Criai debate situação de crianças que sonham com a adoção
No Paraná, 999 meninos e meninas vivem em casas de acolhimento esperando por uma família, segundo dados do Conselho Nacional de Adoção.
O número de crianças com mais de 12 anos que estão em abrigos do Paraná esperando para serem adotadas é uma das preocupações da Comissão Permanente de Defesa dos Direitos da Criança, do Adolescente, do Idoso e da Pessoa com Deficiência (Criai). O presidente da Criai, deputado Cobra Repórter (PSD) recebeu na última terça-feira (19) os promotores de Justiça David de Aguiar e Mariana Bazzo que vieram tratar deste assunto.
Segundo dados do Conselho Nacional de Adoção (CNA), são 9.410 crianças e adolescentes em casas de acolhimento espalhadas pelo Brasil aptas para adoção e 999 no Paraná. O Paraná é o 4º Estado com mais crianças e adolescentes para adoção; só fica atrás de São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Das 999 crianças e adolescentes, cerca de 40% tem mais de 12 anos segundo o Ministério Público do Paraná. Em Curitiba, são 497 crianças e adolescentes acolhidos nas 22 casas abrigo da capital. Destas, 123 meninos e 110 meninas já ultrapassaram os 12 anos.
Os promotores de Justiça David de Aguiar e Mariana Bazzo disseram que os números são altos já que, a partir dessa idade, as chances de adoção são mínimas. Eles estiveram no gabinete quando se reuniram com o deputado Cobra Repórter e integrantes da Criai para discutir ações na tentativa de reverter essa triste realidade. A promotora Mariana Bazzo afirmou que as crianças com mais de 12 anos que vivem em abrigos, muitas vezes, acabam indo para o caminho da marginalidade, drogas e prostituição no decorrer da adolescência. “Temos que criar meios de minimizar os efeitos negativos dessa ausência de carinho, amor… de família! A situação chega fora de controle em razão de uma institucionalização de longo prazo, da falta de cuidado individualizado, da autoestima prejudicada e da dificuldade de interação social”, explicou a promotora.
Padrinho – O promotor David de Aguiar destacou que o apadrinhamento pode ser uma solução! E um projeto que já existe, o “Padrinho Torcedor” do Clube Atlético Paranaense, tem ajudado nisso. Ele existe graças ao apoio das Promotorias de Justiça e Juventude de Curitiba e de Araucária, na Região Metropolitana. “O projeto foi lançado com o objetivo de impulsionar o apadrinhamento de crianças e adolescentes que vivem em instituições de acolhimento” disse Aguiar.
Ele explicou que para participar desse processo é possível escolher entre as diferentes modalidades de apadrinhamento, como o afetivo, em que se visita o afilhado regularmente, proporcionando uma relação de família e de troca de afeto. E o provedor, em que é dado suporte material ou financeiro, como o custeio de cursos profissionalizantes. Para apadrinhar, é necessário ter disponibilidade para participar ativamente da vida do afilhado, ter mais de 18 anos e ter, pelo menos, 16 anos de diferença com a criança ou adolescente que deseja apadrinhar. Além disso, é imprescindível a presença em reuniões com a equipe responsável pelo programa.
Data – Para o dia 25 de maio, o Dia Nacional da Adoção, a Criai está organizando ações voltadas ao debate e conscientização dos paranaenses sobre esse tema. A Comissão é formada por sete integrantes: o presidente deputado Cobra Repórter; a vice-presidente, deputada Cantora Mara Lima (PSC), os deputados Alexandre Amaro (PRB), Luciana Rafagnin (PT), Marcio Pacheco (PDT), Subtenente Everton (PSL) e Luiz Carlos Martins (PP).
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