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Audiência Pública debate melhorias na criação e comercialização de porcos crioulos no Paraná

Encontro proposto pelo deputado Luiz Claudio Romanelli (PSD) reuniu especialistas e criadores para discutir políticas de valorização do patrimônio genético paranaense.

Pedro Sarolli
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Audiência ocorreu na manhã desta terça-feira (19), no Auditório Legislativo. Foto: Valdir Amaral/Alep

Nesta terça-feira (19), a Assembleia Legislativa do Paraná promoveu, no Auditório Legislativo, a audiência pública denominada "Os Desafios na Criação e na Comercialização dos Porcos Crioulos". A reunião, proposta pelo deputado Luiz Claudio Romanelli (PSD), faz parte da Semana Estadual dos Porcos Crioulos, instituída pela Lei nº 22.193/2024, de autoria do parlamentar, que tem como objetivo promover, valorizar e difundir a criação tradicional, os padrões genéticos e a comercialização das raças crioulas no Paraná. Produtores, pesquisadores e representantes de entidades públicas e privadas participaram do debate.

"A ideia é estimular a criação, a comercialização e a manutenção dessa tradição no nosso Estado. É uma troca com pesquisadores, produtores e comercializadores, promovendo essa cadeia produtiva. Queremos que os produtores tenham condições reais de transformar tradição em renda. Tenho certeza de que as contribuições de hoje serão fundamentais para a consolidação dessa cadeia", destacou Romanelli, que também é autor da Lei nº 22.197/2024, que reconhece o Porco Moura como patrimônio histórico, cultural e genético do Estado do Paraná.

Pesquisa e sanidade

A zootecnista e professora da Universidade Estadual de Ponta Grossa, Maria Marta, destacou o trabalho desenvolvido ao longo dos últimos anos para preservar as raças crioulas nacionais no Paraná, especialmente o porco Moura, considerado um importante patrimônio genético para o estado. Segundo ela, o objetivo é garantir a conservação da genética original da raça, evitando cruzamentos que descaracterizem suas características históricas. "Estamos há vários anos nesse resgate das raças crioulas nacionais, que chamamos de raças localmente adaptadas. Já tivemos um grande avanço dentro da raça do porco Moura, e é muito importante conservar essa genética sem cruzamentos com outras raças", afirmou.

Ela também ressaltou a importância do aprimoramento das técnicas de criação nos modelos de produção ao ar livre, seguindo critérios adequados de manejo e bem-estar animal. De acordo com a professora, a criação solta exige normas específicas para garantir qualidade sanitária e sustentabilidade na produção. "A criação ao ar livre precisa seguir técnicas corretas de manejo. É uma produção que exige cuidados específicos para garantir o bem-estar animal e manter uma criação livre com responsabilidade e qualidade", completou.

Miguel Sanches Neto, reitor da Universidade Estadual de Ponta Grossa, reafirmou o compromisso da instituição com o tema. "Tratar das raças crioulas é fortalecer a identidade do Estado do Paraná."

João Humberto Teotônio de Castro, fiscal da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), destacou a importância de estruturar e fortalecer cadeias produtivas menos convencionais da suinocultura no Paraná, especialmente aquelas ligadas à criação ao ar livre e às raças crioulas. Segundo ele, as ações debatidas em audiências públicas buscam organizar melhor o segmento, ampliar oportunidades para pequenos produtores e valorizar alternativas econômicas e gastronômicas ligadas à identidade rural do estado. "O Paraná, que é o segundo maior produtor de suínos do país, também precisa fortalecer a produção não tecnificada e as raças crioulas, que representam uma alternativa importante para o pequeno produtor", afirmou.

Ele também ressaltou que a sanidade animal e a biosseguridade são fundamentais para garantir o crescimento sustentável do setor e proteger toda a cadeia produtiva. Segundo ele, o fortalecimento da legislação específica e das ações preventivas contribui para evitar doenças e dar mais segurança aos produtores. "A saúde pública e o agronegócio dependem diretamente da sanidade. Quando o setor não está protegido, acaba ficando fragilizado. Por isso, é fundamental estruturar melhor a cadeia e garantir mecanismos de proteção para todos os modelos de produção", completou.

Terezinha Freire, diretora técnica da Secretaria de Agricultura do Estado do Paraná, relembrou conquistas importantes, como o Susaf (Sistema Unificado Estadual de Sanidade Agroindustrial Familiar, Artesanal e de Pequeno Porte), mas reconheceu que ainda há muito a avançar na assistência técnica.

"Estamos aqui para ajudar na viabilização do 'negócio' porco crioulo. Estamos aqui para trabalhar por vocês", disse Richard Golba, diretor de negócios do IDR-Paraná.

Também contribuiu para o debate Charles Novinski, da CR Agro Consultoria.

Criadores

O presidente da Associação de Criadores de Porco Moura, Divo Molinari, afirmou que os criadores de raças suínas crioulas ainda enfrentam diversos desafios, principalmente relacionados ao alto custo de produção e à comercialização dos produtos. Segundo ele, além da criação, o setor precisa avançar no processamento de cortes, embutidos e maturados para alcançar consumidores interessados nesse mercado diferenciado. "Existe um público apto a consumir esses produtos, mas precisamos conseguir chegar até esses consumidores", destacou.

Outros desafios citados foram a falta de assistência técnica especializada, linhas de financiamento mais acessíveis e apoio à formalização de uma cooperativa, entre outros pontos.

Ele também avaliou como fundamental a realização de audiências públicas e debates para dar visibilidade aos criadores e fortalecer a raça do porco Moura. De acordo com o representante, a associação reúne atualmente cerca de 3 mil animais e entre sete e dez linhagens genéticas preservadas, além de outras raças brasileiras tradicionais que ajudaram a compor a genética nacional ao longo da história.

"Temos de respeitar os pequenos criadores, que mantiveram essa raça. Graças a Deus, temos as universidades, que nos ajudam muito. Precisamos dessa ajuda agora, na comercialização, pois temos muito espaço para o mercado gourmet", disse Herculano Lisboa, criador de porcos da raça Moura. Ugo Gutierrez, criador de porcos da raça caruncho, e Beto Gusso, diretor da Associação Paranaense de Suinocultores, também contribuíram para o debate.

Alexandre Leal, presidente da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep), destacou a importância da discussão e afirmou ser necessário unir os pequenos produtores para buscar políticas públicas específicas e linhas de financiamento junto ao Ministério da Agricultura.

  

 

AUDIÊNCIA PÚBLICA - "OS DESAFIOS NA CRIAÇÃO E NA COMERCIALIZAÇÃO DOS PORCOS CRIOULOS"

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