Frente Parlamentar da Psicologia debate valorização profissional, atendimento em desastres e contratação de novos profissionais
Reunião também tratou da ampliação do quadro no SUS e no SUAS e do fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial.
A Frente Parlamentar da Psicologia da Assembleia Legislativa do Paraná realizou reunião ordinária nesta terça-feira (11), no Auditório Legislativo, para discutir uma série de demandas relacionadas à categoria e à saúde mental. Entre os assuntos abordados estiveram a valorização profissional, a contratação de psicólogos por meio de concurso público, a ampliação do atendimento na rede pública, os direitos das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e a atuação de profissionais em situações de emergência e desastres. O encontro foi proposto pelo presidente da Frente Parlamentar da Psicologia, deputado Requião Filho (PDT).
A pauta incluiu a emenda aditiva ao Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) nº 371/2026, com a defesa da manutenção da Emenda nº 1551485/2026 e de seus desdobramentos na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2027. Também foram discutidas a criação e a ampliação do quadro próprio de profissionais no Sistema Único de Saúde (SUS) e no Sistema Único de Assistência Social (SUAS), incluindo o planejamento de pessoal e a realização de concurso público.
Outro ponto tratado foi a isenção de IPVA para pessoas com TEA e a revisão das exigências para emissão de laudos. A reunião também abordou a estruturação de uma política continuada de capacitação em Primeiros Socorros Psicológicos (PSP) para situações de emergência e desastres, a reivindicação pela jornada de 30 horas para profissionais da Psicologia, com apoio à pauta federal e discussão de alternativas para o quadro estadual, e a ampliação do acesso à psicoterapia, com foco no fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).
Marina Pires Alves Machado, membro da Diretoria do Conselho Regional de Psicologia, participou do encontro e destacou a necessidade de ampliar a contratação de profissionais. Ela citou a situação de Rio Bonito do Iguaçu, onde foi criado um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), mas ainda não houve a contratação de um profissional por falta de concurso público vigente.
“Além de discutir os projetos de lei que tivemos avanços, trouxemos hoje uma profissional que acompanhou todo o desastre em Rio Bonito do Iguaçu para a gente discutir um pouco a questão das emergências e desastres da perspectiva da psicologia. Também precisamos falar sobre a contratação de novos profissionais de psicologia. Em Rio Bonito fizeram um CAPS, mas não contrataram um profissional ainda porque não tem concurso vigente”, destacou.
A presidente da Comissão dos Direitos Humanos do CRP-PR, Semiramis Vedovato, criticou a contratação de psicólogos em formato temporário, argumentando que o modelo enfraquece o vínculo dos profissionais com os serviços.
“Precisamos de um diagnóstico do pessoal e estudar formas de contratações via concurso, porque as demandas são imensas”, disse.
A psicóloga Adriana Czelusniak chamou atenção para uma série de direitos adquiridos que, segundo ela, são negados aos autistas no Estado. Entre os exemplos citados estão perícia em concursos, desconto de acompanhantes em passagem aérea e credenciais de estacionamento.
“Benefícios de autistas não podem ser considerados custos a serem cortados. Precisamos que o Paraná cumpra a Constituição”, destacou. O grupo de trabalho se comprometeu a oficiar os responsáveis e marcar reuniões técnicas para discutir o tema.
A atuação da Psicologia em situações de emergência e desastres também esteve entre os assuntos discutidos. Marly Perreli, presidente do Sindicato dos Psicólogos, contou sua experiência sobre o socorro psicológico em desastres naturais e defendeu uma organização no setor estadual de saúde mental que permita a participação de voluntários e agentes locais.
Segundo ela, esses profissionais têm grande importância no atendimento às populações atingidas. Marly também alertou para situações em que a presença de pessoas externas não representa uma contribuição efetiva às vítimas.
“E também precisamos tomar cuidado com as ajudas que não são ajudas, que são os turistas do desastre. Tiram a foto, colocam no Instagram, e depois vão embora”, pontuou.
A psicóloga Denize Senzi relembrou a luta antiga da categoria pela conquista de um piso salarial e pediu a criação de legislações que protejam a área de atuação dos profissionais. Ela também defendeu a garantia da jornada de trabalho de 30 horas semanais, conquista já obtida por assistentes sociais e enfermeiros, por exemplo.
Além dela, o conselheiro do CRP-PR, Rafael Sfreddo, refletiu sobre a falta de prestígio e espaço do setor tanto nas esferas públicas como nas privadas, mesmo com os casos de doenças mentais só aumentando em todas as idades.
REUNIÃO DA FRENTE PARLAMENTAR EM DEFESA DA PSICOLOGIA
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