É preciso continuarmos vigilantes na defesa do SUS, diz deputado
O deputado Michele Caputo (PSDB), membro da Comissão de Saúde Pública da Assembleia Legislativa do Paraná, disse, nesta quinta-feira (29), que é preciso "continuarmos vigilantes" na defesa do Sistema Único de Saúde (SUS) que sofre tentativas de privatização, como previa o decreto do Governo Federal com as Unidades Básicas de Saúde (UBS).
"Felizmente, o presidente (Jair Bolsonaro) voltou atrás e anunciou que vai revogar o decreto que traria danos irreparáveis aos SUS. Mesmo assim, temos que continuarmos vigilantes, defendendo as conquistas que tivemos com o SUS e lutando sempre para a melhoria do atendimento de saúde da população", o deputado.
Michele Caputo disse que ao receber a notícia na quarta-feira, 28, sobre a tentativa do governo federal de privatizar a atenção primária de saúde, ficou extremamente indignado. "Fiz questão de criticar este absurdo do governo Bolsonaro. A medida seria um retrocesso gigante, com impactos nunca vistos no Sistema Único de Saúde", relatou. "Sabemos que ainda há muitas falhas, mas o SUS é o nosso maior patrimônio", completou o deputado.
Revogação - Após reações e críticas como as do deputado paranaense, o presidente Jair Bolsonaro revogou o decreto que colocava UBS no escopo de interesse do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI). A publicação da norma gerou reações de entidades que atuam na área. Além do mais, um abaixo-assinado contra o decreto que somava até o início da noite de quarta-feira mais de 50 mil assinaturas.
O presidente do Conselho Nacional de Saúde, Fernando Pigatto, disse ver na medida uma privatização dos postos de saúde. Avaliação semelhante sobre os riscos da medida é apontada por Ricardo Heinzelmann, da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, que reúne médicos que atuam na atenção básica.
O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) também saiu em defesa da revogação do decreto e disse que decisões relativas à gestão do SUS não podem ser tomadas de forma unilateral, mas em consenso entre as esferas federal, estadual e municipal.
"O Conass manifesta sua integral convicção de que a Atenção Primária à Saúde necessita ser preservada em sua forma de atuar, sob gestão pública e isenta de quaisquer atrelamentos às lógicas de mercado, que não cabem, absolutamente neste caso. O decreto apresentado não trata de um modelo de governança, mas é uma imposição de um modelo de negócio".
Notícias Relacionadas
Deputada Luciana Rafagnin (PT) questiona Secretaria da Saúde sobre regulamentação da lei da fila do SUS
Leia mais
Deputada Luciana Rafagnin (PT) quer aplicação da lei de transparência na fila do SUS
Nova legislação permite que pacientes consultem previsão de quando serão realizados exames, consultas e cirurgias.
Leia mais
Deputado Ney Leprevost (União) solicita ao Ministério da Saúde a inclusão de novo medicamento no SUS para prevenção do vírus sincicial respiratório em crianças
Leia mais
Deputados solicitam a incorporação de vacina para bronquiolite no calendário de imunização do SUS
Leia mais