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Nas trilhas da solidariedade

Organizador de provas de Moto Trail, servidor conta como é ajudar famílias carentes que encontram ao desbravar trilhas pela região metropolitana.

Trajano Budola / Alep
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Nas trilhas da solidariedade
Fernando e sua companheira de aventuras Foto: Fernando Silva

Fernando Silva aguarda ansioso pelo fim de semana para se perder em trilhas pela Região Metropolitana de Curitiba. Organizador de provas de Moto Trail há quase 20 anos, é no meio do mato que se sente bem, junto com um grupo apaixonado pelo barro e pelo barulho das motocicletas passando rente às árvores nas picadas. O assessor da Diretoria Geral, apelidado de Barriga, já foi piloto e competiu em provas no enduro de regularidade. Hoje faz do esporte mais do que um hobbie, um modo de estar perto dos amigos e ajudar ao próximo.

Por conta dos custos altos com a manutenção do equipamento e do trabalho pesado que o reconhecimento das trilhas para as provas demanda, já pensou em desistir. A preparação leva meses, tempo que ele gasta integralmente no campo, quase sem ver a família nos sábados e domingos. Mas a recompensa é boa, principalmente porque a atividade acaba promovendo m aspecto que poucos conhecem: a solidariedade. Como os roteiros definidos para as competições estão em regiões muitas vezes isoladas, no meio de áreas de reflorestamento, eles encontram famílias carentes, que pouco têm.

É vendo a realidade de gente que precisa de quase tudo, desde comida a uma moradia digna, que as equipes como a dele se unem para levantar recursos e dar a quem precisa um pouco de alívio. Fernando conta que mesmo próximo a Curitiba, é comum encontrar gente que vive em condições de total precariedade nas zonas rurais de Almirante Tamandaré ou Campo Magro, por exemplo. “Nos reunimos e pedimos a empresários doações de comida e material de construção. Um grupo de colegas construiu um banheiro para uma casa de taipa”, conta.

Como organizador de prova, Fernando se empenha em procurar sempre novos roteiros para desbravar. Quanto mais dificuldade no traçado, como buracos, subidas e descidas, melhor. Mas o trabalho pesado mesmo se faz nas negociações com os proprietários das terras por onde as motocicletas preparadas passam. É preciso usar diplomacia e dom político para convencer os fazendeiros. Comum é passar por meio de plantações. Difícil é convencer o produtor que todo este movimento não vai causar prejuízo. “Acontece muito de ter a trilha completa até o dia do evento e no último momento o proprietário fechar as suas porteiras”, explica o organizador.

Mas tudo é contornado, sempre se resolve. E os almoços que reúnem os competidores, organizadores e suas famílias compensam as quedas, o barro por dentro das botas e os hematomas, inevitáveis. “Quem começa não para, isso eu garanto. É como um vício. Eu já pensei em desistir muitas vezes, por conta de toda preocupação que exige. Mas quando a equipe completa a prova e nós nos garantimos de que deu tudo certo, não tem sensação melhor. Vou continuar até quando não puder mais”, fala Fernando, cheio de energia. 

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