O Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Paraná, presidido pelo deputado Delegado Jacovós (PL), ouviu, nesta segunda-feira (6), o deputado Renato Freitas (PT) no processo que apura o envolvimento do parlamentar em uma briga de rua no Centro de Curitiba. Durante a reunião, realizada no Auditório Legislativo, Freitas apresentou sua versão sobre o caso e respondeu a questionamentos dos demais membros do colegiado. O procedimento encerra a etapa do processo reservada aos depoimentos das testemunhas e dos denunciados.
Os fatos apurados pela representação nº 25804-80.2025 ocorreram no dia 19 de novembro de 2025. Imagens de celular mostram Freitas em uma briga com o então manobrista Weslley de Souza Silva, na qual os dois trocam golpes entre as ruas Vicente Machado e Visconde do Rio Branco. Posteriormente, foram divulgadas gravações de câmeras de vigilância que mostram a confusão se desenrolando em frente e dentro de um estacionamento da região.
As representações sustentam que Freitas infringiu o artigo 5º do Código de Ética e Decoro Parlamentar, que considera incompatível com a ética e o decoro “praticar ofensas físicas ou vias de fato contra qualquer pessoa”. As denúncias, aglutinadas em uma única acusação, são de autoria dos vereadores de Curitiba Bruno Secco, Eder Borges, Guilherme Kilter e Tathiana Guzella, além dos parlamentares Fábio de Oliveira (Novo), Ricardo Arruda (PL) e Tito Barichello (PL). Também figura como autor Willian Pedroso da Rocha.
A pedido do deputado Marcio Pacheco (Republicanos), o Conselho de Ética exibiu as gravações do conflito anexadas ao processo. As imagens mostram o suposto início da confusão, quando o manobrista e Freitas se encontram. Nas gravações, o parlamentar está acompanhado de uma mulher, enquanto Weslley está dentro do carro. Em seguida, foi exibida uma gravação que mostra o interior do estacionamento. Por fim, um vídeo apresentou o momento em que Freitas e um segundo homem ingressam no local.
Depoimento
Freitas relatou que foi à região para acompanhar a mãe de seu filho em um exame de ecografia. Em seguida, teriam passado em uma loja de bolachas. O conflito teria começado quando eles iam embora. “No que fui atravessar a rua, o carro [conduzido por Weslley] avançou sobre nós”, disse, pontuando que o manobrista estava com as quatro rodas na calçada, o que configuraria “manobra perigosa”, de acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
O deputado sustentou que o manobrista avançou contra eles “em uma velocidade considerável”, momento em que teria dito “respeita o pedestre”. “[Silva] disse ‘vá andando, vá andando, noia’. Me enfureci. Ele disse ‘então espera aí’. Entrou rápido no estacionamento, colocou o carro. Fiquei em alerta”, continuou. Segundo Freitas, o manobrista teria então corrido em sua direção. “Não queria que houvesse um conflito físico ao lado dela [mãe de seu filho]. Por isso, fui ao encontro dele também”, justificou. O parlamentar destacou que realizou uma voadora para cessar uma possível agressão, e seu assessor teria imobilizado o manobrista. Esse momento da confusão teria durado cerca de nove segundos.
Um segundo momento do conflito teria ocorrido após Freitas e seu assessor deixarem o estacionamento. “Ele veio atrás de nós, acompanhado de dois homens que saíram”, detalhou. O deputado afirmou que o grupo bateu na lataria do carro e entrou na frente do veículo, impedindo que ele deixasse o local. Foi quando ocorreu o segundo momento da briga. O parlamentar sustentou que os primeiros golpes foram desferidos pelo manobrista e que reagiu com base no princípio da gradatividade, dando chutes nas pernas para imobilizar Weslley e encerrar a briga.
Próximos passos
A partir de agora, começa o prazo para Renato Freitas apresentar suas alegações finais no processo — etapa que antecede a apresentação do parecer final pelo deputado Marcio Pacheco (Republicanos), relator do caso, e o julgamento pelos demais membros do colegiado. “Os 60 dias úteis só se encerram no dia 26 de abril, podendo ser prorrogados por mais 30 dias. Temos até o dia 26 de maio para finalizar o processo em tempo hábil”, explicou Jacovós.
O depoimento prestado por Freitas nesta segunda-feira finaliza a etapa reservada às oitivas pessoais, prevista pelo Código de Ética da Alep. No último dia 24 de março, o colegiado ouviu testemunhas arroladas pela defesa e pelo relator do caso. O manobrista Weslley de Souza Silva foi o primeiro a depor e relatou que dirigia quando parou para dar passagem a Renato Freitas e à mulher que o acompanhava. Segundo ele, ao cruzar a rua, os pedestres também atravessaram, o que teria iniciado a discussão. Após afirmar que o local não era faixa de pedestres, disse ter sido xingado.
Silva contou ainda que, ao estacionar em uma garagem próxima e sair do carro, foi surpreendido por Freitas e pelo assessor Carlos Alberto, que o teriam agredido com socos e chutes. Relatou que depois tentou registrar a placa do veículo e que foi nesse momento, já no semáforo, que ocorreu a troca de golpes registrada em vídeo. Ele negou ter ofendido o parlamentar ou ter motivação política.
Também foram ouvidas duas testemunhas indicadas por Renato Freitas: o assessor parlamentar Carlos Alberto Ferreira de Souza e Arleide Cerqueira Xavier Muller, que o acompanhavam na ocasião. Carlos Alberto afirmou não ter visto o início da confusão, mas disse ter ouvido Freitas pedir respeito ao pedestre e que Silva teria saído do carro em direção ao parlamentar. Segundo ele, tentou intervir para evitar agressões. Afirmou ainda que, após deixarem o local, Silva foi até o veículo e bateu no vidro, momento em que Freitas reagiu.
Por fim, Arleide Cerqueira Xavier Muller prestou depoimento por videoconferência. Ela afirmou que Renato Freitas a acompanhava para a realização de um exame. Quando retornavam, “saiu um carro de uma garagem, que parou bruscamente, quase encostando na gente. O Renato falou: ‘Respeite o pedestre’. O motorista abaixou o vidro e falou ‘vai encarar, seu noia?’”, detalhou. Segundo Arleide, o motorista teria então estacionado o veículo e se dirigido até eles, momento em que Freitas teria se defendido. Ela pontuou ainda que houve um segundo momento, quando o trio deixava a região e aguardava a abertura do sinal, e Weslley teria corrido até o carro e batido no vidro.
Imagens
Edson Vieira Abdala, advogado que representa Freitas, reforçou o pedido para que o colegiado requeira as imagens, na íntegra, das câmeras do edifício onde ocorreu o conflito, bem como as gravações do sistema de monitoramento da região. Ele ressaltou que as imagens apensadas ao processo estão recortadas e editadas, o que dificulta a compreensão adequada dos fatos. O pedido foi acatado por Jacovós.
REUNIÃO DO CONSELHO DE ÉTICA E DECORO PARLAMENTAR
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