Deputada Luciana Rafagnin (PT) apresenta projeto que reconhece General Carneiro como Capital Paranaense Cabocla do Contestado
A proposta busca valorizar a memória histórica, cultural e a resistência do povo caboclo da região Sul do Paraná.
A deputada estadual Luciana Rafagnin (PT) apresentou projeto de lei que concede ao município de General Carneiro o título de Capital Paranaense Cabocla do Contestado.
A proposta reconhece a importância histórica, simbólica e cultural do município no contexto da Guerra do Contestado, conflito ocorrido entre os anos de 1912 e 1916, marcado pela resistência de caboclos e sertanejos diante da disputa territorial e da expulsão de posseiros durante a construção da estrada de ferro na região Sul do país.
Na justificativa do projeto, Luciana destaca que General Carneiro foi palco estratégico da guerra e carrega, até hoje, marcas profundas desse período histórico. O município integra a área de fronteira disputada entre Paraná e Santa Catarina e foi cenário de confrontos, movimentação de tropas e resistência popular.
Segundo o pesquisador Nilson Cesar Fraga, coordenador do Observatório da Região e da Guerra do Contestado da Universidade Estadual de Londrina (UEL), a região teve papel fundamental no desenrolar do conflito, especialmente pela presença dos redutos caboclos e pela atuação do Exército Brasileiro na repressão aos movimentos populares ligados aos monges João Maria e José Maria.
O projeto também ressalta que o povo carneirense é descendente direto dos caboclos e caboclas do Contestado e mantém viva a memória, a religiosidade e a cultura popular daquele período. Entre os símbolos preservados na região estão os "pocinhos do Monge João Maria" e o monumento conhecido como "Cruz do Aviador", erguido no local da queda do avião do Tenente Ricardo Kirk — considerado o primeiro acidente aéreo em missão militar das Américas —, ocorrido em 1915.
Para a deputada, o reconhecimento representa uma reparação histórica e uma forma de fortalecer a identidade cultural do município.
"General Carneiro carrega, no seu povo e no seu território, a memória viva da resistência cabocla. Reconhecer essa história é valorizar um povo que foi invisibilizado por décadas, mas que preserva, até hoje, sua cultura, sua fé e sua identidade", afirmou Luciana.
Além do reconhecimento simbólico, a proposta busca incentivar o potencial turístico, histórico, religioso e cultural do município, com valorização de trilhas da memória, peregrinações, vivências educativas e ações voltadas à preservação da cultura cabocla como patrimônio imaterial do Paraná.
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