O deputado estadual Goura (PDT) propõe a realização, neste primeiro semestre de 2026, pela Assembleia Legislativa do Paraná, em articulação com parceiros locais, de um seminário sobre turismo de natureza e turismo de base comunitária nos Campos Gerais, em Ponta Grossa.
O objetivo é discutir políticas públicas voltadas ao turismo ecológico na região do Parque Nacional dos Campos Gerais, da Escarpa Devoniana e de seu entorno.
A proposta foi apresentada após visitas técnicas a atrações do parque e reforça a importância do turismo de natureza e de base comunitária como instrumentos estratégicos para a preservação ambiental, a educação ambiental e a geração de renda local.
Goura visitou a Furna Grande e as Furnas Gêmeas no Passo do Pupo, o Buraco do Padre e a Cachoeira da Mariquinha, todas atrações localizadas no Parque Nacional dos Campos Gerais, nos dias 21 e 22 de janeiro.
Seminário em Ponta Grossa
“Esse seminário vai discutir e aprofundar os temas relacionados ao turismo ecológico, turismo de natureza e as áreas afins, integrando todos os setores da sociedade como empresários, população e universidades, com foco no ecossistema da região, do parque nacional, da escarpa e seu entorno”, explicou Goura.
Segundo Goura, o turismo de natureza e o turismo de base comunitária são as melhores formas de valorizar e preservar o nosso patrimônio natural. São também instrumentos fundamentais para promover educação ambiental.
“Cumprimos essas agendas para conhecer e fortalecer as iniciativas de turismo de natureza na região. Para isso, é preciso estabelecer políticas públicas que garantam que a conservação ambiental caminhe junto com a geração de renda local, fortalecendo comunidades e protegendo de forma permanente esses territórios naturais”, afirmou Goura.
Relação com a Inglaterra
Goura lembrou que essa visita ao Parque Nacional dos Campos Gerais dialoga diretamente com a agenda realizada no ano passado na Inglaterra, em outubro, quando participou, representando a Assembleia Legislativa (Alep), de uma missão internacional a convite da Universidade Estadual de Ponta Grossa e da Universidade de York para conhecer experiências de gestão de parques nacionais.
“Esse acúmulo ajuda a qualificar o debate sobre conservação, turismo de natureza e o uso público nas unidades de conservação do Paraná”, afirmou. “E que se efetiva, agora, com essa nossa visita ao Parque Nacional dos Campos Gerais a convite daqueles que nos acompanharam naquela visita à Inglaterra.”
Convite Morro do Castelo
O advogado Alberto Kossatz, administrador da propriedade rural Morro do Castelo, no distrito de Itaiacoca, na qual estão os atrativos como o Buraco do Padre, a Cachoeira da Mariquinha e as dolinas do Passo do Pupo, explicou que o convite ao deputado estadual Goura está diretamente relacionado à recente viagem ao Reino Unido.
“Estivemos juntos na Inglaterra, em agenda na Universidade de York, em parceria com a Universidade Estadual de Ponta Grossa, e a partir dessa experiência surgiu o interesse do deputado em conhecer as iniciativas que desenvolvemos aqui”, afirmou.
“Essa foi uma oportunidade importante para apresentar o território e discutir o parque a partir da realidade local”, disse ele. Para o administrador, a presença do deputado reforça a importância de ampliar o debate público sobre o Parque Nacional dos Campos Gerais.
“A nossa intenção agora é promover um chamamento público, reunindo vereadores, lideranças locais e o poder público, para que todos possam contribuir com opiniões e encaminhamentos sobre o futuro do parque”, concluiu.
Goura detalhou que a visita à Inglaterra foi feita pelo projeto “Repensando Estratégias de Conservação: Lições dos Parques Nacionais do Reino Unido para os Campos Gerais do Paraná”, coordenado pelo professor Carlos Hugo Rocha (UEPG) e pela professora Lindsay C. Stringer, diretora do Instituto de Sustentabilidade Ambiental de York (YESI).
Visita às furnas
“A gente visitou as Furnas Gêmeas e tivemos a oportunidade de entrar na Furna Grande. Uma verdadeira aula sobre a geologia e a biodiversidade locais. São patrimônios naturais e geológicos incríveis, que estão dentro do Parque Nacional dos Campos Gerais”, detalhou Goura.
No Buraco do Padre, que também é uma furna, o deputado conheceu a Fenda da Freira, o Poço Encantado e atrações do complexo turístico, que são iniciativas particulares, que têm uma gestão própria.
É possível fazer visitas autoguiadas e outras só se fazem com os guias locais credenciados a prestar os serviços de visita aos atrativos naturais da região. Tudo de acordo com as necessidades e o desejo dos visitantes.
Guilherme Forbeck, do Refúgio das Curucacas Ecoturismo, operadora de turismo especializada em ecoturismo, orientou e explicou como funciona o acesso e a gestão da visitação dos atrativos do parque.
“A experiência começa no receptivo, com orientações preliminares aos visitantes e o preenchimento do termo obrigatório antes da entrada”, disse. “Nós somos os responsáveis pela gestão. As regras da visitação e agendamento estão disponíveis no nosso site oficial.”
Cachoeira da Mariquinha
Durante visita à Cachoeira da Mariquinha e ao entorno da área, Goura foi acompanhado por Alessandro Chagas Silva, geógrafo e guia de turismo, integrante do GUPE (Grupo Universitário de Pesquisas Espeleológicas), de Ponta Grossa, à frente do Projeto Arqueotrekking – Roteiros Arqueológicos.
O guia apresentou sítios arqueológicos com pinturas rupestres e contextualizou a formação geológica da Escarpa Devoniana, das furnas e dos arenitos na região do Parque Nacional dos Campos Gerais.
“O percurso permitiu compreender as especificidades desse patrimônio em Ponta Grossa e em toda a escarpa, reforçando a relevância científica, cultural e ambiental da área e a necessidade de sua preservação”, destacou Goura.
Erradicação do pinus
Diante da invasão do pinus por dispersão natural na região da Escarpa Devoniana, especialmente no Parque Nacional dos Campos Gerais e em áreas de visitação, o deputado Goura informou que está em elaboração uma proposta de projeto de lei para a erradicação do pinus enquanto espécie exótica invasora das áreas naturais do Paraná.
Segundo ele, o pinus compromete a biodiversidade ao empobrecer o solo e impedir a regeneração de outras espécies vegetais, o que torna sua presença incompatível com unidades de conservação.
“Nossa proposta parte do reconhecimento de iniciativas já existentes, como a Iniciativa Campos Gerais, grupo de voluntários que atua na remoção de espécies exóticas em áreas protegidas, e busca transformar essas ações em política pública estruturada”, informou.
Goura explicou que essa política pública não tem como objetivo restringir o uso econômico do pinus, voltado à madeira e à celulose. “Nós queremos que isso aconteça em áreas controladas, que assegurem o controle e evitem a dispersão das sementas para os remanescentes de mata e outros ecossistemas naturais do entorno dessas áreas de plantio de pinus.”