Adotar a prática de esportes de alto rendimento foi a maneira encontrada por alguns servidores da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) para cuidar da saúde, buscar melhor qualidade de vida e aliviar o estresse do dia a dia. O taquígrafo Airton Cesar Santin, o assistente administrativo Fernando Maurício Bottene, o analista legislativo Marcos Renato Sudul e o médico Douglas Conrado Schmidt têm em comum o fato de serem praticantes de corrida. Todos eles treinam diariamente com acompanhamento de treinadores e preparadores físicos para participar de provas em todo o Brasil e até no exterior.
Santin, de 49 anos, pratica esportes desde a adolescência. Já jogou tênis, futebol, praticou natação e ciclismo, mas há quase dez anos se dedica inteiramente à corrida, com participações em duas ultramaratonas – provas com percursos superiores a 50 quilômetros; seis maratonas – corridas de 42 quilômetros; e mais de 30 meias maratonas – disputas de 21 quilômetros. “Já pratiquei triátlon, duatlon, travessias de natação, mas acabei, com o tempo, me dedicando à meia maratona. Hoje posso dizer que essa prova é a minha especialidade. É a prova em que eu me sinto melhor e participo de diversas competições em todo o Brasil”, conta.
Para manter o rendimento, Santin conta que se submete a uma rotina rigorosa de treinamentos, sempre com acompanhamento médico. “De segunda a sexta-feira faço corridas curtas de cerca de 10 quilômetros. Aos sábados eu descanso e nos domingos faço treinos mais fortes, correndo sempre acima de 20 quilômetros. A minha dieta não é rigorosa, mas evito gorduras, frituras e doces, e antes das provas tento ingerir alimentos ricos em carboidratos para ter energia na corrida. E acompanhamento médico é fundamental. Anualmente eu faço uma bateria de exames, um check-up geral pra ver se está tudo em ordem e saber quais são meus limites”, ressaltou.
Incentivado – Há cinco anos, após o nascimento de sua primeira filha, Fernando Maurício Bottene percebeu que tinha que mudar seus hábitos. Então resolveu praticar um esporte e procurou seu colega Airton Santin, que o incentivou a fazer corridas. “Percebi que a saúde estava sendo deixada de lado. Então resolvi escutar os conselhos do Airton e comecei a correr. E foi tarde, pois eu tinha na época 30 anos. Mas não me arrependo. Hoje treino forte na corrida, nado forte e estou começando a me aprimorar no ciclismo. O meu objetivo é em breve correr uma prova de triátlon”, explica o corredor de 35 anos.
Bottene conta que sua rotina de treinos também é rigorosa. De segunda a sábado, os treinos de bicicleta e natação começam cedo, antes do expediente na Assembleia. No final da tarde, é a vez da corrida e da musculação tomarem conta dos treinamentos do atleta. Tudo acompanhado por treinadores e preparadores físicos. “Além disso, me alimento bem, tentando manter a regra de jantar pouco, comer bastante proteína, carboidrato, saladas e frutas, e me alimentar a cada três horas”, detalha. “Hoje sou outra pessoa. Nunca na minha vida pensei que ia acordar às 6 horas da manhã feliz da vida para treinar. Hoje sou outra pessoa e o melhor disso tudo é que passo um ótimo exemplo para os meus filhos”, complementa.
Aquathlon – A corrida entrou na vida do analista legislativo Marcos Renato Sudul, de 45 anos, no ano de 2013. Por causa de um problema nos joelhos, ele teve que parar de jogar futebol com os amigos, mas seu ortopedista indicou que correr poderia ser uma das atividades físicas que não prejudicariam novamente seus joelhos. “O meu problema é que não podia mais praticar atividades que poderiam causar torções. Mas exercícios de impacto não teria problemas. Então conversei com o Fernando Bottene e ele me passou treinos de corrida e passei a correr com mais frequência. Tanto que hoje, eu e o Fernando fazemos dupla em provas de aquathlon, uma modalidade em que um atleta faz a natação, que sempre foi o meu esporte, desde a infância, e o Fernando, a corrida. Mas depois passei a fazer provas de duatlon, em que o atleta nada e corre, e não parei mais”, relata.
Sudul destaca que o acompanhamento médico é fundamental para a prática dos esportes. “Por causa do problema dos joelhos, faço a cada seis meses exames com um ortopedista e anualmente já aproveito pra fazer um check-up geral. E nesses exames vejo que o esporte me faz muito bem. Hoje tenho qualidade de vida. Treino bem de segunda a sábado e vejo que desde que comecei a me dedicar, treinar bem e cuidar da alimentação, tenho me sentido ótimo”, ressalta.
Cuidados – Aos 54 anos, Douglas Conrado Schmidt adotou a corrida como esporte há quase três décadas. Com 28 maratonas no currículo, o médico hoje dedica seus treinamentos para a realização de ultramaratonas, provas com percurso acima de 50 quilômetros. Ele conta que para chegar a participar da prova de maior intensidade dentro do esporte passou por um processo de evolução gradativa, física e emocional. “Quando você faz a atividade de maneira progressiva, você vai chegar na maratona. Você vai chegar na ultramaratona. Eu comecei treinando devagarinho. Eu lembro que quando eu comecei a correr, eu corria 300 metros e em seguida andava 300 metros, porque eu não conseguia progredir mais. Então, a evolução foi lenta. E a coisas foram acontecendo. Correr a maratona e uma ultramaratona é um desafio que a partir do quilômetro 30, por exemplo, você corre mais com a cabeça do que com o corpo”, explica.
Como praticante do esporte e cardiologista, Schmidt faz questão de ressaltar a importância do acompanhamento médico e a realização de exames antes de qualquer pessoa começar a fazer uma atividade física de alta intensidade, como a corrida. “Pra quem nunca fez nada é muito importante uma avaliação médica. Exames como o de sangue, o eletrocardiograma e um teste de esforço são fundamentais porque vão dar a condição cardíaca e pulmonar do futuro atleta. Também é interessante procurar uma assessoria esportiva para dar orientações de como começar a atividade”, aponta.
O médico alerta que até mesmo quem já pratica o esporte também deve atentar aos cuidados médicos e realizar exames com frequência. “Muitas pessoas começam a correr porque querem emagrecer e é aí que ocorrem vários erros. Quem quer perder peso deve fazer a avaliação física e o check-up, e depois realizar o check-up anual. É importante que dentro dessa avaliação anual, à medida que for emagrecendo, lembrar que é preciso ter cuidados com o colesterol também. E a avaliação anual com ortopedista, principalmente para pessoas que estão acima do peso, também é muito importante”, conclui.
Ouça também a matéria da Rádio Assembleia