Assembleia Entrevista debate violência política de gênero e nova central de atendimento do NUDEM
Defensoras públicas explicam como funciona o canal de acolhimento, os tipos de agressão mais comuns e os planos para levar o serviço a todos os municípios paranaenses.
Os tipos de violência mais comuns contra mulheres na política, os ataques nas redes sociais e os planos para levar o atendimento a todos os municípios do Estado estão entre os temas abordados na edição do Assembleia Entrevista desta quinta-feira (17).
A edição recebe as defensoras públicas Dra. Mariana Martins Nunes, coordenadora do Núcleo de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres (NUDEM), e Dra. Gabriela Vizel Gomes, auxiliar do núcleo, para falar sobre a recém-lançada Central de Atendimento às Mulheres Vítimas de Violência Política de Gênero, do Paraná.
Segundo as defensoras, a iniciativa nasceu de uma demanda recorrente de vereadoras, deputadas e lideranças comunitárias que procuravam o NUDEM relatando situações de violência e a dificuldade de obter respostas efetivas das instituições. "A nossa iniciativa surge dessa percepção de que os avanços legislativos não eram suficientes, que a gente precisava de instituições preparadas para o acolhimento", explica Mariana.
No programa, as defensoras detalham como a violência política se manifesta, desde condutas veladas, como a interrupção constante da fala de uma parlamentar, até ameaças diretas e o uso de candidaturas femininas como fachada para cumprir a cota legal de 30%. "Passa um recado à sociedade de que as mulheres não são bem-vindas nessas posições de liderança", resume Gabriela, ao lembrar que esse tipo de agressão também tem efeito inibidor sobre outras mulheres que gostariam de ocupar cargos públicos.
A conversa também aborda o papel das redes sociais nesse cenário. As defensoras explicam como o NUDEM pretende agir contra deepfakes, vazamento de dados e discurso de ódio, atuando de forma extrajudicial, cível e criminal contra os agressores. "Na internet não é uma terra sem lei, eles podem e serão identificados", afirma Gabriela, destacando ainda o suporte psicológico oferecido às vítimas.
Outro ponto de destaque é o plano do núcleo para levar o atendimento e a educação em direitos aos 399 municípios do Estado, com apoio de procuradorias da mulher e lideranças locais, além de uma parceria em construção com a Defensoria Pública da União. Segundo Mariana, o objetivo é reduzir a "rota crítica" enfrentada por quem denuncia, quando a vítima precisa peregrinar por diferentes órgãos sem obter resposta. "A gente precisa reconhecer para enfrentar", diz a coordenadora, ao falar sobre a importância de nomear a violência política de gênero para combater a desigualdade.
Para conferir o programa na íntegra, clique aqui.
Notícias Relacionadas
TV Assembleia debate como a introdução alimentar para crianças molda os hábitos da vida adulta
Episódio do “Conversa Saudável” traz orientações sobre os primeiros alimentos oferecidos ao bebê e seus efeitos ao longo dos anos.
Leia mais
TV Assembleia: Arte e Cultura aborda relação entre direito e poesia na obra de Patrícia Yamasaki
Advogada e escritora reúne 70 poemas no livro “Cardiograma de gente viva” e aborda no programa a experiência de transitar entre culturas.
Leia mais
Assembleia Entrevista: procurador-geral do MPC fala sobre ações do órgão em defesa civil, precatórios e educação fiscal nos municípios
Gabriel Guy Léger é o convidado do programa e apresenta as iniciativas do Ministério Público de Contas do Paraná para qualificar a gestão pública.
Leia mais
Geração Z, redes sociais e crise do diálogo são tema de entrevista na TV Assembleia
Sociólogo Guilherme Carvalho analisa os impactos do ambiente digital no comportamento dos jovens.
Leia mais