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Audiência alerta para aumento de mortes e doenças relacionadas às mudanças climáticas

Debate promovido pela deputada Márcia Huçulak (PSD) reuniu especialistas para tratar sobre os impactos das questões ambientas no setor de saúde.

13h51
por Ana Luzia Mikos
5 min de leitura
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O encontro no Plenarinho foi promovido pela deputada Márcia Huçulak (PSD), como uma forma de aproximar o Legislativo do tema, alertar a sociedade e também discutir medidas para minimizar a situação. Foto: Valdir Amaral/Alep

Um quarto de todas as doenças e mortes que ocorre no mundo atualmente pode ser atribuído aos fatores ambientais. O preocupante dado da Organização Mundial da Saúde (OMS) foi apenas um dos alertas trazidos por especialistas à Assembleia Legislativa do Paraná, durante a Audiência Pública que tratou sobre os impactos das mudanças climáticas no sistema de saúde.

O encontro no Plenarinho foi promovido pela deputada Márcia Huçulak (PSD), como uma forma de aproximar o Legislativo do tema, alertar a sociedade e também discutir medidas para minimizar a situação. “Nós estamos sempre buscando resolver as consequências dos atos. Mas precisamos focar um pouco em evitar a causa desses efeitos deletérios que comprometem muito a saúde humana. Pois os maiores impactos das mudanças climáticas estão na saúde”, afirmou.

Ela usou como exemplo a atual epidemia de dengue, que chegou a 159.357 casos confirmados e 77 mortes no Paraná, de acordo com o último boletim epidemiológico. “Está em cidades do nosso estado e do Brasil que nunca tiveram. Curitiba é um caso. Raramente tínhamos casos autóctones (contraídos na própria região), a última vez foi em 2016. Agora vemos esse crescimento expressivo que tem a ver com o aumento da temperatura no planeta, com a multiplicação de patógenos. O ambiente quente e úmido propicia aumento de transmissão causando danos à saúde humana”, acrescentou.

E essa relação entre epidemias e ambientes urbanos foi abordada pelo diretor do Centro de Epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba, Alcides Augusto Souto de Oliveira. “À medida que o mundo aquece, a saúde humana está na linha de frente. Segundo a OMS, um quarto de todas as doenças e mortes que ocorre no mundo atualmente pode ser atribuído aos fatores ambientas. Por isso o calor extremo é um problema de saúde claro e crescente, sendo urgentemente necessários planos de adaptação baseados em evidências para evitar mortes desnecessárias”.

O professor e pesquisador na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e membro da Associação Brasileira de Climatologia (ABCLIMA) Flavio Feltrim Roseghini falou do conceito One Helth, ou Saúde Única, que considera três esferas distintas: saúde humana, animal e ambiental, diretamente ligadas ao clima.

“A gente chama o clima de condicionante ambiental e a mudança climática tem um impacto muito grande como vimos mais recentemente com o este forte El Niño: aumentando a temperatura, com mais chuvas e invernos menos frios. Em relação à dengue, por exemplo, são condições favoráveis para a explosão dos casos como estamos vendo”, disse.

Questões sociais como a falta de saneamento, de ações da sociedade e a carência de políticas públicas contribuem para este panorama. “As mudanças climáticas são democráticas e vão atingir a todos, mas as populações mais vulneráveis sofrerão mais”.

O professor titular e vice-chefe do Departamento de Zoologia UFPR, Mario Antônio Navarro da Silva definiu o Aedes aegypticomo uma máquina biológica extremamente inteligente para encontrar o ser humano. “E as mudanças climáticas transformam o cenário atual em um paraíso para mosquito, imprimindo uma velocidade muito alta para o seu desenvolvimento”.

A necessidade de médicos veterinários e agentes de saúde trabalharem juntos foi ressaltada pelo representante do Conselho Regional de Medicina Veterinária, Antônio Felipe Figueiredo Wouk. Ele apontou que 75% das doenças emergentes que afetam o ser humano têm origem nos animais. “Nosso exemplo mais próximo e que tem muito a nos ensinar, é a própria Covid. A detecção precoce favorece e racionaliza muitos os cuidados com a saúde. Quanto mais precocemente isso for diagnosticado nos vetores, nos animais, antes de chegar ao ser humano, mais fácil minimizar os custos com a saúde.

Diretor-geral do Complexo Pequeno Príncipe e militante ambiental há muito anos, José Álvaro Carneiro foi fundador da Associação Pró-Jureia, SOS Mata Atlântica, Liga Ambiental e Mar Brasil, e considera que as perspectivas atuais em relação às mudanças climáticas não são boas. 

“Vivemos em 2023 o ano mais quente da história e todos já sofremos eventos globais extremos, como calor e chuvas. A sociedade não está cumprindo o Acordo de Paris, temos cenários políticos imprevisíveis pela frente, como as eleições nos Estados Unidos, as guerras em curso e a concentração de riquezas”, citou.

Ele expôs ações que colocam o Complexo Pequeno Principe como uma das instituições filantrópicas de saúde na vanguarda mundial de práticas ambientais. Entre elas, o foco na redução do consumo de energia, água e geração de resíduos, compostagem, reciclagem de tecidos e neutralidade na emissão de gás carbônico. “Consideramos que o setor privado tem de assumir a responsabilidade nestas práticas, assim como estamos fazendo há muitos anos.”

A secretária municipal de Saúde de Curitiba, Beatriz Batistela Nadas, considera que viver hoje em cidades é um desafio grande. “Somos consequência do aquecimento global e vemos no dia a dia todo esse impacto, com doenças antigas e novas, nos atendimentos, nas UTI’s”.

Após as explanações, transmitidas ao vivo pela Tv Assembleia, a deputada Márcia Huçulak reforçou a importância da abordagem em relação à Saúde Única e também da discussão sobre a concessão de isenções e benefícios fiscais às empresas que contribuem com a proteção ambiental.

“Importante ampliar a discussão. E este ano vamos escolher os gestores das cidades nas eleições. Convoco a todos que coloquem essa pauta em seus planos de governo para ações neste sentido”, sugeriu.

 

"MUDANÇAS CLIMÁTICAS E OS IMPACTOS NOS SISTEMAS DE SAÚDE"

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