Assembleia inicia discussão sobre políticas públicas para deixar as cidades mais inclusivas para as mulheres
Audiência debateu a influência do planejamento urbano em questões como violência e exclusão feminina na sociedade.
A calçada estreita ou esburacada, o muro alto e contínuo, o canto sombrio na praça. A falta de banheiro feminino no centro, a delegacia da mulher distante e, muitas vezes, de portas fechadas, o ônibus lotado. As cidades, como são pensadas e estruturadas hoje, não são feitas para as mulheres. O espaço público é hostil ao gênero feminino. Para debater esta realidade, a Assembleia Legislativa do Paraná iniciou nesta segunda-feira (09) uma discussão que pretender elaborar políticas públicas criando regras mais claras nos planos urbanísticos, contemplando de fato as necessidades femininas.
A audiência pública “Mulheres e Cidades Inclusivas” reuniu arquitetas, urbanistas e estudiosas para apontar problemas na forma em que o poder público pensa e desenvolve o espaço urbano. O objetivo é a elaboração de leis e políticas públicas de inclusão. A proposta é de que as cidades do futuro sejam pensadas por mulheres para abrigar as mulheres. “O lugar feminino nas cidades é um não-lugar. Queremos cidades mais seguras, democráticas e justas”, disparou Sandra Bazzo, vice-presidente da Comissão de Estudos de Violência de Gênero da Ordem dos Advogados seção Paraná (Cevige/OAB-PR).
“As cidades não são feitas para mulheres. Geralmente são pensadas por homens para homens. Pode não ser proposital, mas é cultural. Os ônibus lotados, sem espaços para bolsas ou carrinhos de bebê. A falta de mais banheiros públicos femininos”, exemplificou ela. Pontos como insegurança, assédio sexual e falta de planejamento para anteder as demandas são destacados. “Como criar espaços mais democráticos que atendam a todos os gêneros?”, indagou Célia Regina Bim, diretora de projetos do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC).
“Devemos proporcionar melhores condições para que as mulheres e excluídos participem dos espaços públicos. Quando isso acontecer, a cidade será melhor para todos”, disse Margareth Menezes, presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Paraná (CAU/PR). “Durante todos estes anos, o planejamento urbano teve o homem como centro. Com isso, a mulher é que mais sofre. Precisamos criar um novo olhar para este planejamento, tendo a mulher como centro do cuidado e atenção”, completou.
A coordenadora-adjunta da Comissão de Equidade de Gênero do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Paraná (CEG-CAU/PR), Rafaela Weigert, chamou a atenção para a ausência feminina na discussão do planejamento de cidades que diminuam as desigualdades. “Hoje, 60% das profissionais da área são arquitetas, mas elas não são envolvidas na confecção de planos diretores, por exemplo. O que seria pensar as cidades do ponto de vista de uma urbanista? Como seria esta cidade ideal?”, perguntou.
Apoio – Proposto pelo presidente do Legislativo, deputado Ademar Traiano (PSDB), em parceria com a deputada Mabel Canto (PSC) e o deputado Goura (PDT), o debate deve se estender a municípios do interior do Estado. Traiano exaltou a inciativa e disse que a Assembleia é parceira do movimento. “Entendemos que é preciso pensar as cidades sob a ótica feminina. Esta discussão proporciona o surgimento de ideias e sugestões que possam enriquecer o tema, resultando em leis duradouras. Vamos acatar e encaminhar todas as sugestões”, disse o presidente da Casa.
Para Mabel Canto, a audiência representa a lutas das mulheres por mais espaço e direito na sociedade. “Tenho abraçado e trabalhado em prol de ideias que beneficiem as mulheres. Vamos elaborar mudanças legislativas que tornem a inclusão feminina uma obrigação”, disse. “Nosso objetivo é elaborar uma proposição legislativa em que projetos financiados pelo Estado prevejam pontos com este olhar diferente. Queremos sensibilizar o governo de que todas as obras contemplem as mulheres”, encerrou o deputado Goura.
Audiência Pública com o tema "Mulheres e Cidades Inclusivas"
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