Projeto "Assembleia Legislativa no Enem" estimula alunos à prática da redação
Das redações que serão aplicadas ao longo de três fases do inédito projeto, 48 mil participarão do “1º Concurso de Redação da Alep”.
A aula desta sexta-feira (1º) foi diferente. Além do reforço das técnicas básicas para uma boa narrativa, os alunos foram despertados para a importância da redação no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Os encontros sobre redação para o Enem fazem parte do projeto “Assembleia Legislativa no Enem”, uma parceria da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) e do Projeto Eureka, que vai atender os 132 colégios estaduais de Curitiba. O material desenvolvido pelos alunos fará parte do “1º Concurso de Redação” promovido pela Assembleia.
O trabalho voltado para a redação foi motivado pelos resultados nada animadores registrados no exame, nos últimos anos. Em 2014, 55,74% dos candidatos conseguiram menos de 500 pontos com o texto. A nota não é suficiente para os alunos disputarem uma das vagas do Sistema de Seleção Unificado (Sisu), que disponibiliza oportunidades paras as principais universidades do país. “Infelizmente, a redação é um grande e grave problema. Nosso aluno demonstra uma dificuldade maior em expressar algo, sobretudo em discutir temas mais profundos, desafios”, explica o professor Marlus Geronasso, coordenador do Projeto Eureka.
O projeto “Assembleia Legislativa no Enem” é dividido em três etapas e, em cada uma, os alunos terão que desenvolver textos atendendo aos critérios do Enem e à temática proposta pelos professores. A redação para o concurso será aplicada na segunda fase, em agosto, e terá o tema: “Como o cidadão pode participar de maneira efetiva das discussões e da elaboração de projetos de lei na Assembleia Legislativa do Paraná?”. Serão aplicadas 48 mil redações para alunos do ensino médio da rede pública de Curitiba. “Nós esperamos não só despertar o aspecto da cidadania, mas o reconhecimento da Casa de Leis que é o Legislativo paranaense, permitindo que eles escrevam e escrevam cada vez mais e melhor”, ressalta Geronasso.
Os autores das redações selecionadas serão premiados com tablets, terão a oportunidade de participar de uma sessão plenária na Alep e ainda terão as redações expostas no Espaço Cultural da Casa. Os nomes dos vencedores serão anunciados no site da Alep e nas redes sociais da Assembleia, no dia 14 de setembro.
Em sala – A primeira fase já está acontecendo. Nesta sexta-feira (1º) foi a vez dos alunos dos colégios Gabriela Vidal e Alcindo Fanaya Júnior, de Curitiba, se surpreenderem com as estatísticas apresentados pelo professor Marlus. Apenas 5,98% dos estudantes alcançaram mais de 700 pontos no Enem de 2014, meta necessária para os principais cursos. Já a nota máxima foi um privilégio de apenas 250 candidatos em todo o país. “Nosso processo é conviver com esses alunos e enquadrá-los na realidade do ‘posso e devo fazer melhor’. Nós compreendemos que temos que colaborar e provocar os alunos. Essa aula é uma provação para que eles saiam refletindo sobre o seu papel e o que podem fazer a partir daí. A persistência da escrita poderá levá-los a modificar esses números”, ressalta Geronasso.
Para a aluna Maiara Guesso, de 16 anos, o choque de realidade já surtiu resultado. Apaixonada pela escrita, a partir de agora ela vai adotar uma nova metodologia no estudo. “Consegui aprender muitas coisas que eu não tinha ideia. Eu adoro escrever, é o que eu quero fazer na minha vida. Eu sou escritora e quero publicar livros. Ele deu o exemplo da garota que fazia duas redações por dia e eu vou começar hoje, porque eu quero ser um desses 250”.
Os alunos também aprenderam aquelas dicas simples que podem fazer diferença na hora de garantir uma boa pontuação, desde evitar o excesso de espaço entre as palavras até como proceder em casos de rasura. “Nunca no colégio a gente teve esse auxilio com alguém vindo aqui, nos orientando, nos aconselhando. Isso foi muito interessante. Ele deu ótimas dicas sobre como a gente deve se portar, o que a gente deve escrever, como a gente deve argumentar. Se a gente tem um norte para seguir, sempre pode ir bem”, afirmou o estudante Luiggi Kramer.
Depois da teoria, agora é a vez da prática. O primeiro tema que será trabalhado é “O desafio de se proteger em meio a um cenário de dificuldades com a saúde nas cidades brasileiras”. Os alunos receberam folhas específicas que reproduzem o modelo utilizado no Enem.
Especiais – Parte dos alunos desta sexta-feira tem deficiência auditiva e contou com o apoio de professores de Libras para acompanhar as explicações. Na hora da inscrição no Enem os alunos podem solicitar uma banca especial, mas mesmo assim ainda enfrentam muitas dificuldades. “Para o aluno surdo, a primeira língua é Libras e a segunda língua é que é a Língua Portuguesa. Por isso fica mais difícil, porque a língua precisa atender a especificidade da pessoa surda”, observa a professora Eli Prestes de Aguiar.
“Difícil” não é “impossível”, por isso o aluno Rafael da Cruz Ribas está animado para fazer o exame e realizando o sonho de cursar uma faculdade. “A aula foi muito boa, porque nós podemos assimilar bem o que foi explicado. Podemos nos esforçar cada vez mais e não desistir, continuar. Eu quero fazer faculdade de Mecânica. Eu quero passar, deve ser muito legal fazer faculdade. Essa é minha vontade”.
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