Acidentes na infância: um risco invisível e comum
Acidente de trânsito está no topo da causa de morte de crianças. Mas dentro de casa o risco também é grande. Mortes por afogamento, sufocação e queimadura também assustam.
Uma criança de pouco mais de um ano de idade solta pela cozinha em um andador. O que poderia parecer mais uma etapa do desenvolvimento infantil se tornou uma tragédia. A mãe e a avó, que fritavam salgados no fogão, não viram a criança se aproximar e puxar a panela cheia de óleo quente. Ela teve 70% do corpo queimado e faleceu 10 dias depois do acidente.
O caso é real e foi relatado pelo pediatra Gilberto Pascolat, diretor técnico do Hospital Universitário Evangélico Mackenzie, durante a audiência pública “Prevenção de Acidentes na Infância”, realizada nesta terça-feira (28) no Plenarinho da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). A proposição foi do líder do Governo na Assembleia, deputado Hussein Bakri (PSD), que durante a reunião sugeriu a criação de um grupo de trabalho para aprofundamento dos temos debatidos. O objetivo é estabelecer formas concretas de coibir as principais causas de acidentes com crianças.
Entre os primeiros pontos a serem abordados pelo grupo está a proibição de andadores no estado do Paraná; o incentivo e facilitação ao acesso de cadeirinhas para carros, além da fiscalização de seu uso efetivo; melhoria na legislação da fabricação e instalação de portões; criação de uma semana pedagógica para prevenção de acidentes e o fortalecimento de redes de solidariedade. “São dados estarrecedores. Precisamos dar luz a este tema para chegar a resultados efetivos”, disse Bakri.
As medidas visam diminuir os principais acidentes envolvendo crianças. Dados de 2016 da ONG Criança Segura mostram que as principais causas de óbitos de crianças de 0 a 14 anos são o trânsito (34,6%), afogamento (24,5%), sufocação (22,1%), queimadura (5,6%), quedas (4,9%), intoxicação (2%) e outros (6,3%). Para Pascolat, os acidentes são mais comuns do que parecem e suas causas passam despercebidos pelos pais ou cuidadores. “Ao contrário de que muitos acreditam, o andador representa o atraso do desenvolvimento motor das crianças. Além disso, expõe a sérios riscos de acidentes. De acordo com pesquisas, nenhum modelo no Brasil previne a queda, portanto, a chance de acidentes é de quase 100%”, exemplificou.
Presenças – O encontro contou ainda com as participações da pediatra do Hospital Universitário Evangélico Mackenzie, Janayne Francheska Mançaneira; assessora da direção do Hospital Pequeno Príncipe, Telma Alves de Oliveira; da presidente da Sociedade Paranaense de Pediatria, Kerstin Taniguchi Abagge, e da diretora de Políticas Públicas para Criança, Adolescente e Idoso da secretaria de Estado da Justiça, Família e Trabalho, Ângela Mendonça.
A pediatra Janayne Mançaneira lembrou que o trânsito está no topo de mortes. De acordo com o Ministério da Saúde, ele é a principal causa de óbitos por acidente de crianças e adolescentes de zero a 14 anos no Brasil. “Em 2016, foram quase 900. Por isso reforçamos a necessidade do uso da cadeirinha. Ela é muito eficaz e aumenta em 71% as chances de sobrevivência”, observou.
Já pediatra Kerstin Taniguchi abordou a necessidade de informar a população dos riscos de acidentes. “Sugiro a criação de uma campanha conjunta para informar as pessoas. Lembrando que em 30 de agosto é celebrado o dia de Prevenção de Acidentes com Crianças”, sugeriu. Telma Alves, do Pequeno Príncipe, chamou a atenção para a relação entre acidentes e violência. “Fica o alerta: o que está por trás dos acidentes? É violência, falta de informação, negligência? Por exemplo, a legislação que flexibiliza o acesso a armamento não vai proteger nossas crianças, pelo contrário”, disse.
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