e empresas.
Voltará a expor? “Não sei. A criação artística é uma coisa que fica latente, quieta, mas não nos abandona. Pode ser que em algum momento eu sinta necessidade de retomar os trabalhos de artes plásticas. Neste momento estou feliz fazendo o que faço”, arremata.


Obras da artista já foram expostas no Chile e nos Estados Unidos.

Confira as fotos no flickr da Assembleia Legislativa do Paraná.
Fotos: Nani Gois (crédito obrigatório)
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