Deputados lamentam a morte de Euclides Scalco e Assembleia decreta luto oficial
O ex-ministro e ex-deputado federal faleceu aos 88 anos nesta terça-feira (16) em decorrência de complicações da Covid-19.
Os deputados estaduais lamentaram a morte do ex-ministro, ex-deputado federal e ex-chefe da Casa Civil do Paraná, Euclides Scalco ocorrida nesta terça-feira (16), em Curitiba. Scalco, um dos políticos e homem público mais influente do estado, tinha 88 anos e é mais uma vítima da Covid-19.
Requerimento de votos de pesar à família foi apresentado na Assembleia Legislativa do Paraná, o presidente Ademar Traiano (PSDB) decretou luto oficial de 3 dias e no início da sessão plenária foi realizado um minuto de silêncio em homenagem à Scalco.
O presidente Traiano (PSDB) disse que “o Paraná e o Brasil perderam hoje um grande homem: Euclides Scalco, aos 88 anos, vítima da Covid. Ele nos deixa depois de uma vida exemplar, como um homem e político com uma trajetória sem máculas, uma liderança incontestável, uma referência moral. A vida reta, a trajetória marcada pela coerência e credibilidade de Euclides Scalco servirão de inspiração para as futuras gerações que se dedicarem à política ou que desejarem um exemplo de vida”.
O deputado Romanelli (PSB), primeiro secretário da Assembleia Legislativa, destacou a importância de Scalco para o ingresso na vida pública. “A ele devo o meu ingresso na política. Figura extraordinária, com que tive a honra de conviver no dia a dia, e aprendi muito. Íntegro, combatia as desigualdades sociais. Fundador do MDB e do PSDB, fará falta. Minhas condolências à família e aos amigos”.
“Como farmacêutico e um dos criadores do SUS, você foi e sempre será uma das maiores referências para mim. Me espelho em você para continuar a trajetória política de luta pela saúde das pessoas. Agradeço todos os ensinamentos e tenho muito orgulho de ter você como exemplo”, disse o deputado Michele Caputo (PSDB) em suas redes sociais. "Um homem qeu fez história e vai deixar sua marca. Conheci muito bem lá nos anos 50, 60 em Francisco Beltrão", disse o deputado Delegado Recalcatti (PSD).
Presidente do PSDB Paraná, o deputado Paulo Litro, destacou a referência que Scaldo era para aqueles que seguem na vida pública. "O Paraná e Brasil perdem uma verdadeira referência e exemplo de político com o falecimento do ex-ministro e fundador do PSDB, Euclides Scalco. Deixo minhas orações para sua esposa, dona Terezinha, familiares e amigos".
Cidadão Paranaense - Uma das últimas aparições públicas de Scalco aconteceu no final de 2019, quando recebeu o título de Cidadão Honorário do Paraná. A solenidade de entrega aconteceu 28 anos após a aprovação da homenagem pelos deputados e foi realizada no Salão Brasil da Prefeitura Municipal de Curitiba. Na época, o autor da proposição foi o então deputado estadual e atual prefeito da capital, Rafael Greca (DEM). O adiamento da entrega ocorreu por inúmeras razões até ser resgata pelo deputado Michele Caputo (PSDB).
Na ocasião, Scalco recordou suas contribuições com o Brasil e o Paraná, em especial com a região Sudoeste, onde o gaúcho de nascimento iniciou sua carreira política. “Sempre busquei corresponder às necessidades da população. Sinto-me honrado de receber este título do Estado que me recebeu. Hoje sou um homem feliz”.
As contribuições de Scalco com o Estado do Paraná justificaram a honraria. Farmacêutico de formação, o homenageado ganhou destaque na política, considerado dono de uma personalidade discreta e articuladora. Scalco foi vereador, prefeito, deputado federal, diretor-geral da Itaipu Binacional, além de chefe da Casa Civil do Estado no governo de José Richa (1983-1986) e ministro-chefe da secretaria geral da presidência da República no segundo governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Ao lado de outras autoridades, é um dos fundadores do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB).
Biografia – Euclides Girolamo Scalco nasceu em Nova Prata, no Rio Grande do Sul, em 1932. Formado em farmácia-química na Faculdade de Farmácia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, curso concluído em 1954. Em 1959, mudou-se para o município de Francisco Beltrão, no sudoeste do Paraná.
Logo após radicar-se no interior paranaense iniciou as atividades políticas, tornando-se secretário do diretório municipal do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) em Francisco Beltrão (1960-1962), município no qual se elegeu vereador (1960-1962) e, em seguida, prefeito (1963-1964). Após o golpe militar, foi um dos fundadores, em 1966, do partido Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Pela legenda foi eleito novamente vereador em Francisco Beltrão, tendo exercido o mandato até 1969.
Em novembro de 1974 elegeu-se suplente do senador Francisco Leite Chaves na legenda do MDB, sendo escolhido em seguida presidente do diretório regional do partido no Paraná, cargo que exerceu de 1975 a 1979. No pleito de novembro de 1978, elegeu-se deputado federal, filiando-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Exerceu o mandato até março de 1983.
Reeleito em novembro de 1982 pelo PMDB, iniciou novo mandato em fevereiro do ano seguinte. Foi nomeado secretário-chefe da Casa Civil (1983-1986) do governador José Richa. Após afastar-se da chefia da Casa Civil, reassumiu seu mandato de deputado federal, tendo sido membro das comissões de Saúde e de Previdência e de Assistência Social da Câmara dos Deputados.
Nas eleições de 1986, elegeu-se deputado federal constituinte pelo PMDB paranaense. Em 1988, ao lado de outros peemedebistas como Fernando Henrique Cardoso, Mário Covas, Franco Montoro, José Serra, Pimenta da Veiga, João Gilberto e José Richa, foi um dos principais organizadores do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), tendo sido secretário-geral de sua comissão provisória nacional e, logo a seguir, eleito na convenção de fundação do partido secretário-geral de sua primeira Executiva Nacional.
Após a promulgação da Constituição, em outubro de 1988, tornou-se líder do PSDB na Câmara dos Deputados. Em outubro de 1990, foi candidato a vice-governador do Paraná na chapa do governador José Richa, que não passou para o segundo turno da eleição. Exerceu o mandato de deputado até janeiro de 1991, quando foi eleito vice-presidente do diretório nacional do PSDB, exercendo o cargo até 1993.
Em 1994, Euclides Scalco coordenou por um curto período a campanha do candidato do PSDB, Fernando Henrique Cardoso, à presidência da República. Em junho de 1995, desfiliou-se do PSDB, permanecendo a partir de então sem vinculação partidária. Em setembro do mesmo ano, assumiu a diretoria-geral do lado brasileiro da hidrelétrica Itaipu Binacional.
Scalco continuou a frente da diretoria-geral da hidrelétrica Itaipu Binacional após o pleito de 1998. Em abril do ano seguinte renunciou à diretoria-geral de Itaipu e aceitou o convite de Fernando Henrique Cardoso para assumir o cargo de ministro-chefe da secretaria geral da presidência da República.
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