Audiência pública realizada na Assembleia debate situação dos policiais paranaenses
Representantes das forças de segurança apresentaram um panorama da realidade das polícias, apontando a necessidade de mais investimentos no setor.
A Assembleia Legislativa do Paraná realizou na manhã desta terça-feira (27), em seu Plenarinho, a audiência pública “Que polícia você quer para o estado: o desejo das polícias e o desejo da população”, por proposição do deputado Delegado Recalcatti (PSD). Representantes das forças de segurança estiveram presentes e apresentaram um panorama da realidade das polícias civil e miliar, destacando a necessidade de maiores investimentos em equipamentos e aumento do efetivo.
“Nosso objetivo neste encontro é traçarmos um panorama da polícia e das necessidades do cidadão, porque assim podemos abraçar a causa da segurança com maior efetividade, para mudarmos a realidade que hoje vivemos. Tenho certeza que as contribuições desta audiência vão ajudar em muito o trabalho legislativo”, disse Recalcatti.
O deputado estadual recém-eleito para a próxima legislatura, Subtenente Everton (PSL), destacou a necessidade de maior envolvimento da própria sociedade com as questões da segurança pública, pois pelo atual cenário, diante de algumas demandas reprimidas, essa participação da comunidade no auxílio da atividade policial seria fundamental. “Os problemas são muitos e tenho percebido que cada vez mais o policial, que foi treinado para a segurança, teve que assumir outras funções. Mas ao mesmo tempo não houve uma preparação para essas novas atribuições. Por isso, é importante que o assunto da segurança pública envolva toda a sociedade”.
Autonomia – O chefe do Estado Maior da Polícia Militar do Paraná, coronel Antônio Zanatta Neto, disse que a discussão sobre segurança pública por vezes não tem a participação mais efetiva dos agentes que conhecem a realidade das funções. “Precisamos que a sociedade também entenda as nossas limitações, porque nem sempre quem vive a segurança pública no dia a dia é chamado para debater o tema. E somos cobrados”.
Ele apontou que a autonomia financeira e administrativa das polícias é um ponto a ser alcançado, além da contratação de novos policiais e bombeiros, assim como a progressão nas carreiras dos militares. Segundo Zanatta, anualmente cerca de 900 policiais militares vão para a reserva. “Temos que recompor a baixa deste efetivo”, completou.
O ex-diretor geral da Polícia Civil do Paraná, delegado João Ricardo Kepes de Noronha, destacou por sua vez a importância da Assembleia Legislativa em abrir o debate e reconheceu igualmente que limitações da atuação policial por vezes impedem os avanços e melhorias na segurança pública. “Precisamos de uma polícia preparada, com o profissional sendo respeitado e respeitando também a lei, deixando a cada um as suas atribuições, porque vemos diversas situações de desvio funcional. Da mesma forma, a polícia precisa de autonomia administrativa e financeira para exercer com tranquilidade a sua discricionariedade”.
Diversas entidades ligadas à segurança pública também participaram da audiência, que teve ainda a palavra aberta aos presentes. As manifestações foram de apoio aos policiais, principalmente pela urgência de melhorias nas condições de trabalho e mais investimentos em equipamentos.
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