O colecionador de medalhas
Funcionário da Assembleia se destaca em um esporte inusitado: o punhobol
O esporte proporcionou ao engenheiro ambiental Ivo Reck Neto oportunidades que só o esporte pode dar: medalhas, títulos, conquistas, viagens internacionais, amizades, aprender idiomas, uma temporada vivendo na Suíça e por aí vai... Falta, no entanto, a glória, o reconhecimento, a fama. “Eu tenho que trabalhar todo dia aqui na Assembleia para pagar as contas, o celular, a casa. Não tenho como pagas as contas com o esporte”, diz ele aos risos.
Aos 33 anos, o chefe de gabinete do deputado Goura (PDT) é campeão, em diversas categorias, mundial, pan-americano, brasileiro de um esporte pouco conhecido do grande público, o punhobol. O esporte coletivo, semelhante ao voleibol, é jogado em um campo de grama que mede 50m x 20m, com cinco jogadores de cada lado. O campo é dividido ao meio por dois postes, onde é esticado um cabo ou rede com uma altura que pode chegar a dois metros (categoria adulta masculina). Todas as jogadas são efetuadas com o punho fechado e as defesas são feitas com o antebraço.
Ivo iniciou sua carreira no esporte aos nove anos, no Clube Duque de Caixas, em Curitiba. Começou a jogar o punhobol por influência de um tio e alguns primos, que já haviam praticado. “O clube também foi muito importante, pois incentiva a prática do esporte”, conta ele. O menino tomou gosto. Daí para começar a participar de campeonatos foi um pulo. Aos 16 anos, foi convocado para a Seleção Brasileira de Punhobol. A equipe acabou ganhando o campeonato mundial juvenil, disputado na Itália naquele ano. Logo passou para os times adultos.
De lá para cá, soma um sem número de conquistas, como o vice-campeonato de clubes, disputado em 2014 na Alemanha, e o Campeonato Pan-Americano, vencido no ano passado na Argentina. Hoje, treina duas horas durante três vezes por semana, após as atividades na Assembleia. “É esta atividade física que nos dá energia para o trabalho”, diz.
A agenda de disputas de Ivo está extensa nos próximos meses. Em setembro vai até a Áustria disputar o campeonato mundial interclubes. Nos meses seguintes, é ele quem recebe os adversários. Curitiba vai sediar o campeonato brasileiro em outubro e o Sul-Americano em novembro. Ivo vai disputar todos.
Para você saber : o punhobol é bastante popular na Alemanha. No Brasil, a modalidade se desenvolveu principalmente em locais com a presença de descendentes de imigrantes alemães. Tem mais adeptos na Região Sul, com expansão visível para São Paulo e Rio de Janeiro. Nestes locais são disputados os principais campeonatos, em categorias que vão desde a categoria mirim (13 anos) até a veterana (dividida em duas: acima de 35 anos ou 45 anos).
O punhobol foi introduzido no Brasil no início do século XX pelo professor alemão Georg Black. Os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná abrigam cerca de 100 equipes que praticam este esporte no País. Em uma destas, Ivo construiu sua carreira. E aprendeu muito, como ele mesmo explica. “O mais importante foi as amizades que fiz, tanto em outros estados quanto países. Em todas estas partidas, campeonatos aprendi muito sobre ganhar e perder”.
E só por curiosidade. Existem registros de cerca de 2000 anos atrás de um esporte semelhante ao punhobol. Em 1555, Antonio Scaino de Saló publicou as primeiras regras da prática. Na Alemanha, no entanto, ganhou sua notoriedade. Lá, é jogado desde 1893. O primeiro campeonato alemão masculino aconteceu no ano de 1913 e o feminino, em 1921. Também é bastante desenvolvido na Áustria e Suíça. Países como Brasil, Itália, Argentina, Dinamarca, Uruguai, Checoslováquia, Chile, Paraguai, Estados Unidos e Namíbia são os que participam dos campeonatos continentais e mundiais.
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