Frente Parlamentar do Coronavírus questiona autoridades de Saúde sobre suspensão da vacinação de gestantes Recomendação da Anvisa após a morte de uma mulher grávida que recebeu o imunizante AstraZeneca no Rio de Janeiro motivou o grupo a ouvir a Secretaria de Estado da Saúde.

11/05/2021 13h28 | por Trajano Budola
Reunião da Frente Parlamentar do Coronavírus debateu a suspensão da vacinação de grávidas após recomendação da Anvisa.

Reunião da Frente Parlamentar do Coronavírus debateu a suspensão da vacinação de grávidas após recomendação da Anvisa.Créditos: Thais Faccio

Reunião da Frente Parlamentar do Coronavírus debateu a suspensão da vacinação de grávidas após recomendação da Anvisa.

A Frente Parlamentar do Coronavírus da Assembleia Legislativa do Paraná ouviu em reunião na manhã desta terça-feira (11) a posição do Governo do Estado em relação à recomendação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pela suspenção da vacinação de gestantes com o imunizante AstraZeneca.

“O Paraná orienta a suspensão da vacinação com a AstraZeneca para as gestantes. A nota deverá ser divulgada na tarde desta terça-feira em conjunto com a nota técnica da Anvisa, órgão regulador”, afirmou o diretor-geral da Secretaria de Estado de Saúde (SESA), Nestor Werner Junior, questionado pelo coordenador da Frente Parlamentar, deputado Michele Caputo (PSDB).

Ainda de acordo com o Nestor Werner Junior, a vacinação de gestantes com os imunizantes Pfizer e Coronavac está mantida. “Esta informação será repassada à Assembleia Legislativa para a divulgação em sua totalidade”, reforçou, em resposta a Michele Caputo, que levantou a possibilidade de ter havido uma precipitação da Anvisa pela inclusão das gestantes e puérperas como grupos prioritários.

“Em relação à introdução do grupo de gestantes, a inserção foi feita pelo Plano Nacional de Imunizações (PNI) entendendo que houve em 2021 um aumento no grupo de gestantes que morreram ou tiveram complicações, muito maior do que no ano passado. Com base nesta premissa de risco foram incluídas no grupo prioritário de imunização. O movimento feito ontem (10) pela Anvisa é para que seja seguido o que está escrito na bula da vacina, sem uso off-label”, explicou Nestor Werner Junior.

Também participante da reunião remota, a secretária municipal, de Saúde de Curitiba, Márcia Huçulak, que afirmou que a administração do município observa os riscos da aplicação da vacina sobre a saúde das gestantes muito menor do que os benefícios que a imunização deste grupo gera.

“A probabilidade da trombose em gestantes é de 0,2%, em uma gestante fumante e com trombose o risco é obviamente maior. Não podemos jogar a água da bacia fora com o bebê dentro”, afirmou a secretária. De acordo com ela, a proporção de gestantes que recebem o imunizante temporariamente suspenso é também muito menor em Curitiba em relação às que estão sendo vacinadas com os da Pfizer e Coronavac.

Ainda sobre o tema, a vice-presidente regional da Sociedade Brasileira de Imunização, Heloisa Giamberardino, (Sbin Paraná) afirmou que as gestantes são grupo de risco para a Influzenza, comprovadamente com um número quatro vezes maior de hospitalização do que mulheres não grávidas. Da mesma forma, explicou, “as mulheres grávidas com Covid-19 também têm mais risco, maior se apresentar comorbidade associada. São grandes os riscos de internações em UTI e uso de ventilação mecânica”.

“O uso da vacina não é um erro. A gestante deve ser priorizada. A Anvisa vai emitir parecer técnico pelo Plano Nacional de Imunização. Houve de fato o óbito de uma gestante no Rio de Janeiro relacionado a trombose e relação temporal à vacina, mas a incidência de trombose é de um caso em duas mil pacientes. O risco de trombose causada pela vacina é de 0,4% descrito na bula da AstraZeneca”, disse Heloisa Giamberardino.

A diretora da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Paraná (Sogipa), Lenira Gaede Senesi, afirmou que o grupo fará atualizações diárias, de acordo com as informações divulgadas pelo Ministério da Saúde, sobre como os profissionais da categoria deverão orientar suas pacientes. “Seguimos as orientações da SESA e da Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba”. Ela adiantou, no entanto, que “ainda é mais seguro vacinar do que não vacinar”.

Prioritários – Questionamentos de entidades foram feitos tanto ao diretor-geral de Saúde quanto à secretária municipal de Saúde de Curitiba sobre a inclusão ou garantia de imunizações aos profissionais de saúde de diversas especializações. Janaina Naumann, biomédica, presidente do Fórum de Conselhos dos Profissionais de Saúde, perguntou à secretária Márcia Huçulak onde os profissionais de saúde que moram na Região Metropolitana e trabalham em Curitiba devem receber o imunizante.

De acordo com a secretária, está definido dentro do plano municipal de imunizações que os profissionais de saúde receberão as vacinas nos municípios em que trabalhem, ou seja, aqueles que residem na Região Metropolitana, mas atendem a clínicas ou hospitais de Curitiba, serão vacinadas prioritariamente na capital.

Amanda Silveira Palma, assessora jurídica Conselho Regional de Nutricionistas do Paraná, questionou a secretária Marcia Huçulak sobre a imunização dos profissionais e técnicos da categoria. “No plano de Curitiba está incluído o trabalhador de saúde, as faxineiras, seguranças, cuidadoras, atendentes e porteiros que têm contato com pessoas infectadas. É uma equipe muito grande e os hospitais definiram quem eram estes profissionais”, completou a secretária municipal.

De acordo com ela, os nomes foram solicitados a todos os conselhos de saúde. “Zeramos esta defasagem em Curitiba. Uma pequena parcela ainda não está vacinada pela dinâmica de saídas e novas contratações. Universitários que estão trabalhando nas instituições públicas, privadas e filantrópicas também estão sendo imunizados”, afirmou.

Ainda segundo Márcia Huçulak, o município de Curitiba decidiu fazer a vacinação por faixa de idade decrescente com comorbidades. Ela explicou que a o prefeito Rafael Greca fez a proposta ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, para que o Brasil adote o critério de idade decrescente, independente das comorbidades. “O grupo de 50 a 59 anos é o maior hoje em letalidade. O ideal é que continuemos neste ritmo, o que nos foi anunciado que será discutido pelo Ministério da Saúde”, salientou.

Para o deputado Michele Caputo, a sugestão deve ser levada adiante também pela Assembleia Legislativa. “A Frente Parlamentar apoiará a vacinação indistinta na faixa etária de 50 a 59 anos, independente das comorbidades. Este grupo é onde estão relacionadas as comorbidades, o que atingirá a todos. Este requerimento será discutido pelos deputados e encaminhado ao Ministério da Saúde”, afirmou.

Controle - Luiz Ernesto Pujol, secretário geral do Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM/PR), explicou como foi feita a emissão das autorizações vacinais a doentes com comorbidades, tanto aos que tem planos de saúde quanto dos que são atendidos pelo SUS. De acordo com ele, “não há risco na falsificação do documento emitido pelo CRM. Este documento evita o fura-fila e controla as doses utilizadas pelo grupo de pessoas”.

Já para o gerente de estratégias da Unimed Federação, Marlus Volney de Morais, é preciso fortalecer sistemas de prevenção contra as situações que vão surgir quando a pandemia estiver controlada. “As pessoas que foram cometidas pela doença e tenham certa imunidade terão sequelas. E estas comorbidades terão que ser atendidas. Precisamos de ações para evitar que não signifiquem uma piora da saúde pública”, disse.

Participou da reunião ainda, Patrícia Rossafa Branco, presidente do Conselho Regional de Fisioterapia do Paraná Ocupacional (Crefito) e o deputado Soldado Fruet (PROS), que questionou os critérios para distribuição de vacinas em Foz do Iguaçu.

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