Entre Nós

Lenda viva

O fotógrafo da Assembleia Orlando Kissner, conta um pouco das histórias de coberturas de Copa do Mundo, Copa América e Fórmula 1 ao longo de seus 45 anos de carreira

Eduardo Santana / Alep
5 min de leitura
1.114 visualizações
Lenda viva
Bebeto mandando recado ao mundo Foto: Kleyton Presidente / Alep

Não é difícil dizer que Orlando Kissner, 67 anos, fotógrafo da Diretoria de Comunicação da Assembleia, é uma das lendas vivas fotojornalismo brasileiro. São 45 anos de carreira, cinco Copas do Mundo, nove Copas Américas, dezenas de grandes prêmios de Fórmula 1, incontáveis jogos de Campeonato Brasileiro, Estaduais, Copa do Brasil, Libertadores da América e Mundial Interclubes, campanhas e coberturas políticas e até uma corrida de cachorro no currículo. “Fiz coisa ‘pra’ caramba nesses anos todos. Às vezes, é até bom relembrar”, confessa Orlandão, como é conhecido pelos corredores da Casa.

A carreira de Orlando dentro da comunicação começou quando ele tinha apenas 11 anos, como entregador do jornal O Estado de S. Paulo, em Curitiba. Depois passou pelo escritório da Agência Estado na capital paranaense na função de operador de telex. Alguns anos depois, após tirar a carteira de habilitação, bateu na porta dos jornais Estado do Paraná e Tribuna do Paraná para se tornar motorista. “Sempre que saia para a rua, levava uma antiga máquina rolleiflex e fazia umas fotos. Um dia, teve o famoso acidente  do caminhão de explosivos e eu estava lá. Fiz uma das fotos que foram publicadas na Tribuna e daí não parei mais”, conta.

Nos meados dos anos 70, Orlandão se tornou fotógrafo das editorias de geral e policial da Tribuna. Foi nesta época que a cobertura esportiva surgiu na carreira do fotógrafo. “Nos finais de semana, pelo jornal, eu fazia alguns jogos do amador e dos times profissionais da capital. E assim comecei dentro do futebol. Um dia o pessoal da revista Placar me convidou pra fazer umas fotos em alguns jogos como freelancer e foi aí que a coisa andou. Nunca mais parei de fazer fotos de futebol”, explica.

Em 1986, Orlando conta que foi convidado pela Placar para trabalhar em São Paulo. “Não pensei duas vezes. Peguei minhas coisas em Curitiba e parti. Não quis nem saber. Era uma baita oportunidade”, recorda.  Na capital paulista, as coberturas esportivas se intensificaram. Rodou o Brasil cobrindo futebol. “A Placar é uma revista só de futebol. Então tinha que fazer muita foto, de tudo que é jeito, onde quer que fosse. Passei a cobrir o campeonato paulista e quase todos os jogos do brasileirão em São Paulo. Além disso, tinhas as pautas especiais da revista. Cobri a Copa de 90. Também nessa época que comecei a fazer Fórmula 1”.

No início a década de 90, Orlando passou a fazer parte do time de fotógrafos do jornal O Estado de S. Paulo e, por consequência, da Agência Estado. “Foi aí que eu comecei a cobrir muito mais a Fórmula 1. Além das corridas no Brasil, fiz muitas viagens para cobrir as provas no exterior, principalmente na Europa. Passava 30 ou 40 dias viajando e fazendo cobertura de grandes prêmios. Adorava fotografar Fórmula 1. Até hoje não sei se gostava mais de fazer futebol ou de fazer Fórmula 1”. Foi também pela Agência Estado que Orlandão fez coberturas de Copas América, Taça Libertadores e da Copa do Mundo de 1994, no Estados Unidos, onde, segundo ele, fez a imagem mais marcante de sua carreira.

Gol de Bebeto

Brasil e Holanda se enfrentavam pelas quartas-de-finais da Copa do Mundo FIFA 1994, no estádio Cotton Bowl, em Dallas, nos Estados Unidos. O jogo terminou 3 x 2 para a seleção canarinho e uma das grandes imagens daquela Copa, e daquele jogo, foi feita pelas lentes de Orlando Kissner: a do Bebeto, ao lado de Romário e Mazinho, comemorando o segundo gol brasileiro simulando o embalo de um bebê para homenagear o filho Mattheus, que acabara de nascer. “Foi ali que o mundo inteiro descobriu que o filho do Bebeto tinha nascido. E ele resolveu contar ao mundo bem na minha frente”, recorda Kissner.

O gol saiu após um lance confuso no meio de campo, no qual a bola acabou sobrando livre para o atacante. Bebeto arrancou sozinho, driblou o goleiro Ed De Goej e empurrou para as redes. “Quando ele ficou frente a frente com o goleiro, eu já sabia que ia ser gol”. Orlandão estava posicionado na linha lateral e conta que naquele momento era um dos únicos fotógrafos brasileiros naquela posição. “Acho que tinha um colega da Revista Manchete perto. Mas percebi que a foto era minha”, relembra. Depois da Copa do Mundo de 1994, Orlandão ainda cobriu as copas de 98, na França, de 2002, na Coreia do Sul e no Japão, na qual a seleção consagrou-se pentacampeão, e a de 2014, no Brasil.

De volta pra casa

No fim da década de 90, início dos anos 2000, Orlandão resolveu voltar para Curitiba e, logo que se restabeleceu, foi convidado a trabalhar em coberturas políticas e assim permanece até os dias de hoje. “Apesar de praticamente só fotografar política, ainda sobrava tempo para as pautas esportivas. Fechei um contrato com a Agência France Press e fiquei exclusivo deles aqui no Brasil. Então, ainda fiz muito futebol e outros eventos esportivos". Hoje, Orlandão se dedica exclusivamente às coberturas da Assembleia e esbanja simpatia pelos corredores da Casa, sempre contando alguma história de suas aventuras como fotógrafo esportivo a deputados e servidores da Alep. “Hoje estou tranquilão”, conclui Orlandão.

Se você tem uma história bacana para compartilhar, fotos ou sugestões, fale com a gente entrenos@assembleia.pr.leg.br

 

Compartilhar: