Assembleia Entrevista analisa resultados das eleições no Paraná e desafios do novo cenário político
Na atração da TV Assembleia, o professor e analista político André Zigman comenta ainda a renovação de lideranças à direita e à esquerda e o efeito das redes sociais sobre a atuação dos eleitos.
O resultado das eleições no Paraná, os desafios de governabilidade e a renovação das lideranças políticas no Brasil foram temas da nova edição do programa Assembleia Entrevista, da TV Assembleia, exibida nesta quinta-feira (5). O convidado foi o professor e analista político André Zigman, que avaliou a influência da polarização nacional nas disputas estaduais, a composição da nova Assembleia Legislativa e as perspectivas para os próximos anos.
Segundo Zigman, a vinculação às principais lideranças nacionais continua sendo determinante para o desempenho eleitoral. Ele destacou a importância da aliança com Flávio Bolsonaro para a vitória de Sergio Moro no Paraná.
Para o analista, um dos principais desafios do novo governador, Sergio Moro, será construir uma base sólida de apoio na Assembleia Legislativa. A coligação de Moro elegeu 20 deputados, enquanto o grupo de Sandro Alex e Ratinho Junior conquistou 25 cadeiras, e a esquerda, nove. Zigman defendeu a formação de um secretariado com perfis técnico-políticos e a construção de acordos partidários para garantir a governabilidade. “Não adianta ter o domínio técnico. Precisa ter habilidade política para tirar as coisas do papel. O Moro terá que fazer isso para governar. Ele terá que fazer esse aceno para construir maioria”, destacou.
O entrevistado também abordou a renovação das lideranças políticas brasileiras, especialmente na direita, com o surgimento de nomes como Nikolas Ferreira. “Antigamente, associava-se juventude à esquerda, mas isso tem mudado”, observou. Ele também apontou a necessidade de renovação na esquerda, citando o governador do Piauí, Rafael Fonteles, como exemplo de uma nova geração de lideranças.
Outro tema foi a transformação da comunicação política com o avanço das redes sociais. Zigman observou que a busca pela chamada “lacração”, pelo entretenimento e pela repercussão digital muitas vezes se sobrepõe ao trabalho efetivo dos representantes eleitos, que deveria estar concentrado na melhoria da qualidade de vida da população. “Não pode se esquecer do que eles foram eleitos para fazer.”
Durante a conversa, o professor ainda analisou a maior divisão da Assembleia Legislativa, a eleição de parlamentares impulsionados por discursos contrários ao Supremo Tribunal Federal (STF) e possíveis mudanças no sistema eleitoral.
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