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Projeto de lei protocolado na Assembleia estabelece diretrizes para uso experimental da polilaminina

Proposta foi apresentada na Casa pelo deputado Arilson Chiorato (PT).

Deputado Arilson Chiorato (PT), líder da Oposição na Casa.
Deputado Arilson Chiorato (PT), líder da Oposição na Casa. Créditos: Orlando Kissner/Alep

O deputado estadual Arilson Chiorato (PT) propôs, na Assembleia Legislativa do Paraná, um projeto de lei que estabelece diretrizes para autorizar o uso experimental da polilaminina no tratamento de lesões medulares agudas e paralisias decorrentes de traumas no Paraná. De acordo com o parlamentar, a proposição foi motivada pelos resultados promissores observados nos estudos sobre a substância e busca garantir amplo acesso ao medicamento, e não apenas a pessoas que recorrem à Justiça.

A polilaminina é resultado de pesquisas conduzidas pela cientista brasileira, a bióloga Tatiana Sampaio, com foco na regeneração neural e na recuperação funcional de pacientes com lesão medular. Pacientes do grupo de estudo têm apresentado recuperação dos movimentos após o recebimento da substância, com acompanhamento médico e fisioterapêutico.

“O estudo clínico deve iniciar no próximo mês, mas, diante dos bons resultados, muitas pessoas têm ingressado com pedidos na Justiça para ter acesso ao medicamento. É claro que o rigor científico deve ser cumprido, mas o que buscamos é oportunizar, de forma equânime, o acesso ao medicamento, mesmo de forma compassiva, para aqueles que assim desejam”, pontua o deputado Arilson, que também preside o Partido dos Trabalhadores (PT-PR).

O projeto de lei também prevê que a Secretaria Estadual de Saúde (SESA) possa celebrar convênios, termos de cooperação técnica e parcerias com instituições de pesquisa, como universidades públicas, institutos tecnológicos e laboratórios, devidamente autorizados pelos órgãos federais competentes, visando ao fornecimento regular da substância. Além disso, o texto inclui a capacitação permanente dos profissionais de saúde e o suporte técnico-científico necessário à sua aplicação.

O deputado ressalta que a implementação das diretrizes observa os princípios da precaução, da segurança sanitária, da ética médica, da transparência e da responsabilidade administrativa. “Não queremos desrespeitar o processo científico, que tem sido conduzido com cautela pela pesquisadora Tatiana Sampaio. Ao contrário, a iniciativa visa apenas democratizar o acesso a quem precisa e não pode esperar. Estamos confiantes, assim como o Brasil inteiro, de que a pesquisa siga em frente com bons resultados e, daqui a algum tempo, esteja disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) a todos os brasileiros”, comenta o parlamentar.

Aplicação

De acordo com o projeto, a aplicação da polilaminina observará os princípios éticos da pesquisa e da assistência em saúde, a obtenção de consentimento livre e esclarecido do paciente ou de seu representante legal, a supervisão por comitê de ética em pesquisa credenciado e o registro e monitoramento clínico dos resultados terapêuticos. Além disso, o texto deixa claro que a utilização da substância não dispensa as demais terapias e intervenções médicas indicadas para o caso clínico.

Atendimento prioritário

Outro ponto previsto no projeto de lei apresentado pelo deputado Arilson é a prioridade absoluta no atendimento hospitalar a vítimas de acidentes de trânsito, quedas e traumas raquimedulares que resultem em lesão medular. A prioridade inclui triagem imediata, exames urgentes, cirurgias de emergência, estabilização clínica e início precoce da reabilitação.

Em situações de maior gravidade, que tenham indicação médica para transferência a unidade de maior complexidade e inexistam vaga ou recurso adequado na localidade, o Estado poderá disponibilizar transporte aeromédico por meio dos órgãos competentes, especialmente o Batalhão de Polícia Militar de Operações Aéreas.

A proposta determina ainda a criação de um programa permanente de monitoramento dos resultados clínicos do tratamento. Relatórios anuais deverão ser apresentados à Assembleia Legislativa e ao Conselho Estadual de Saúde, com dados sobre eficácia, segurança, tempo de acesso, recuperação funcional e custos.

“Esse projeto da polilaminina representa um compromisso com a vida, com a pesquisa científica brasileira e com a construção de políticas públicas baseadas em conhecimento técnico qualificado. É importante ressaltar também que esse estudo é fruto de pesquisa realizada em universidade pública por uma pesquisadora brasileira”, pontua.

Uso compassivo

O uso compassivo é um instrumento que permite à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizar, em caráter excepcional, a utilização de um medicamento ainda em desenvolvimento, mas considerado promissor, por pacientes com doenças graves e potencialmente fatais que não disponham de alternativas terapêuticas mais adequadas e que não possam participar de ensaios clínicos.

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