Entidades manifestam apoio à suspensão da vacinação contra a febre aftosa no Paraná
A maioria dos representantes dos pecuaristas, dos suinocultores, das indústrias do setor e os técnicos que debateram na audiência pública realizada nesta segunda-feira (1), na Assembleia Legislativa,o processo de suspensão da vacinação contra febre a aftosa nos rebanhos bovino e de búfalos do Paraná se posicionou como favorável à proposta. O Governo do Estado já apresentou ao Conselho Estadual de Sanidade Animal (Conesa) o pedido para iniciar o processo de reconhecimento internacional de área livre de febre aftosa sem vacinação, sob a chancela da Organização Mundial da Saúde Animal (OIE).
Para o médico veterinário Inácio Afonso Kroetz, diretor-presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), o pleito hoje é tecnicamente viável e estrategicamente oportuno, bem como é politicamente sustentável: “O Paraná está livre de febre aftosa com vacinação há dez anos”, frisou. Kroetz explicou que para conseguir o status de estado livre de aftosa sem vacinação o Paraná tem que comprovar ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) a capacidade de manter a erradicação da doença nos rebanhos de bovinos e de búfalos existentes no Estado.
Segundo ele, o Paraná já cumpriu quase todos os requisitos necessários para o reconhecimento, faltando apenas a reestruturação física de postos de fiscalização nas áreas de fronteiras com São Paulo e Mato Grosso do Sul e a nomeação de 169 novos técnicos concursados para reforçar o trabalho da Adapar, executora do processo. “A erradicação da febre aftosa é um dos programas desenvolvidos pela Adapar que tem uma função estratégica importante na área sanitária”, disse. Outros postos de fiscalização existentes serão adequados e reforçadas as fiscalizações volantes que monitoram o trânsito de animais e produtos de origem animal em todo estado, para saber se estão de acordo com a legislação. Conforme dados da Adapar, atualmente o Paraná é o primeiro estado produtor de aves, o terceiro de suínos e nono produtor de bovinos, que no ano passado geraram receitas de US$ 2,36 bilhões, US$ 132 milhões e US$ 110 milhões, respectivamente.
Novos mercados – Entre os objetivos da mudança de status sanitário está a abertura de mercados mais atraentes para a exportação de carnes bovina e suína, como dos Estados Unidos, do Japão e da Coreia. Conforme Jacir José Dariva, presidente da Associação Paranaense dos Suinocultores (APS), a entidade é favorável à suspensão das campanhas de vacinação contra febre aftosa no Paraná, que é uma tendência mundial, justamente porque a medida permite acesso a novos mercados e com maior valor agregado. “Favorecerá no acesso a novos mercados no exterior, como já ocorre com o vizinho estado catarinense, que não vacina há oito anos e contabiliza benefícios na exportação da carne suína e seus derivados”, destacou Dariva.
Em seu pronunciamento o presidente da APS destacou entre as vantagens do status sanitário perseguido pelo Paraná o fato de que o estado terá condições de acessar cerca de 70% dos países compradores, que hoje não podem adquirir carne e derivados do Paraná, justamente em razão do atual status. “O Paraná está proibido de acessar cerca de 70% dos países compradores, como o Japão, China, Coreia do Sul, México e Indonésia”, observou. Ele lembrou que os mercados atualmente acessados praticam preços bem inferiores, ou seja, são mercados secundários.
Esses também foram aspectos apontados pelo diretor-presidente da Frimesa, Valter Vanzella, que foi porta-voz do Sindicato da Indústria de Carnes (Sindicarne-PR), que considera o momento oportuno para a suspensão da vacinação. Vanzella falou de sua longa experiência como dirigente de cooperativa e hoje na direção de uma das principais agroindústrias do Paraná e do Brasil. Ele afirmou que os novos projetos de expansão da cadeia da suinocultura no Paraná estão aguardando a conquista do novo status sanitário, já que a questão sanitária é, e será cada vez mais, um diferencial para os consumidores. Na opinião dele, essa conquista vai contribuir para elevar a renda e o emprego no campo e em toda sua cadeia produtiva.
Ponderações – Na audiência, a Sociedade Rural do Paraná (SRP) ratificou o posicionamento discutido junto com outras sociedades rurais, associações e núcleos de raças e demais entidades, no inicio de maio, durante a Expoingá, em Maringá, em que se coloca a favor de que o estado seja declarado livre da aftosa sem vacinação, desde que a decisão seja simultânea com os estados do Rio Grande do Sul, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Lembrou ainda que Santa Catarina já atingiu esse status. “Temos a preocupação com a entrada de animais de outros estados. E entendemos que restringir mercados não é a melhor decisão”, declarou Moacir Sgarioni, presidente da SRP.
Sgarioni frisou que há uma preocupação com o alto risco que o segmento pode correr com o surgimento de eventual foco de aftosa no Paraná, dada a complexidade no controle das fronteiras e também pelos seus efeitos comerciais relativos. Disse ainda que existe uma estrutura de fiscalização sanitária e das fronteiras, mas considera que podemos ficar vulneráveis, sujeitos ao risco de contaminação também através de outros veículos, como trânsito de pessoas e ou animais silvestres que podem comprometer o status sanitário, uma vez que, sem a vacinação, a defesa imunológica dos animais fica reduzida. Num documento que foi entregue ao Governo a Sociedade Rural faz uma série de outras ponderações. Entre elas, avalia que até o emprego no segmento da indústria frigorífica poderá ser comprometido com a entrada de carne processada de outros estados, e que poderá haver queda no número de animais para abate, comprometendo a capacidade operacional das indústrias.
“É um desafio suspender a vacinação”, afirmou Emílio Carlos Salani, vice-presidente executivo do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan). Ele acredita que o custo de uma vacina, produzida com tecnologia de ponta e que oscila entre R$ 1,30 a R$ 1,40 a dose no varejo, não representa impedimento para quem quer investir na prevenção pelos benefícios que oferecem ao produtor. Salani deixou claro durante o debate que se for suspensa a vacinação as empresas fabricantes de vacinas contra a aftosa não terão condições de fornecer o produto numa situação de emergência, porque o processo de produção demora cerca de nove meses. “Os produtores não terão vacinas disponíveis de uma hora para outra”, disse. Hoje são produzidas 500 milhões de doses, que passam por duplo controle de qualidade, para atender as necessidades dos produtores brasileiros.
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