Assembleia votará lei mais rigorosa para disciplinar carreira de auditor fiscal
Uma das primeiras matérias que irá tramitar na Assembleia Legislativa após a volta dos trabalhos de Plenário em agosto vai ser a mensagem do Governo do Estado propondo mudanças na legislação que disciplina a carreira de auditor fiscal no Paraná. A informação é do presidente da Assembleia, deputado Ademar Traiano (PSDB), que considerou o projeto oportuno. “Inclusive por atender o clamor popular para tornar mais rigorosas e eficazes as punições por desvios de conduta no serviço público”.
O anteprojeto inclui a possibilidade de perdas de benefícios e demissão do servidor em razão da gravidade da falta disciplinar cometida. “É uma iniciativa que vem para dificultar atos ilícitos e punir a ação dos maus fiscais. Ainda que sejam em pequeno número, os maus funcionários da Receita prejudicam toda a categoria e o Estado precisa de instrumentos ágeis e eficazes para punir esses maus profissionais”, destacou Traiano.
De acordo com Traiano, essa mensagem governamental (de nº 38/15) deverá ser lida já na primeira sessão plenária de agosto, que acontece no dia 3 (a partir das 14h30), seguindo imediatamente para a análise das comissões técnicas permanentes. “Esperamos um amplo debate com a finalidade de contribuir para a implementação das mudanças que são necessárias”, frisou. “As alterações que devem ser feitas têm a finalidade de contribuir para a ampliação da transparência, que nós sempre defendemos, e também valorizar e organizar com eficácia e eficiência as atividades de uma carreira de servidores públicos que têm importante papel no Governo”, acrescentou o presidente.
Demissão – Entre as mudanças previstas no anteprojeto de lei complementar elaborado pelo Executivo, que altera a Lei Complementar nº 131 (de 29 de setembro de 2010), está o dispositivo que amplia as condutas puníveis com a pena de demissão. O Governo explica que muitas dessas condutas já estavam previstas como ilícitas anteriormente mas, apesar da gravidade, eram passíveis apenas de pena de suspensão. O art. 110 relaciona entre as condutas que podem levar à demissão, por exemplo, “a posse, manutenção ou a aquisição, para si ou para outrem, injustificadamente, de bens ou de valores de qualquer natureza, incompatíveis com sua renda ou com a evolução de seu patrimônio”. Acrescenta ainda um parágrafo que permite a demissão, após o devido processo legal, no caso de reincidência na pena de suspensão.
Outra alteração proposta determina a perda do direito ao prêmio de produtividade no caso de prisão por ordem legal. A gratificação representa 50% da remuneração dos auditores. Além disso, a nova legislação dá maior autonomia ao secretário de Estado da Fazenda para afastar de todas as funções o servidor que estiver sendo investigado ou respondendo processo administrativo disciplinar. O afastamento, mesmo de serviços internos, será pelo tempo que o secretário considerar necessário.
O anteprojeto também fortalece a função da Corregedoria Geral, que passa a ter responsabilidades que antes estavam a cargo do Conselho Superior dos Auditores Fiscais (CSAF), órgão que será extinto. Outra alteração na antiga legislação torna mais rígida as regras para que o servidor assuma função gerencial na estrutura da Receita Estadual. A proposta estabelece que a Declaração de Bens e Direitos, que precisa ser entregue anualmente pelo auditor, será encaminhada para guarda na Corregedoria para agilizar procedimentos, em especial a instauração de sindicância patrimonial. Para isso altera o parágrafo 3º do art. 103. A recusa na entrega da declaração passa a ser considerada falta passível de demissão.
A mensagem do anteprojeto define que o procedimento de sindicância patrimonial poderá ser instaurado “a partir de denúncia formulada por escrito, devidamente fundamentada, contendo a narrativa dos fatos, a indicação do auditor fiscal envolvido e os indícios concernentes à irregularidade ou ilegalidade imputada”. A mensagem também disciplina a lotação dos auditores fiscais nas unidades da Coordenação da Receita do Estado ou da Secretaria de Estado da Fazenda; altera a simbologia de cargos da Receita; trata de cargos em comissão e trata das garantias e atribuições do auditor fiscal.
Investigações em curso, conduzidas pelo Ministério Público do Paraná, revelam que o Estado vem sendo prejudicado – de forma continuada – pela atuação ilícita de alguns auditores fiscais nos últimos 30 anos. O projeto do Executivo se propõe a dotar o Estado de instrumentos fortes e ágeis para que aqueles que se colocaram fora da lei na Receita sejam punidos com o rigor necessário. Ao anunciar o encaminhamento da mensagem o Governo informou que a Receita também terá um canal na internet para recebimento de denúncias.
Notícias Relacionadas
Palestra destaca papel da contabilidade no desenvolvimento econômico e no fortalecimento do empreendedorismo
Evento foi promovido pela Escola do Legislativo em parceria com o Conselho Regional de Contabilidade (CRC-PR).
Leia mais
Aula magna marca lançamento do curso Qualificação Político-Eleitoral para Mulheres – Eleições 2026
Com seis módulos, curso será disponibilizado online, em parceria com a ABRADEP.
Leia mais
Assembleia Legislativa celebra criatividade e inovação com vencedores do World Creativity Day
Vencedores da edição 2026 foram recepcionados pelo presidente da Casa, deputado estadual Alexandre Curi (Rep).
Leia mais
Hub do Bem, projeto da Escola do Legislativo, conquista 3º lugar no 11º Prêmio ABEL 2026
Premiação reconhece iniciativas desenvolvidas por Escolas do Legislativo e de Contas de todo o país.
Leia mais