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Cristovão Tezza fala sobre Curitiba, literatura e novos projetos no Arte & Cultura

Em entrevista ao programa da TV Assembleia, o escritor fala sobre sua formação literária, o livro Visita ao pai, o Prêmio Machado e os desafios da leitura na era digital.

14h03
por Felipe Bottamedi
4 min de leitura
O percurso criativo do escritor Cristovão Tezza pela Curitiba das décadas de 1960 e 1970, seus projetos recentes e futuros, bem como a relação do autor com a crítica e as redes sociais, são alguns dos temas da edição desta sexta-feira (10) do programa Arte & Cultura, da TV Assembleia. Foto: Renato Parada/Divulgação

O percurso criativo do escritor Cristovão Tezza pela Curitiba das décadas de 1960 e 1970, seus projetos recentes e futuros, bem como a relação do autor com a crítica e as redes sociais, são alguns dos temas da edição desta sexta-feira (10) do programa Arte & Cultura, da TV Assembleia. A conversa entre o autor e a jornalista Marcele Antonio vai ao ar às 13h, com reprise às 18h. O conteúdo também pode ser conferido no canal do YouTube da emissora.

Nascido em Lages, no interior de Santa Catarina, o escritor se mudou para a capital paranaense ainda pequeno. No programa, ele conta sobre a relação com a cidade. “O escritor se faz onde ele vive. A cidade você pega pelos poros, o seu jeito e a sua atmosfera. A minha formação inteira foi no Colégio Estadual do Paraná, fui frequentador da Biblioteca Pública. Bebi daqui todo o meu projeto literário”, reflete o escritor.

Também conta como ingressou no meio literário, trajetória que teve início por meio do teatro, no fim da década de 1960. É nesse período que teve contato com artistas como Denise Stockler, que proporcionou a Tezza sua "primeira aventura na arte" como iluminador no antigo Teatro de Bolso, na Praça Rui Barbosa; e Wilson Rio Apa, personalidade fundamental na sua formação, segundo Tezza. “Ele teve papel muito importante nisso, inclusive como referência cultural e literária. Praticamente secretariei o Rio Apa nos livros, na produção.”

Cristovão Tezza também aborda seu período fora do Brasil, durante a década de 1970, quando viajou pela Europa, testemunhando eventos como a Revolução dos Cravos, em Portugal. “O impacto na minha formação foi ver o Brasil de longe, que vivia uma ditadura na época. Foi uma experiência cosmopolita, de você ver como o mundo é grande, as pessoas, culturas e países são diferentes, de você ver também o mundo de fora”, conclui. “Foi lá que comecei a escrever os meus primeiros contos.”

O surgimento da internet e das redes sociais, e o papel do crítico literário são outros aspectos abordados pelo autor no bate-papo. "Quando surgiu a internet, eu era extremamente otimista. Dizia ‘nós estamos diante da Biblioteca Universal’, o que é a verdade", ressalta o escritor. No entanto, pondera. "Agora você precisa saber lidar com isso. Se você não tem formação ou repertório, isso aí é simplesmente o caos."

"Eu acho que houve outra revolução que foi a do celular móvel. E a fragmentação da palavra. A leitura exige silêncio, exige concentração, exige tudo aquilo que está muito raro hoje. O mundo está muito ruidoso. Um pouco de solidão, um pouco de intimidade. É uma mudança estrutural, cultural muito forte. E a gente tem que ver para onde é que vai isso", complementa.

O escritor também comentou seu livro mais recente, Visita ao pai, lançado no fim de 2025, obra em que revisita anotações e cartas escritas pelo pai João Batista Tezza ao longo de toda sua vida, até 1959, quando faleceu. Cristovão tinha 6 anos na época. Ao abordar esse processo de escrita, afirmou que, em determinados momentos, "eu olhava o meu pai como se eu fosse o avô e ele o neto", invertendo simbolicamente os papéis entre pai e filho.

O autor ainda refletiu sobre a conquista do Prêmio Machado e adiantou seus próximos projetos. Segundo ele, está finalizando um novo romance, que chamou de "romancinho", ambientado inteiramente em Curitiba. "É talvez o mais curitibano dos meus livros", disse, acrescentando que espera concluí-lo até o fim do ano.

Onde assistir

O programa é exibido às sextas-feiras, às 13h, na TV Assembleia, no Canal 10.2. A entrevista com Cristovão Tezza também pode ser conferida no canal da TV Assembleia do Paraná no YouTube, a partir do mesmo horário.

Gravado no Salão Nobre da Assembleia Legislativa, o Arte & Cultura traz artistas, músicos, cineastas e comunicadores paranaenses e brasileiros para debater a produção cultural e histórica do Paraná e do Brasil.

A cada semana, a atração recebe grupos folclóricos, coreógrafos, maestros, diretores de museus, artistas plásticos, diretores e produtores de teatro, escritores e poetas para um papo descontraído sobre o mundo das artes.

 

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