Audiência sobre fortalecimento de Unidades de Conservação chama atenção para mudanças climáticas A preocupação no momento é a visão do Governo Federal, que pode enfraquecer as políticas ambientais e diminuir o número de UCs, disse o deputado Goura.

24/09/2019 16h29 | por Thiago Alonso
O Fortalecimento das Unidades de Conservação (UC) do Paraná foi tema de audiência pública na Alep proposta pelo deputado Goura (PDT).

O Fortalecimento das Unidades de Conservação (UC) do Paraná foi tema de audiência pública na Alep proposta pelo deputado Goura (PDT).Créditos: Dálie Felberg/Alep

O Fortalecimento das Unidades de Conservação (UC) do Paraná foi tema de audiência pública na Alep proposta pelo deputado Goura (PDT).

Alinhada a um assunto que tomou conta das discussões na esfera pública nos últimos meses – a necessidade de preservação ambiental para frear as mudanças climáticas –, a Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) promoveu nesta terça-feira (24) uma audiência pública para debater o Fortalecimento das Unidades de Conservação (UC) do Paraná. Reunindo ativistas, estudiosos, pesquisadores e parlamentares, os participantes reafirmaram a necessidade de preservação para frear uma catástrofe ambiental. O objetivo do grupo é redigir um documento para sugerir novas políticas que garantam uma maior preservação de áreas de conservação.

É o que diz o propositor da discussão, deputado Goura (PDT). “Nosso objetivo é chegar a um plano ousado de conservação. Nossa preocupação no momento é a visão do Governo Federal, que pode enfraquecer as políticas ambientais e diminuir o número de Unidades de Conservação. A ONU está discutindo fortemente ações pelo clima, como a redução da emissão de carbono na atmosfera. Neste sentido, a preservação de nossas florestas é essencial”, lembra.

As Unidades de Conservação são áreas delimitadas para assegurar a preservação da natureza, da biodiversidade e de outros atributos naturais nelas contidos. A proteção destes territórios é uma grande missão para o poder público, entidades e demais atores da sociedade civil, diz Goura. Entre os principais desafios estão a falta de investimento, ausência de participação popular, desmatamento, caça, incêndios e regularização fundiária.

Atualmente, o Brasil conta com 334 Unidades de Conservação em seu território, sendo 68 delas no Paraná. O número pode parecer alto, mas representa apenas 2% de áreas protegidas no País. Em todo o território paranaense, somente 2,73% é de UC. Os dados são do Ministério Público estadual.

Para os participantes do debate é pouco. Ainda assim, estes locais têm de enfrentar diariamente o avanço de ruralistas e empresários que enxergam áreas de preservação como impeditivos do desenvolvimento rural e econômico. “Somos um estado madeireiro. Hoje, o ruralismo comanda as instituições de poder no Brasil. Lá fora, nosso país é considerado inimigo do planeta na questão de conservação ambiental”, denuncia Clóvis Borges, diretor executivo da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS).

Enquanto ele fala, o desmatamento continua. A Operação Mata Atlântica em Pé, executada por unidades do Ministério Público brasileiro em 16 estados na semana passada, culminou na confirmação de 5,3 mil hectares de desmatamento, com a aplicação de perto de R$ 22 milhões em multas. No Paraná, as fiscalizações foram executadas pela Polícia Ambiental do Paraná/Força Verde e constatou 688 hectares de floresta devastada ilegalmente.

Foram apreendidos 104 metros cúbicos de madeira e expedidos 53 ofícios com informações de crime ao Ministério Público, além de lavrados 85 autos de infração e aplicadas multas no valor total de mais de R$ 6 milhões. A operação visa combater o desmatamento e garantir a proteção de regiões que integram o bioma da Mata Atlântica. “Temos que mudar rapidamente se quisermos preservar o mínimo”, alerta o promotor do Ministério Público do Paraná, Alexandre Gaio.

Enquanto as matas são destruídas, o clima do planeta sofre. Cientistas especializados no assunto apresentaram na segunda-feira (23), durante Cúpula de Ação Climática das Nações Unidas, um relatório que expõe o aumento do aquecimento global, do nível dos mares, a diminuição das geleiras e a poluição por carbono. O documento foi elaborado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) e conclui que o acelerado derretimento das geleiras e os consequentes aumentos do nível dos oceanos e eventos climáticos extremos são responsáveis pelo aumento recorde da temperatura média global, que está 1,1°C acima dos níveis pré-industriais (1850-1900) e 0,2°C mais quente do que no período de 2011-2015. O documento destaca ainda a necessidade de ações de controle das emissões de CO2 em setores essenciais para evitar um aumento perigoso da temperatura global.

O resultado? Ondas generalizadas e duradouras de calor, incêndios recordes, eventos como ciclones tropicais, inundações e secas.  “O planeta está exaurido. Cerca de 60% dos vertebrados do mundo já desapareceram. Consumimos mais água que o necessário. Há 20 anos estamos defendendo esta pauta ambiental. A preservação das unidades de conservação é uma garantia de sobrevivência de nossa espécie”, clama Angela Kucsach, diretora executiva da Rede Nacional Pró Unidades de Conservação. Aristides Athayde, representante da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Sustentável e Turismo, alerta: “Está em nossas mãos agir. Podemos perder o planeta por causa da ganância”.

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