Deputados e líderes dos trabalhadores pedem amplo debate e transparência sobre a reforma previdenciária
Debate no Plenarinho da Alep reuniu representantes de diversas categorias contrárias a PEC nº 287/2016, que prevê a reforma previdenciária.
A proposta de reforma da Previdência Social em tramitação na Câmara dos Deputados também esteve na pauta da Assembleia Legislativa do Paraná nesta quarta-feira (15). Uma audiência pública sobre o tema reuniu deputados estaduais, representante do Ministério Público estadual, sindicalistas e representantes de entidades de classe que apresentaram argumentos contra o texto original da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) nº 287/2016, e cobraram a ampla discussão da reforma com toda a sociedade.
O debate promovido por iniciativa do deputado Anibelli Neto (PMDB), coordenador da Frente Parlamentar em Defesa dos Trabalhadores do Campo e da Cidade, foi uma oportunidade para esclarecer as principais modificações previstas na PEC e para aprovação de uma carta com o posicionamento oficial de todos os participantes. “Eu não posso assumir o lado A ou lado B sem ter os argumentos para isso. Vamos ter a nossa opinião escutando os dois lados da moeda para que a gente possa ser um formador de opinião. Vamos debater para que a gente possa fazer uma carta, um documento que será envido para todos os parlamentares do Paraná em Brasília”.
O documento já assinado por mais de 15 entidades faz um alerta sobre a preocupação com os possíveis danos que a aprovação da PEC poderia causar aos brasileiros, repudia a forma como a medida é conduzida, pede o amplo debate do tema e a divulgação de dados sobre a Previdência Social.
O economista e supervisor técnico do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), Sandro Silva, fez uma pequena apresentação com alguns dados da Previdência e as principais mudanças previstas na reforma. De forma geral, a proposta estabelece que os trabalhadores poderão se aposentar a partir dos 65 anos de idade e com 25 anos de contribuição para a Previdência. Também mudam a forma de cálculo do valor do benefício, as aposentadorias por invalidez, as aposentadorias especiais e as pensões para dependentes.
Posicionamentos - O representante do Ministério Público do Paraná no evento, o promotor de justiça Fernando da Silva Matos, ressaltou a importância da audiência pública e da formalização do posicionamento dos participantes. “É de extrema importância a realização desse debate, porque possibilita que a sociedade, que será diretamente atingida por essa reforma, possa apresentar as suas insatisfações e suas reivindicações a fim de que sejam internalizadas nas instituições e possam ser devidamente encaminhadas para os representantes paranaenses no Congresso Nacional”.
O presidente da Amatra (Associação dos Magistrados do Trabalho do Paraná), Paulo da Cunha Boal, afirmou que as associações que representam a categoria em todo o Brasil pedem o debate democrático sobre o tema e a efetiva participação da sociedade nas decisões. “As associações são contra a proposta original do texto. Alguns pontos são extremamente prejudiciais à população ou a um grupo da população. Podemos citar aqui o tempo de contribuição igualitário entre homens e mulheres. Vários pontos da lei precisam ser melhor pensados e trabalhados pela sociedade. O que as associações pedem é que tudo seja discutido de forma clara e plena com a sociedade civil. Não podemos aceitar que um projeto seja, simplesmente, imposto do jeito que foi e a Câmara dos Deputados e depois o Senado aprovem o projeto que foi lançado de forma tão rápida como se pretende”.
O presidente da Frente das Carreiras Públicas do Paraná, Frederico Mendes Junior, também reforçou o pedido para que a proposta seja amplamente discutida com os trabalhadores e destacou que a Previdência precisa ser transparente. “Nós reconhecemos no Parlamento, no Congresso Nacional, a legitimidade para discussão da reforma da Previdência e das reformas que o governo quer implementar. No entanto, essa reforma vai atingir todos os trabalhadores da iniciativa privada e do serviço público e necessita de uma ampla discussão com a sociedade e com esses trabalhadores, porque todos serão afetados. O que todas essas entidades e associações pedem é que isso tem que ser precedido de um prévio debate, os dados sobre a Previdência têm que ser trazidos para a sociedade brasileira. A sociedade tem que participar do debate no Parlamento. O que essas associações, sindicatos e centrais sindicais não aceitam é que seja uma reforma imposta sem uma explicação, sem uma satisfação para esses milhões de brasileiros que serão afetados”.
O presidente da Força Sindical no Paraná, Nelson de Souza, ressaltou a iniciativa da Assembleia Legislativa do Paraná de receber os trabalhadores e dar voz à opinião de todos. “É de suma importância a abertura dessa Casa de Leis para nós. Demonstra o respeito aos trabalhadores e ao povo brasileiro que estão contra a reforma. A ideia é debater o assunto para esclarecer para os deputados, os trabalhadores e para a sociedade o que é a reforma da Previdência. Mostrar que vai haver prejuízo”.
[podcast id=4122 /]
Notícias Relacionadas
Assembleia Legislativa debate importância e desafios dos artistas de rua
Encontro proposto pelo deputado Goura (PDT) aponta necessidade de aprimoramento de políticas públicas em favor da cultura popular
Leia mais
Arte de Rua é tema de audiência pública na Assembleia Legislativa nesta quinta (16)
Leia mais
Deputado Luiz Claudio Romanelli (PSD) promove audiência pública para apresentação do monitoramento do PPA na Assembleia
Leia mais
Audiência pública debateu saúde mental dos profissionais da segurança pública no Paraná
Evento foi proposto pelo deputado Tito Barichello (União) e ocorreu no Plenarinho da Casa de Leis.
Leia mais