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Projeto "Assembleia Legislativa no Enem" estimula alunos à prática da redação

Das redações que serão aplicadas ao longo de três fases do inédito projeto, 48 mil participarão do “1º Concurso de Redação da Alep”.

14h00
por Kharina Guimarães
Fonte: Assessoria de Imprensa (41) 3350-4188 ou 4049
5 min de leitura
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Projeto Assembleia Legislativa no Enem 01/07/2016 Foto: Dálie Felberg/Alep


A aula desta sexta-feira (1º) foi diferente. Além do reforço das técnicas básicas para uma boa narrativa, os alunos foram despertados para a importância da redação no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Os encontros sobre redação para o Enem fazem parte do projeto “Assembleia Legislativa no Enem”, uma parceria da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) e do Projeto Eureka, que vai atender os 132 colégios estaduais de Curitiba. O material desenvolvido pelos alunos fará parte do “1º Concurso de Redação” promovido pela Assembleia.  

O trabalho voltado para a redação foi motivado pelos resultados nada animadores registrados no exame, nos últimos anos. Em 2014, 55,74% dos candidatos conseguiram menos de 500 pontos com o texto. A nota não é suficiente para os alunos disputarem uma das vagas do Sistema de Seleção Unificado (Sisu), que disponibiliza oportunidades paras as principais universidades do país. “Infelizmente, a redação é um grande e grave problema. Nosso aluno demonstra uma dificuldade maior em expressar algo, sobretudo em discutir temas mais profundos, desafios”, explica o professor Marlus Geronasso, coordenador do Projeto Eureka.

O projeto “Assembleia Legislativa no Enem” é dividido em três etapas e, em cada uma, os alunos terão que desenvolver textos atendendo aos critérios do Enem e à temática proposta pelos professores. A redação para o concurso será aplicada na segunda fase, em agosto, e terá o tema: “Como o cidadão pode participar de maneira efetiva das discussões e da elaboração de projetos de lei na Assembleia Legislativa do Paraná?”. Serão aplicadas 48 mil redações para alunos do ensino médio da rede pública de Curitiba. “Nós esperamos não só despertar o aspecto da cidadania, mas o reconhecimento da Casa de Leis que é o Legislativo paranaense, permitindo que eles escrevam e escrevam cada vez mais e melhor”, ressalta Geronasso.

Os autores das redações selecionadas serão premiados com tablets, terão a oportunidade de participar de uma sessão plenária na Alep e ainda terão as redações expostas no Espaço Cultural da Casa. Os nomes dos vencedores serão anunciados no site da Alep e nas redes sociais da Assembleia, no dia 14 de setembro.

Em sala – A primeira fase já está acontecendo. Nesta sexta-feira (1º) foi a vez dos alunos dos colégios Gabriela Vidal e Alcindo Fanaya Júnior, de Curitiba, se surpreenderem com as estatísticas apresentados pelo professor Marlus. Apenas 5,98% dos estudantes alcançaram mais de 700 pontos no Enem de 2014, meta necessária para os principais cursos. Já a nota máxima foi um privilégio de apenas 250 candidatos em todo o país. “Nosso processo é conviver com esses alunos e enquadrá-los na realidade do ‘posso e devo fazer melhor’. Nós compreendemos que temos que colaborar e provocar os alunos. Essa aula é uma provação para que eles saiam refletindo sobre o seu papel e o que podem fazer a partir daí. A persistência da escrita poderá levá-los a modificar esses números”, ressalta Geronasso.

Para a aluna Maiara Guesso, de 16 anos, o choque de realidade já surtiu resultado. Apaixonada pela escrita, a partir de agora ela vai adotar uma nova metodologia no estudo. “Consegui aprender muitas coisas que eu não tinha ideia. Eu adoro escrever, é o que eu quero fazer na minha vida. Eu sou escritora e quero publicar livros. Ele deu o exemplo da garota que fazia duas redações por dia e eu vou começar hoje, porque eu quero ser um desses 250”.

Os alunos também aprenderam aquelas dicas simples que podem fazer diferença na hora de garantir uma boa pontuação, desde evitar o excesso de espaço entre as palavras até como proceder em casos de rasura. “Nunca no colégio a gente teve esse auxilio com alguém vindo aqui, nos orientando, nos aconselhando. Isso foi muito interessante. Ele deu ótimas dicas sobre como a gente deve se portar, o que a gente deve escrever, como a gente deve argumentar. Se a gente tem um norte para seguir, sempre pode ir bem”, afirmou o estudante Luiggi Kramer.

Depois da teoria, agora é a vez da prática. O primeiro tema que será trabalhado é “O desafio de se proteger em meio a um cenário de dificuldades com a saúde nas cidades brasileiras”. Os alunos receberam folhas específicas que reproduzem o modelo utilizado no Enem.

Especiais – Parte dos alunos desta sexta-feira tem deficiência auditiva e contou com o apoio de professores de Libras para acompanhar as explicações. Na hora da inscrição no Enem os alunos podem solicitar uma banca especial, mas mesmo assim ainda enfrentam muitas dificuldades. “Para o aluno surdo, a primeira língua é Libras e a segunda língua é que é a Língua Portuguesa. Por isso fica mais difícil, porque a língua precisa atender a especificidade da pessoa surda”, observa a professora Eli Prestes de Aguiar.

“Difícil” não é “impossível”, por isso o aluno Rafael da Cruz Ribas está animado para fazer o exame e realizando o sonho de cursar uma faculdade. “A aula foi muito boa, porque nós podemos assimilar bem o que foi explicado. Podemos nos esforçar cada vez mais e não desistir, continuar. Eu quero fazer faculdade de Mecânica. Eu quero passar, deve ser muito legal fazer faculdade. Essa é minha vontade”.

 

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