Audiência pública vai debater a violência obstétrica nas instituições hospitalares do Paraná
Uma a cada quatro mulheres no Brasil já foi vítima de violência obstétrica antes, durante e depois do parto, mas boa parte delas nem imagina que foi vítima.
A violência obstétrica, suas causas, consequências e seus desdobramentos voltam à pauta esta semana na Assembleia Legislativa do Paraná em uma audiência pública proposta pelas deputadas Mabel Canto (PSC) e Cristina Silvestri (CDN) e pelo deputado Goura (PDT). Será por videoconferência, a partir das 9 horas desta segunda-feira (14) com transmissão ao vivo pela TV Assembleia, site e redes sociais do Legislativo.
Foram convidados Orlando Silveira Barreto Neto, médico Ginecologista e Obstétrico; Patrícia Teixeira, que é doula e vice-presidente da Associação de Doulas de Curitiba e Região Metropolitana; Mariana Martins Nunes, defensora pública, que coordena o Núcleo de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher da entidade; Deisy Joppert, representando a Comissão de Estudos Sobre Violência de Gênero da OAB/PR (CEVIGE); Phillipe Fabrício de Mello, advogado e representante da Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviço de Saúde no Estado do Paraná (FEHOSPAR) e Mara Lúcia Fornazari Urbano Da Silva, mestre em Educação pela Unioeste. Além das palestras, serão exibidos vídeos com depoimentos de mulheres que sofreram violência obstétrica e reportagens sobre o tema.
A violência obstétrica pode ser física, sexual, psicológica ou por negligência. Em alguns casos, a mulher sofre os quatro tipos de violência ao mesmo tempo. Entre as práticas que podem ser consideradas violência obstétrica estão, por exemplo: jejum forçado; isolar a mulher e não permitir acompanhante; restringir a gestante ao leito, para que não se movimente; amarrar a mulher à cama; utilizar meios farmacológicos sem autorização; induzir o parto sem autorização; a episiotomia (corte entre a vagina e o ânus para facilitar a passagem do bebê) e a manobra de kristeller (quando a barriga é empurrada por enfermeiras).
A Assembleia Legislativa já aprovou dezenas de legislações que visam garantir que a chamada “boa hora”, se torne realmente o momento mais importante da vida da mulher, sem traumas. Uma delas é a que prevê intérpretes de libras no momento do parto; outra, que prevê punições e multas para os casos comprovados de qualquer tipo de violência obstétrica, seja de forma verbal, física, psicológica e até sexual. Os deputados também aprovaram a lei que prevê que a melhor modalidade de parto deve ser uma escolha da parturiente, sempre com acompanhamento médico. Vale para as gestantes da rede privada e as do Sistema Único de Saúde (SUS).
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